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Albergue dos danados

Blog de maus e mal-dizer 

2004-04-30


Escreveu o Rui, “Pacheco Pereira foi aqui uma espécie de carteiro. Só que bateu duas vezes na porta errada”. Nada sei sobre este assunto, confesso. O que sei é que os relapsos, quando se esquecem, são assim. Repetitivos. Segismundo.

Referência



Perguntou o José, “o que é que Fazenda ou Louçã disseram em 1975, 1976, 1980, 1990, de que não se lembram hoje? Onde está a reflexão que certamente fizeram? Ou tiveram sempre razão? Ou apenas «evoluíram» como o 25 de Abril?”. O José, às vezes – quando interpela e não sentencia –, é danado. Nicky Florentino.

Referência



Um beijo, dá-me um beijo, rogou ele. Ela, lampeira, levantou-se, bamboleou o corpo, afastou-se e, fazendo a desfeita, saiu, abandonou-o no restaurante. Sem o beijar. Sem o satisfazer. Sentiu um inédito prazer nesse acto. Experimentou que ferir os outros é melhor do que sorver a sobremesa. Por isso mesmo, prometeu a si, irá repetir o pecado, irá repetir o gozo. O Marquês.

Referência

2004-04-29


O José revelou-se indisponível para constar na lista da coligação Força Portugal!. Porém, por superiores razões e razões políticas, disponibilizou-se a participar na campanha eleitoral. Para apelar ao voto na lista de que ele recusou ser parte. Como é óbvio, o que é relevante não é a coerência dos actos, mas a sua coragem. Uma coisa é não transigir, outra, sobejamente diferente, é votar e contribuir para a galopinagem a favor de uma trupe de candidatos que se entendem mal mancumunados. Ora, sendo sabido que o voto é uma forma de poder, de eliminar alternativas, surge evidente que não se vota na candidatura desejada – isso é que era bom –, mas no mal menor. Como está bem de ver, circunstâncias há em que o voto válido é apenas uma forma diferente de voto em branco. Não aquece. Assim como não arrefece. Nicky Florentino.

Referência



Em artigo estampado na edição de hoje do Público, escreveu o senhor Prof. Doutor Francis Fukuyama, “o novo Estado do Iraque terá mais legitimidade do que qualquer outro Estado árabe, mas será ao mesmo tempo mais frágil e dependente da ajuda exterior”. Curioso, este conceito de legitimidade. Pois não tem a ver com legitimidade. Mas, ao que consta, com moralidade. Pois Estado que tem legitimidade é Estado cujo poder existe em estado de autoridade. Ou seja, é um Estado cujo poder é reconhecido e aceite. Pelos cidadãos respectivos. Não por estranhos. Por mais adeptos que eles, os estranhos, sejam do credo democrático. É que, convenhamos, legitimidade é uma coisa. Democracia é outra. Bem diferente. Não obstante a história as tenha encontrado. Nicky Florentino.

Referência



O ajuntamento, em favor do senhor presidente da Câmara Municipal de Lisboa, para que foram convidados os inocentes leitores das edições de ontem do Correio da Manhã e do Record e demais colaboradores e epígonos do fulano é uma manobra própria dos confessos, embora não assumidos, fracos. Quando o juízo é relapso, a tendência populista, própria das fátuas personagens – que o senhor dr. Santana Lopes, sem drama, encarna melhor do que qualquer outra criatura –, é montar uma coreografia fandanga, com povo, muito povo, com o propósito único de agitar e fazer vento e, assim, confundir os desatinados gentios, inclusive os que dão o corpo ao manifesto. Resulta no instante, como qualquer paliativo. Mas não resolve o problema. Pois o trambelho não se infunde assim, pela solidariedade encomendada e encenada das moles populares. Nicky Florentino.

Referência



Uma pequena nota na edição de hoje do Público. “Ontem escrevemos erradamente que a editora de José Saramago é a Dom Quixote. À Caminho, que há anos edita os livros do escritor, as nossas desculpas”. Como surge óbvio, há subjacente a este gesto um pressuposto que está longe de poder ser dado como verificado. E que tem a ver não com o erro cometido, mas com a presunção de que a Editorial Caminho é que, com o erro, foi apoucada. Afinal, por qual raio é que presumiram que a editora ofendida foi a Caminho? e não a Publicações Dom Quixote? Segismundo.

Referência



O senhor presidente da Câmara Municipal de Lisboa não se dispôs a realizar um estudo de impacte ambiental relativo em razão da construção do pretendido túnel na avenida Joaquim Augusto de Aguiar. Consta que o senhor secretário de Estado do Ambiente informou-o da desnecessidade de tal avaliação. Estão bem um para o outro. Um, estouvado e cata-vento, pergunta tarde o que devia ter perguntado antes. O outro, oráculo sabe-se lá de que autoridade ou juízo, responde torto. O que não é bom ambiente. Segismundo.

Referência



O Marquês.

Referência

2004-04-28


Caminhavam abraçados. Notava-se nela a embriaguez da paixão. Falava. Gesticulava. E sorria. Sorria muito. Entretanto, esquivou-se ao abraço, ela. Correu. Saltitou, estendendo o braço direito, como que tentando agarrar o céu. Depois parou. Sorriu para trás, para ele, que caminhava pausado, com as mãos aconchegadas nos bolsos das calças. Ela começou outra brincadeira, então. Abriu os braços e, oscilando-os para cima e para baixo, alternadamente, fingiu planar. Passou por ele, em passos pequenos e sincopados, inclinando também a cabeça para um lado e para o outro. Ele sorriu, embora com embaraço. Ela, indiferente, continuou a planar. Curvou. Tornou a passar por ele. E, ainda embalada no gesto do planador, jogou-se para o outro lado da avenida Cinco de Outubro. Foi atropelada por um Citröen Ctrês. Aflito, ele, destrambelhado, começou a gritar, Paixão!, paixão! Ela, caída, desmaiada, não respondeu ao apelo. O carro, brusco, havia-lhe encontrado uma anca, projectando-a contra o asfalto. Ele, ainda mais destrambelhado, continuou a gritar, Amor!, amor!, amor!, ao mesmo tempo que corria para o corpo dela. Os voyeurs, atraídos pelo acidente, precipitaram-se para o local. Perfilaram o cerco habitual. Ele ajoelhou-se junto dela. Sangue, havia sangue no chão. A dor corria por ali. Corria ainda quente, derramada. É uma regra da vida. A paixão antecede o acidente. O sofrimento sucede-lhe. O Marquês.

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Segundo a edição de hoje do Público, “o governo da China ordenou às redes de televisão controladas pelo Estado que suspendam a emissão em horário nobre de programação acerca de crime e violência durante as férias do Primeiro de Maio que se aproximam, para proporcionarem um «ambiente saudável» às crianças chinesas”. Compreende-se... Pois suspender a puta da realidade dava muito mais trabalho. Segismundo.

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A rapaziada do BE não coloca em causa a presunção de inocência do senhor Valentim Loureiro. Portanto, para essa rapaziada, por ora, o senhor presidente da Câmara Municipal de Gondomar é inocente. Seja como for, por causa das coisas, das suspeitas, etcetera, entende a malta do BE que o senhor Valentim Loureiro deveria suspender o mandato autárquico. Em política, da-se, a coerência é uma propriedade muito estranha. Nicky Florentino.

Referência



Com frequência surgem defensores da doutrina segundo a qual as privatizações devem garantir o trânsito da propriedade das empresas de capitais públicos preferencialmente para as mãos de portugueses. Como é óbvio, porque o capital não tem nação, esta tese visa explorar a ilusão da solidariedade que supostamente existe nessa comunidade imaginária chamada Portugal. Pelo que nada é mais repugnante do que os falsos e hipócritas capitalistas, os capital-nacionalistas. Taqueospariu! Querem empresas?, empreendam. Façam-se à vida. Querem empresas nacionais?, deixem-nas sob controlo público. Nicky Florentino.

Referência

2004-04-27


O senhor presidente da Câmara Municipal de Lisboa, agastado, derreado, poderia ter dito, ainda um dia verei a luz ao fundo do túnel. Mas não disse. Segismundo.

Referência



Ordenou o senhor primeiro-ministro, “cada ministério terá que justificar a necessidade da existência de institutos públicos sob a sua responsabilidade ou, pelo menos, a dimensão que estes têm actualmente”. O polvo clientelar sorriu. E consertou, melhor, os tentáculos. Sabe que as coisas são como são. Assim como sabe que as coisas podem ser diferentes. Estoutra hipótese, porém, tem o seu custo. E raramente os governos estão disponíveis para o suportar. Nicky Florentino.

Referência



O senhor presidente da República, ontem, no Cartaxo, apelou a uma revisão do regime das finanças locais, por forma a evitar que os municípios estejam tão dependentes da construção civil. Por mais boa vontade que o senhor dr. Jorge Sampaio tenha emprestado a tal apelo, ele, o apelo, é frustre. Por uma razão simples. O problema, mais do que na estrutura das finanças municipais, reside no juízo dos senhores edis. E a resolução desse juízo não se consegue com alterações legislativas. Apenas com outra cultura e outras atitudes. É mais barato. Mas é mais difícil. É a sina. Nicky Florentino.

Referência

2004-04-26


A seita de administradores – mais do que de gestores ou empresários – que outrora se juntou numa convenção no Beato volta à carga, desta vez com um documento que se chama «Declaração de Alcântara», pela feliz coincidência de ir ser apresentado no Alcântara-Café, e que define um quadro de monitorização de situação pomposamente baptizado de tableau de bord. Vão longe os senhores. Eles até sabem Francês. E, quiça, tocar piano. Nicky Florentino.

Referência



Disse o senhor eng.º Belmiro de Azevedo, em entrevista estampada na edição de hoje do (seu) Público, “um governo não devia poder ter desculpa de não fazer coisas por causa da Constituição”. Pois é. Qual será a melhor solução? Exterminar-se o governo? Ou rasgar-se a Constituição? Nicky Florentino.

Referência



A trupe do CDS/PP revelou-se indignada por o senhor presidente da República ter decidido atribuir a Ordem da Liberdade a uma tal senhora dr.ª Isabel do Carmo, em tempos, idos, membro do PartidoRevolucionáriodoProletariado e adepta da luta armada. Está bem uma, a trupe, para a outra, a senhora dr.ª. E vice-versa. Nicky Florentino.

Referência



Disse o senhor eng.º Belmiro de Azevedo, “nunca levei nenhuma fábrica para fora do país; o que tenho é muitas empresas em todo o mundo”. E isso é bom? ou mau? Segismundo.

Referência



Um senhor deputado socialista da Assembleia Regional da Madeira subiu ao púlpito, falou o respectivo discurso e, simbolicamente, deixou um cravo na tribuna. Subiu, depois, o senhor deputado Coito Pita, do PSD, e lançou ostensivamente o inocente e simbólico cravo para o chão. Depois ainda falou o senhor dr. Miguel Mendonça, presidente do parlamento do arquipélago lá do sítio, que chamou ao senhor Otelo Saraiva de Carvalho “general de aviário” e “indivíduo burro” e que o aconselhou a que se “deixasse dessas coisas da política porque são coisas bastante difíceis para cabeças tão pequenas”. Registe-se que à data em que tais palavras foram proferidas era, como continua a ser, desconhecida a capacidade da caixa craniana do senhor dr. Miguel Mendonça. E por razões profiláticas, por maior que seja a curiosidade, também não é possível abri-la para aferir tal capacidade. Para além disso, uma black box só se abre em caso de desgraça. Nunca antes. Segismundo.

Referência



É de perguntar, quem raio é que, aos dezoito anos de idade, apanhou um cacilheiro para ir assistir in loco às manobras de cerco ao quartel do Carmo? A resposta, pouco revolucionária, envergonha. José Manuel Durão Barroso. Segismundo.

Referência



O Marquês.

Referência

2004-04-25


A propósito das criaturas que, por assobios e apupos, vaiaram hoje o senhor primeiro-ministro e o senhor ministro de Estado e da Defesa, perguntou o David, “será que quem o fez não percebia que apupava as instituições democráticas?”. Sobre as consciências dos assobiadores e apupadores convém não dissertar, pois só eles sabem o que, na circunstância, lhes escorreu ou não no juízo e na vontade. Seja como for, mais relevante do que saber-se se as criaturas percebiam que estavam implicitamente a apupar as instituições democráticas, é tais fulanos poderem apupar as instituições. Apenas por real gana ou folclore cínico. Pode não ser bonito, cortez ou sequer atinado. Mas é possível fazê-lo sem outra consequência que não o julgamento moral dos que assobiaram e apuparam o senhor primeiro-ministro e o senhor ministro de Estado e da Defesa. É isto, pois, também, a liberdade, a hipótese de se assobiar as instituições ou quem as corporiza. Isso e mascar pastilha elástica durante cerimónias ou paradas. Nicky Florentino.

Referência



Li na edição de hoje do Público, numa pequena nota, que foram despedidos dois jornalistas do Primeiro de Janeiro em razão de algumas apostas suas no Diário de um Jornalista e que o patrãozinho entendeu configurarem o mal da deslealdade profissional. Surge, pois, que a liberdade de expressão, supostamente um direito, continua a ser um perigo. Segismundo.

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Hoje não há nevoeiro. Percebem-se os érres. E, para isso, não foi necessário pregar um desgraçado filho de carpinteiro na cruz. Segismundo.

Referência

2004-04-24


Revisão constitucional blitz, disse o Vital. Foi-o de facto. E é de dizer mais, se tivesse cor, a referida revisão da ConstituiçãodaRepúblicaPortuguesa, a última, seria cor de burro quando foge. Não de qualquer outro matiz. Nicky Florentino.

Referência



Em consequência da manhosa revisão constitucional brevemente levada a efeito, considerou o senhor presidente do PND que “Portugal poderá ter sido institucionalmente extinto”. Vem tarde a doutrina do fulano. É que o Tribunal Constitucional já lavrou supino parecer segundo o qual Portugal não é uma instituição. Nicky Florentino.

Referência



Eledois tomou um sabre na mão, examinou o fio do gume, apontou-lhes a lâmina e pronunciou as palavras, tu vais morrer. Elequatro correu, fugiu. Eleum sorriu, nervoso. Eletrês começou a chorar, a chorar convulsivamente. Lavravam-lhe as lágrimas a face quando sentiu a temperatura fina e fria do aço traçar-lhe a carne do abdómen. Sentiu um pequeno ardor, primeiro. Observou o sangue liberto, infrene, depois. Caiu de joelhos, ficou curvado sobre o seu ventre, abraçado a ele, tentando segurar as vísceras dentro de si. Prolongou-se a agonia, estendida muito para além do rasgo, do golpe. Mas o seu maior tormento foi não ter conseguido terminar a oração através da qual julgava resgatar o sossego para a respectiva alma. São os pequenos pecados, as faltas sem gravidade, o que mais dói. Falhou, o sofrido. Mereceu. O Marquês.

Referência

2004-04-23


Na edição de hoje do Público, na página vinte e sete, encontra-se o seguinte título, “Formalizada candidatura de Rato à presidência do FMI”. Antes o tratamento era mais canónico, chamavam-lhes, aos do FMI, filhos da puta. Mas era numa canção. Segismundo.

Referência



Escreveu o senhor Prof. Doutor Vasco Pulido Valente na edição de hoje do Diário de Notícias, “um país pequeno, íntimo e pobre, com um Estado omnipotente e uma burocracia tropical, segrega corrupção”. Chame-se, por isso, a esse país, um nome feio, Portugal. Segismundo.

Referência



O senhor presidente da Câmara Municipal de Pombal recusou uma proposta dos vereadores socialistas no sentido de atribuir uma medalha de honra municipal ao falecido capitão Salgueiro Maia. Argumentou o edil como justificação, “não podemos vulgarizar uma homenagem que diz respeito ao município. Eu também era militar no vinte e cinco de Abril e a revolução foi feita por muita gente. Não faz sentido estar a fazer uma coisa desse género”. Pois... Seja como for, eu, cá, aqui, aposto dobrado contra singelo em como o fulaninho, no futuro, não recusará receber a dita insígnia no seu peito insuflado de orgulho. Nessa altura sequer lhe assomará ao crânio que o município é constituído por muita gente. Isso era revelar trambelho que, pelo que parece, não lhe abunda. Nicky Florentino.

Referência



Não inchou. Não encolheu. Mas o município do Entroncamento tem treze vírgula sete quilómetros quadrados e não, como antes (mal) estimado, dezassete vírgula nove. Descobriu-se o facto por os gentios, insaciáveis, quererem cindir a freguesia do Entrocamento em duas. Às vezes perde-se mais do que se ganha em querer-se (de) mais. Nicky Florentino.

Referência



A propósito dos processos de concertação social em torno do «Contrato Social para a Competitividade e o Emprego», afirmou o senhor presidente da CIP, “eu nunca assisti a uma negociação tão vaga, tão dispersa, tão intermitente. O senhor José Ernesto Cartaxo, dirigente da CGTP, mais cáustico, disse, “os ministros só ouvem, não avançam propostas, não têm iniciativa política, não negoceiam. Aquilo é um «ram-ram» aflitivo e angustiante”. Respondeu o senhor secretário de Estado do Trabalho, com irritação, “como é que o Governo não negoceia se está quinzenalmente reunido? E se eu já reuni bilateralmente várias vezes com os parceiros sociais?”. Dado que há divergências de fundo entre as partes, inclusive quanto ao modo como o processo negocial está a decorrer, isto significa inequívoca e evidentemente que as coisas estão no bom caminho. Convém não esquecer que o dissenso é o princípio e o motivo de qualquer negociação. Nicky Florentino.

Referência

2004-04-22


Desabrido, disse o senhor presidente da Câmara Municipal de Lisboa, “não recebo lições de amor ao ambiente de nenhum comissário que esteja em Bruxelas”. E tanto assim é que, no mesmo dia, a propósito das tropelias que o fulano está a engendrar para o parque florestal de Monsanto, disse o responsável municipal sobre a matéria, devidamente mandatado para o efeito, que o senhor dr. Pedro Santana Lopes, “está a reflectir e dentro de poucos dias dará informação sobre o assunto”. Amor..., reflectir..., poucos dias... algo aqui não soa bem. A política é outra coisa. Nicky Florentino.

Referência



Na capa da edição de hoje do Público surge estampada uma fotografia sobre a qual está inscrita a seguinte legenda, “Valentim Loureiro à saída do tribunal de Gondomar acompanhado por dois agentes da Política Judiciária”. A face dos dois agentes foi distorcida para não poderem ser identificados. Ora, se assim é, o que é que raio interessa saber quem é que acompanhava o tal fulano? Segismundo.

Referência

2004-04-21


Sobre a democracia, disse o senhor eng.º Ângelo Correia, “as pessoas não votam em alguém, mas contra os que lá estão. E isto é dramático”. Pois é, deve ser. Ainda por cima a encenação resulta em teatro popular. O que é mau, sempre mau. A democracia devia ser outra coisa, tragédia ou comédia. Segismundo.

Referência



Nos termos da douta doutrina do Tribunal Constitucional, Portugal não é uma instituição, mas uma etiqueta. Pelo que o que quer que esse rótulo denomine é irrelevante. A pátria é uma mera intuição, uma subliminar existência caucionada pelas impressões. Segismundo.

Referência



Segundo a edição de hoje do Diário de Notícias, a OTAN emitiu um parecer sobre a pretenção nacional de adquirir uns quantos, dois, submarinos. Foi assim lavrado no tal parecer, “Portugal tem pouco dinheiro e o pouco que tem será desperdiçado na compra de submarinos, tendo-nos pedido que justificássemos tal opção. Não o faremos”. Ora, isto não é conversa de um consórcio aliado. É conversa, sim, de invejoso. Daí que se depreenda que o relator deve julgar que só eles, os grandes e ricos, é que podem ter uns escafandros colectivos com periscópio e sonar que os leve ao fundo do mar. Nicky Florentino.

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Em relação à próxima eleição para o Parlamento Europeu, confessou o senhor dr. Miguel Veiga, insígne militante do PSD, “o meu sentido de voto é o mesmo: vou votar no meu partido, mas riscarei o nome do PP”. Muito gostam alguns eleitores de complicar. Pois preservam, assim, eles, a confortável e feliz ilusão de que, nas suas mãos, reside uma parcela da soberania da pátria. Nicky Florentino.

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Disse o senhor dr. Pedro Adão e Silva, o benjamim da comissão política nacional socialista, “a coligação de direita só tem o slogan e um cabeça de lista mudo apresentado em comunicado, não tendo nem lista nem programa”. So what? O PS para as eleições ao Parlamento Europeu não tem um cabeça de lista surdo? E a lista e o programa de candidatura, quantos gentios conhecem tais mistérios? Nicky Florentino.

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Nas palavras do senhor dr. Manuel Queiró, um destacado fulano do CDS/PP, “a renovada presença da direita no Governo faz mais pela democracia do que parece”. Sobretudo por demonstrar a normalidade do facto, revelou ele. Talvez. É uma interpretação. Mas outra, a simétrica, também tem a sua evidência. A democracia faz mais pela renovada presença da direita no Governo do que parece. Por um motivo curial, a democracia não é, como nunca foi, garantia de salubridade política. Nicky Florentino.

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Escreveu o senhor director do Público no editorial da edição de hoje, “durante longos anos teve-se em Portugal a sensação que existiam dois mundos distintos. Num moviam-se os cidadãos normais; o outro era o mundo do futebol. Neste último acumulavam-se as suspeitas, as acusações, as insinuações, as denúncias concretas ou gerais, mas nada parecia acontecer aos principais protagonistas”. Alto! Se é isto que caracteriza o tal mundo do futebol, o que é que raio o distingue do tal mundo onde se moviam os cidadãos tais normais? Quem não padecer de lapso de discernimento sabe a resposta, nada. O que quer dizer que, a pretender manter-se a afirmação de que há vários, os mundos que existem são outros. Aquele onde se movem os tais cidadãos normais – que é também, indistinto, o mundo do futebol – e o dos outros. Nicky Florentino.

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2004-04-20


Sentenciou a Charlotte, "a Inês durou uma semana". Respondeu, depois, a Inês, "para mim, a Charlotte começou hoje". Como é óbvio, o ódio não é isto. Segismundo.

Post-scriptum, n'the day after. Sobre o caso, disse o Filipe, "nada mau".

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Áum abaixo, para a capital, a segurar um alazão de ferro que galgava o asfalto, a velocidades proibidas, a ouvir o noticiário das dezassete horas da TelefoniaSemFios. Perguntou a senhora jornalista, “e recorda-se de quanto era o cheque?”. Respondeu o senhor ex-árbitro, algarvio, Francisco Silva, “não me recordo, não consigo precisar a quantia, pois o cheque estava em branco, estava apenas assinado. Aquilo foi uma cilada, senhora”. Com tamanha leveza de juízo, confirmou-se, hoje, o calibre da inocência da criatura. E ele sequer disfarçou. As vítimas tendem a ser assim. Ou mansas. Ou tontas. Segismundo.

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A sensação é equivalente à do abater do céu sobre a cabeça. Disse o senhor deputado Bernardino Soares, “é impossível combater a lógica do investimento beduíno que continua a prevalecer em muitos casos”. Por isso, o que raio fazer?, se o capital tem a faculdade da transumância e os proletários de todo o mundo jamais foram capazes de se mancomunarem fraternamente. Tornar a ler Das Kapital?, para aprimorar o domínio da doxa marxiana. Ou ler Philosophie des Geldes?, para descobrir que o mundo é mais a tragédia da liberdade do que a farsa da luta de classes. Nicky Florentino.

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A trupe do CDS/PP não comemora um vinte e cinco de Abril. Sequer comemora dois. Comemora, sim, três. Gente que é conservo-burguesa é assim mesmo, habituada à cerimonial fartança não sabe ser frugal nas festas. Tem tudo de ser a granel. Daí que tenha decidido juntar-se de modo orgiástico ao festim das celebrações para, nas palavras do senhor dr. Ribeiro e Castro, “recordar o vinte e cinco de Abril de mil novecentos e setenta e quatro, que permitiu a existência de partidos políticos, incluindo o CDS, o vinte e cinco de Abril de mil novecentos e setenta e cinco, data das primeiras eleições democráticas, e o vinte e cinco de Abril de mil novecentos e setenta e seis, quando foi votada e aprovada a Constituição [da República Portuguesa], com o voto contra do CDS”. É, este, o efeito da multiplicação do vinte e cinco de Abril. Nicky Florentino.

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Segundo o senhor primeiro-ministro, “Portugal só pode estar hoje no mundo se estiver on”. O que obriga à seguinte interrogação, e quando é que, com um toque no interruptor, se pode apagar a luz e, depois, fechar a porta? Nicky Florentino.

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2004-04-19


Em relação ao senhor cabeça de lista da coligação Força Portugal!, disse o senhor presidente do CDS/PP, não se sabe se com uma mantinha sobre as pernas, "ele sempre nos representou bem". É pouco provável que assim tenha sido. Pois com a representação acontece o mesmo que com o engano. Sempre não rima com bem. É uma das fatais leis da política, por assim ser também a vida. Nicky Florentino.

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Em entrevista ao Público e à RádioRenascença, disse o senhor deputado Manuel Maria Carrilho, "a última coisa que eu diria é que sou o último candidato ao que quer que seja". O que, traduzido, quer dizer que a primeira coisa que ele diz é que é o primeiro candidato ao que quer que seja. Para algumas candidaturas, está bem de ver, já vai ou vem tarde. Nicky Florentino.

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O Marquês.

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2004-04-18


Paece uma palemice, poém não é. O mal, a oigem do mal, de todo o mal, enconta-se num slogan da popaganda govenamental, o tal «Abil é evolução». Toda a tamanha desgaça advém daí. O Paulo foi a pimeia vítima da peçonha. Caiu como um todo. O Paulo, depois, po sua vez, contaminou o Pedo. O Pedo, como o Paulo, caiu que nem um passainho. E assim po diante. Veificado que é mal sem cua e pecado sem emissão, decidiu o Goveno, célee, supimi o ée do alfabeto. No Diáio da Epública, seá publicado em beve o espectivo deceto-lei, devidamente pomulgado e assinado pelo senho d. Duão Baoso. E tudo seá melho, muito melho, do que antes. A póxima medida, ainda dento do pacote de celebação da efeméide que é o tigésimo anivesáio do vinte e cinco de Abil de mil novecentos e setenta e quato, seá a supessão de dois algaismos, o dois e o cinco. O motivo é evidente, por azões de seguança. Como são áabes, os ditos algaismos, suspeita-se que sejam domicílio fácil de teoistas. E como mais vale peveni do que emedia, zás!, cota-se o mal pela aíz. Segismundo.

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Entre azémolas e alimárias de azenha, o que preferir? Segismundo.

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Em entrevista estampada na edição de hoje da Pública, Omar Bakri Mohammed, no seu suburbano sossego londrino, disse, “o terror é a linguagem do século XXI”;
e disse, “as leis da democracia e da liberdade são as leis da hipocrisia”;
e disse, “Alá é o único legislador”;
e disse, “o terrorismo é a lei do século XXI”;
e disse ainda, “só é legítimo o terrorismo divino”;
e disse também, “e Maomé disse mais: «Eu sou o profeta que ri quando mata o seu inimigo». Não é portanto apenas uma questão de matar. É rir quando se está a matar”;
e disse, “o próprio Bin Laden e os seus companheiros, está na altura de morrerem”;
e disse ainda, “são um grupo que se juntou para lutar e morrer. Têm de ser coerentes”;
e disse, “há muitos jovens que sonham entrar na Al-Qaeda, mas pior do que isso, há muitos grupos free-lancers dispostos a lançar operações iguais às da Al-Qaeda”;
e disse ainda, “o que é perigoso, porque nem todos têm a preparação teórica adequada”;
e disse, “dois alunos meus também abandonaram um dia as aulas e foram fazer-se explodir na Palestina, sem me avisarem. Fiquei muito zangado”;
e disse, “nós não somos hipócritas. Não dizemos: «desculpem, foi engano». Dizemos: «vocês mereceram». Assumimos que o objectivo é matar o maior número de pessoas, para provocar o terror”;
e disse ainda, “o texto divino é claro quanto à necessidade de provocar «o máximo dano possível». O operacional tem portanto de certificar-se de que mata o maior número de pessoas que pode matar. Se não o fizer, espera-o o fogo do Inferno”.
e disse também, “nós não fazemos a distinção entre civis e não civis, inocentes e não inocentes. Apenas entre muçulmanos e descrentes. E a vida de um descrente não tem qualquer valor”;
e disse também ainda, “os muçulmanos que morrerem num ataque serão aceites imediatamente no paraíso como mártires. Quanto aos outros, o problema é deles”;
e disse, “se acreditam na democracia, de que têm medo? Deixem Omar Bakri beneficiar da democracia!”;
e disse, “meu Deus, por ti, sofro, vou de comboio”.
Isto não é para rir. Parece paródia. Mas não é. É para levar a sério. A criatura não é uma personagem de banda desenhada. Não é uma ficção cinematográfica. O fulano existe, existe de facto, existe mesmo, a besta. E, pelo que parece, tem fé no diz. Miséria maior não existe. Perigo também não. A ironia é outra coisa. Duvidar. Segismundo.

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2004-04-17


Disse o senhor secretário de Estado do Ambiente, “tenho a sensação de que o cidadão que conduz o seu carro se está a tornar cada vez mais egoísta”. A realidade, porém, é ainda pior, pelo que o problema ecológico assenta em mal mais (pro)fundo. É que essa fantasmática criatura que é o cidadão, pelo efeito de fetichismo da mercadoria automóvel, também está a tornar-se cada vez mais exibicionista. E a ter a sensação de que o carro é o pouco, para mais extensão mecânica de si mesmo, que controla na sua miúda e insignificante vida. Daí que separar o cidadão do seu automóvel seja o mesmo que cortar-lhe as pernas, retirar-lhe a sua capacidade de locomoção, a sua sensação de virilidade. Segismundo.

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O mundo é de uma simplicidade desarmante, embora exista a disposição e a propensão a complicá-lo. Segundo a edição de hoje do Expresso, a senhora ministra dos Negócios Estrangeiros “goza de consideração entre os intelectuais de esquerda, graças ao seu perfil conciliador enquanto secretária de Estado da Cultura, mas também por ter sido casa com o poeta Alexandre O’Neill”. A simpatia, afinal, não é mistério. Segismundo.

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De acordo com o senhor dr. António José Seguro, “os portugueses já se habituaram a que no PS é difícil encontrar uma questão consensual”. É um equívoco, claro está, este entendimento do senhor deputado socialista. Pois os gentios, ainda que gente deficientemente ilustrada, não confundem lapso de consenso com balbúrdia e desatino. Nicky Florentino.

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A propósito das próximas eleições para o Parlamento Europeu, segundo o douto juízo do senhor Prof. Doutor Sousa Franco, “dispersar os votos não é uma atitude inteligente”. Mas quem raio é que dispersa os votos?, se cada eleitor tem direito apenas a um, u-m, voto. Nicky Florentino.

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2004-04-16


Ouvi na rádio que o senhor primeiro-ministro teceu algumas considerações menos abonatórias sobre a posição do seu futuro homólogo espanhol em relação à chatice iraquiana. Terá dito o senhor dr. Durão Barroso, “não se compra segurança com posições dúbias”. Pois não. Nem segurança, nem coisa outra. A oposição socialista, mui leal à sua condição e como é seu dever, interpretou as afirmações do primeiro-ministro como uma ofensa a José Luis Zapatero. Enfim, um pai e uma mãe fazem muita falta. Mas o lapso de juízo, esse, é pior do que um cadafalso. Nicky Florentino.

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O senhor José Saramago decidiu pôr-se de bem com quem? Com quem lhe pagou o almoço? Ou com a trupe do PSD? A diferença pode não ser muita, mas existe e não é branca. Mede-se pela distância que vai desde o Palácio de São Bento até à rua de São Caetano à Lapa. Nicky Florentino.

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Os gentios da pátria, entre a incredulidade e a baba da felicidade, olham para as polaroids do senhor José Saramago e do senhor primeiro-ministro, juntos, estampadas nas edições de hoje do Diário de Notícias e do Público. Sabem eles, os gentios, de boa doutrina, que não há almoços grátis. Por isso, a dúvida que os assalta é uma só. Será que sopa servida aos comensais foi uma sopa fria, tipo vichy choisse? Nicky Florentino.

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A senhora dr.ª Teresa Caeiro, dirigente do CDS/PP, decidiu não comparecer a um debate sobre a questão europeia, por, ao contrário das outras pessoas convidadas e presentes, ela não ser cabeça de lista ou sequer candidata pela coligação entre o PSD e o CDS/PP ao Parlamento Europeu. A fulana comportou-se como uma autêntica senhora. Revelou elegância, propriedade que as outras criaturas, sem pejo, demonstraram não ter, ao explorar a sua ausência no debate, ausência por razões mais do que ponderosas e razoáveis. Antes de mais, uma mulher não se mete no lugar de Deus. E, para além disso, ela não é feita de pau de pinho. Segismundo.

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O João Pedro implicou comigo por eu ter embirrado com ele. Ou vice-versa, embirrou comigo por eu ter implicado com ele. Não sei. Não quero saber. Como é óbvio, o João Pedro venceu a peleja. O Lyotard, eita, não explica coisa nenhuma sobre o aludido caso. É por isso que não era para ser levado a sério. Aliás, neste tugúrio é pouco o que merece ser levado a sério. E é assim desde a sua inauguração. Segismundo.

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O Marquês.

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2004-04-15


Segundo a edição de hoje do Público, “em Portugal, a mortalidade por cancro do pulmão das mulheres é ainda bastante baixa. Por enquanto, o cancro do pulmão mata cinco homens por cada mulher no nosso país. São valores que nos distanciam ainda da Europa, onde a taxa de mortalidade desta doença entre o sexo feminino (doze vírgula oito por cem mil) é superior ao dobro da verificada em Portugal, de acordo com o Livro Branco Europeu para as doenças respiratórias”. Pelo tom da peça, esta baixa taxa de mortalidade feminina devido a cancro pulmonar é um sinal do pátrio atraso em relação à Europa. É isso e também um indicador do quanto ainda há por fazer no que concerne à paridade. São poucas ainda, em comparação com os homens, as mulheres que morrem. Ora, se não morrem de cancro do pulmão, será que podem ser mortas à porrada?, apenas para equilibrar as estatísticas. O Marquês.

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The Meatrix é uma estória danadamente simpática. Exibe a crueldade de que nos fazemos. O Marquês.

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O senhor prémio nobel da literatura de mil novecentos e noventa e oito foi convidado pelo senhor primeiro-ministro para ir almoçar hoje ao Palácio de São Bento. O que foram ontem, um e outro, já não querem ser hoje. É um sinal da sua fraqueza. Nicky Florentino.

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Na edição de hoje do Público, "Manuel Braga da Cruz, ex-ministro da Economia e ex-presidente da Comissão de Coordenação da Região Norte, vai ser o mandatário da distrital do Porto da lista do PS ao Parlamento Europeu". Não vai, não. Pois o Manuel não é o Luís. Nicky Florentino.

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Segundo a senhora coordenadora nacional para os assuntos da família, “o Estado não tem de dizer aos pais como educar os seus filhos”. A uns porque já sabem ser pais. Aos outros porque há associações, fundadas em boa doutrina e melhor catecismo, orientadas para a formação parental. Portanto, em rigor, pode até perguntar-se, Estado para quê?, se há pais e associações que ajudam os pais a educar as criancinhas. Nicky Florentino.

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Sustenta a senhora coordenadora nacional para os assuntos da família que, actualmente, o casamento já não é o sossego institucional que (supostamente) foi. Segundo as suas palavras, “as expectativas da satisfação, da sexualidade, do amor, de realização pessoal e profissional e de viver um amor com aquela pessoa são muito altas. Mas este número de divórcios significa que não conseguimos manter essas expectativas. Com grande sofrimento”. A desgraça é de tal monta que, estilhaçados os matrimonais afectos, não se compreende por qual raio é que as criaturas feitas gente e cônjuges optam pelo divórcio em detrimento do suicídio. Pecado por pecado, mais vale o derradeiro, irrepetível. Que, para além disso, tem a vantagem de não afectar a taxa de divórcios, esse perigoso penhor dos esteios da sagrada civilização nossa. Segismundo.

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Cem artigos publicados em revistas internacionais referenciadas pelo InstitutforScienceInformation é a fasquia que qualquer cientista nacional tem que atingir se pretende beneficiar de um subsídio de retorno à pátria. Ora, há aqui dois prováveis equívocos. Primeiro, não é de crer que qualquer cientista pátrio tenha publicado uma tal quantidade de artigos originais. Segundo, mesmo que exista uma tal sumidade, é improvável ou pouco provável que esteja interessado em regressar ao rectângulo. O lugar da ciência, sabe-se, é lá fora, onde se publicam as tais tão estimadas revistas. Segismundo.

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O Ivan reagiu. Depois o Pedro respondeu. O Ivan, outra vez, treplicou. Aguarda-se, agora, a continuação da novela. Pouco importa a quem assiste a razão. Segismundo.

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2004-04-14


Ela, eu acredito no amor. Ele, eu acredito na dor... (na tua dor, acrescentou em silêncio). Venceu ele. O Marquês.

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Escabroso, de agonia e insalubre é o gosto do senhor dr. Santana Lopes, o tal que diz, "adorava que todos os políticos fossem como eu". O Marquês.

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O senhor dr. Luís Delgado escreveu ontem, “os especialistas nacionais na guerra de contra-informação sobre o Iraque alegram-se com a contagem de mortos que diariamente se faz dos soldados americanos”. O senhor dr. Luís Delgado escreveu hoje, “no período da Páscoa morreram seis soldados americanos no Iraque. No mesmo espaço de tempo, Portugal perdeu vinte pessoas nas estradas. Sendo que nenhuma morte é boa, qual das duas é mais inglória e insensata?”. Não, não é para responder. A pergunta do fulano é um mero exercício de franca estupidez. Segismundo.

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Bom presságio. Disse o senhor dr. Santana Lopes, “não vou entrar nesses cenários hipotéticos”. Pois não. Os cenários que não são hipotéticos não são cenários, são décors. Segimundo.

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A lamúria, sempre a lamúria. Disse o senhor dr. Pedro Santana Lopes, inundado de humildade, “nunca ninguém teve um ataque político tão feroz como eu (...). Eu propus estas obras ao eleitorado e o eleitorado elegeu-me sabendo que as ia fazer. É um argumento importante. Perde-se no voto. Tenta-se nos órgãos políticos impedir e atrasar e, se não se consegue, então vai-se para tribunal para tentar impedir aquilo que o voto do povo decidiu. Mesmo que seja feito com legalidade”. Pobre coitado. Coitadinho. O que é que ele julga que é a democracia? Um álacre caminho para a felicidade? Não, a democracia é um instrumento de tortura. Sabem-no os maus, os malvados e os inclassificáveis gentios. Segimundo.

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Disse o senhor dr. Pedro Santana Lopes em relação à próxima eleição para o Parlamento Europeu, “é mau para a abstenção uma campanha excessivamente longa”. Mesmo se, conforme confessou em entrevista à edição de hoje do Diário de Notícias, não saiba a quem favorecerá a abstenção. Ora, é à própria abstenção, claro está. Segimundo.

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Segundo o senhor dr. Pedro Santana Lopes, “o mundo está numa fase em que tudo pode acontecer eleitoralmente”. Ideia tonta, muito tonta, a do senhor dr. Santana Lopes. É que o mundo não tem fases. O que tem fases é a lua. A l-u-a. Para além disso, como é evidente, em democracia, por princípio, tudo pode acontecer eleitoralmente. Se assim não for é porque o jogo, à partida, está viciado. Nicky Florentino.

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O cabeça de lista da coligação Força Portugal deverá obedecer ao seguinte critério, “tem que ser respeitado, gostar de política e estar disposto ao combate político”. Não estranha, pois, que o conluio de gentes do PSD e do CDS/PP tarde em descobrir a criatura certa para o lugar. É provável, aliás, que jamais venha a conseguir encontrar tal criatura. Por um prosaico motivo, ela não existe. Nicky Florentino.

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Segundo o senhor dr. Luís Marques Guedes, o consórcio partidário Força Portugal é “uma coligação que é, acima de tudo, tolerante, aberta e plural”. Tal e qual como os partidos políticos que para ela concorrem, presume-se, não? Ó santificado engano!, como soarias pândego, se não fosses ultraje. Mácula, mesmo. É por isso que o cão carece de banho. Nicky Florentino.

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O senhor director do Público é um valente. Por a sua palavra ser penhora da raison d’État, quer ele que não se transija, que a guerra continue até ao fim. Por um motivo inexorável, quem vai à guerra dá e leva. Como está bem de ver, desprendido como ninguém mais, o senhor José Manuel Fernandes só dá, por meter, dó. Pois acontece que não consegue verter o ré, o mi, o fá, o sol, o lá ou o si. Isso é outra música. Nicky Florentino.

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Por falta de cabimentação orçamental capaz de suportar os encargos relativos à sua colocação na respectiva comarca, foi suspensa a cerimónia de entronização de setenta e oito novos juízes. O que significa que a justiça tem um preço. E Portugal tem um orçamento do Estado. Nenhuma novidade, portanto. Nicky Florentino.

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2004-04-13


O João Pedro, fácil, cismou com o Bruno, por este se inclinar à análise dos afectos e respectivos processos subjacentes ou implícitos. A Ana, mais glória, ali mesmo ao lado, pelo contrário, simpatizou com os excursos do Bruno. Não é um mal. Também não é um bem. É o que é, uma diferença. Lyotard, embora não muito espirituoso, permite explicar o caso. Segismundo.

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Aprendi a não bater em portas. A terapia foi breve. É mais saudável e ecológico, tunga!, bater em Portas. Segismundo.

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A pretexto dos sete séculos corridos sobre o nascimento de Francesco Petrarca, foi exumado o corpo do dito. Fizeram-se sofisticadas análises ao crânio sobrante e concluiu-se que não pertence ao fulano. Há apelos para que seja restituído o crânio exacto de Petrarca, para anexar ao resto do corpo que, esse sim, se presume ser o dele. É muito importante, isto. Segimundo.

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O José ensaiou a dissecação de um texto de Domingos Lopes, estampado na edição de hoje do Público. Nenhuma surpresa. O mundo continua exacto. O José, às vezes, balança-se no excesso. É uma forma de exercício radical. Contra a ironia das coisas, dos factos e das palavras. Quase parece que a certeza lhe faz falta, como se fosse o seu único chão, o chão único da (sua) boa fé. Nicky Florentino.

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Confessou a senhora dr.ª Manuela Teixeira, secretária-geral da FederaçãoNacionaldossindicatosdaEducação, “com Manuela Ferreira Leite, a minha relação foi horrível. Houve até um período que ficou conhecido com a guerra das Manuelas”. Caso para perguntar, e qual delas é que ganhou?, a guerra. Nicky Florentino.

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O senhor dr. Luís Delgado entregou-se a dissertações sobre o que George Walker Bush não sabia. A prova está estampada na edição de hoje do Diário de Notícias. Ora, ou é ignorância ou é juízo estreito, confinado numa banda delgada, o que o plumitivo fulano destila. Nenhuma das hipóteses é indício de coisa boa. Pois ninguém sabe o que não sabe. Nicky Florentino.

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2004-04-12


Escreveu Proust, “é humano procurarmos a dor e logo depois livrarmo-nos dela”. O enigma decifra-se sem dificuldade. Uma vez encontrada a dor, se domiciliada em mim, sinto incómodo o lugar onde ela se aloja. Os outros, não eu, são sempre melhor morada daquilo que faz ferida, magoa ou atormenta. A humanidade condensa-se exacta neste raciocínio. Porquanto é no acto de entregar a dor aos outros que reside a mais refinada e autêntica das solidariedades. O Marquês.

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O capitalismo é uma ordem extraordinária e provavelmente um dos poucos processos capaz de se alimentar das suas próprias misérias, das misérias que segrega. A fome, o combate à fome, a pobreza, a erradicação da pobreza, a guerra, o terrorismo, o resgate da paz, as dívidas, as cobranças, tudo isto é motivo de renda, tudo isto sustenta mercado(s). Há um único problema, porém, nesta maravilha. A autofagia tem limites. Nicky Florentino.

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2004-04-11


Ela, despida, com o corpo composto pela luxúria e pelo extâse, perguntou-lhe e o que é a verdade? Ele não lhe respondeu, preferiu a sentença. Morreu como quem foge, tomado por uma vontade que ele sabia não ser sua. Morreu-lhe. Por isso ela não reza por ele. Limita-se a sussurrar repetidamente, como se fosse uma oração, não sinto a tua falta, não sinto a tua falta, não sinto a tua falta, não sinto a tua falta..., ad nauseum. É o modo pelo qual, ela, consegue perpetuar-lhe o castigo, a dor. O Marquês.

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2004-04-10


Pouco interessa saber quem foi responsável pela morte de Jesus, se a trupe judia de Caifás, se a administração imperial romana sob Pilatos, se a mole gentia de Jesusalém. Uma interpretação macia dos evangelhos permite afirmar que Jesus não foi morto, Jesus ofereceu a sua vida, entregou-se voluntariamente ao martírio, com o propósito de redimir a humanidade, de tirar o pecado do mundo. É pouco provável que, por essa (in)acção, tenha almejado os seus intentos. Conseguiu, porém, que, volvidos milénios, num ritual cíclico, se celebre de modo tão púdico e fingido a pornografia do seu suicídio masoquista. Segismundo.

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Quem será o cabeça de lista às eleições para o Parlamento Europeu da coligação composta pelo PSD e pelo CDS/PP? A pergunta é tonta e revela a ligeireza com que a generalidade dos gentios se relaciona com a política. Não obstante o voto seja creditado a uma lista, conveniemente fechada – isto é, com ordem definida e indisponível ao sufragador –, o que cativa atenção da maior parcela dos eleitores é somente a primeira figura do elenco. Compreende-se que a metonímia seja um operador de economia cognitiva. Mas é também o dispositivo pelo qual, em política, sob a pele de coelho, se introduz fauna de pior carne e juízo do que aquela que é sugerida pelo peluginoso rótulo da embalagem. Nicky Florentino.

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O PS tem dúvidas sobre a legitimidade do slogan, «Força Portugal!», que a coligação do PSD e do CDS/PP pretende utilizar na campanha eleitoral para o Parlamento Europeu. Por assim ser, solicitou um parecer à ComissãoNacionaldeEleições. Não é tragédia. É piada. Seja o slogan, seja a reacção socialista. Nicky Florentino.

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2004-04-09


O filho padeceu o suplício, conforme desejo do seu pai. Pereceu e, morto, já cadáver, a glória da respectiva morte foi transformada em paternal honra. O que significa que o martírio do filho foi função do carácter do pai. A história não é edificante. Mas funda a lição para o que sobra dos tempos, se alguém tem que sofrer que sejam os outros, filhos incluídos. O Marquês.

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Terá dito o senhor dr. Miguel Portas no encerramento de um daqueles rituais típicos do folclore do BE, “não estamos aqui para outra coisa que não seja transformar a sociedade”. É isso que os faz pretenciosos e dispensáveis, criaturas, de facto, desnecessárias. Pois as hodiernas composições sociais transformam-se a si mesmas, independentemente da existência ou não de declarados transformadores da sociedade. Aliás, de transformadores está a dispensa da história repleta. Segismundo.

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Segundo a edição de hoje do Expresso, o melhor líder para o PS é... o do costume. Os outros, os melhores que sobram, são também os do costume. Mau augúrio. Nicky Florentino.

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O senhor dr. Isaltino Morais revelou ser um fulano de ímpar coturno moral. Paz à sua alma política, portanto. Pois há misérias que, por tão públicas e evidentes serem, dispensam a piedosa confirmação do próprio. O pudor, nome elegante da vergonha, é outra coisa. É recato e silêncio. Nicky Florentino.

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Disse o senhor Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva em entrevista ao DiáriodeNotíciasAlternativo, “sempre fui educado para ser professor”. Portanto, o seu destino, escrito em qualquer zodíaco ou par de búzios jogado sobre uma esteira de verga, desde pequenino, era a docência. Pelo que foi por um desvio à traçada sina, obrado pela contigente contingência dos factos, que o fulano foi alcandorado em primeiro-ministro da pátria durante uma década. Paciência. Foi um acaso. Acaso que a ilusão democrática iludiu como produto da vontade popular. É sempre assim. Nicky Florentino.

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2004-04-08


Não gosto que me mintam, disse ela. Mas gosto que digam que me amam, gosto de ouvi-lo, acrescentou. Ele ficou em silêncio, com o olhar quase morto, suspenso na incerteza. Não podia satisfazer-lhe, a ela, os seus gostos, demasiado implicados, excessivamente requintados. Pois dizer-lhe amo-te era mentir-lhe. Preferiu, por isso, o silêncio. Sabia-o melhor tortura. O Marquês.

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As tormentas que o filho do carpinteiro padeceu não foram absolutamente em vão. Amanhã podemos gozar de uma das melhores invenções cristãs, os dias santos. Perante eles, até a república se detém. Não é bonito. Mas é um conforto. Segismundo.

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Na crónica estampada na edição de hoje da Visão, escreveu o senhor Prof. Doutor Boaventura de Sousa Santos, sentencioso como sempre, “Portugal é um país de conformistas exuberantes e de inconformistas silenciosos ou silenciados”. Ora, sendo que não é silencioso ou silenciado e se pretende inconformista, de que país é que é o fulano? De Portugal não é certamente. Portugal não é um país de inconformados exuberantes, que é o que a criatura é. Portanto, em suma, o senhor Prof. Doutor Boaventura de Sousa Santos não é daqui. Não existe. Segismundo.

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Discutem-se os números das nomeações de comissários políticos e criaturas afins sob o consulado da actual maioria governamental. O consenso na matéria jamais será alcançado. A empregomania, o visco clientelar da política da pátria, não permite que a aritmética seja a empreitada simples que é. Uns dizem não foram tantas assim, as nomeações. Outros dizem foram ainda mais. É esta uma das expressões da miséria da república. O não saber contar, pelo estúpido prazer de enlear os gentios no engano. Nicky Florentino.

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2004-04-07


O senhor ministro da Presidência confessou, “a nossa preocupação, nestes dois anos, foi remodelar o país. Agora, devemos remodelar atitudes e olhar com confiança e optimismo para os próximos dois anos”. Mas, já agora, não será preferível chamar um psiquiatra? E um oftalmologista? Eles sabem dessas coisas, remodelar atitudes e olhares. Segismundo.

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Segundo o senhor secretário-geral do PS, “um Governo que paralisou a economia, que desmoralizou a administração pública, que governa sem transparência nem credibilidade, é um Governo que tem de mudar. Mudar de políticas e mudar de equipa”. Substituir o governo, todo, por outro, foi hipótese que não lhe assomou ao juízo. Ainda bem. Talvez que esse seja um dos máximos de consciência possível do senhor dr. Eduardo Ferro Rodrigues. Nicky Florentino.

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Disse, ontem, o senhor primeiro-ministro, “é absolutamente sincera a convicção social do Governo”. Até pode ser que seja. Mas que garantia é que ele oferece de que assim é?, de facto. Se a garantia é a respectiva palavra, não marcha muitos pés para diante. Entre os gentios, quase todos como Tomé, não abundam os assim tão crédulos. Nicky Florentino.

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O expediente da remodelação governamental é uma mera operação cosmética, tipo lifting. Retoca a fronha, disfarça as rugas, mas preserva a carcaça. A política não muda assim. Assim o que muda são as faces. Nicky Florentino.

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2004-04-06


A semana passada vi uma curta de animação, Yaourts mystiques, cujo protagonista era um iogurte assassino. Desde aí fiquei vacinado. Por isso, agora, já pouco me comovo com publicidade. Menos ainda com propaganda. Não gosto de me enganar. Não gosto que me enganem. Viro rapidamente a página. Para ler as notícias. Uma forma menos evidente de engano. Segismundo.

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Foi reconstituído o espólio de apostas deste tugúrio, desde o dia 28 de Março. Houve por aqui problemas hi-tech. Resgatou-se o que foi possível resgatar da má memória deste lugar. Nada, portanto, que justifique revolver o bau. Até porque o passado é para ser deixado para trás. Segismundo.

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2004-04-05


Segundo o senhor dr. Manuel Monteiro, “a Nova Democracia está mais próxima de participar no próximo governo do que o sistema gostaria”. Dois problemas. Por um lado, o sistema não tem gosto. O sistema não gosta ou deixa de gostar. Por outro lado, não se devem fazer afirmações públicas sob o pernicioso efeito da febre. Se a embriaguez tem um efeito multiplicador, a febre tem um efeito exponenciador. E nem num caso nem no outro o juízo é faculdade que esteja próxima. Nicky Florentino.

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Segundo o senhor dr. Lino de Carvalho, “o livro de José Saramago constitui uma positiva pedrada no charco”. Uma positiva pedrada no charco... Há aqui um qualquer equívoco. Uma pedrada não é coisa boa. Assim como um charco não é coisa bonita ou salubre. Por isso, uma pedrada no charco jamais é positiva. É, isso sim, uma chafurdice. Segismundo.

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2004-04-04


És um esporra da moita, disse um fulano a outro. Este retribuiu com um sorriso. Apertaram as mãos. A mansidão dos gentios é pornográfica. O Marquês.

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Hoje é dia de sorna. Não havendo nada a dizer, o silêncio é a melhor forma de não inventar. Segismundo.

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2004-04-03


Lamuriou-se o senhor dr. Fernando Ruas, na sequência da intervenção do senhor primeiro-ministro na abertura do congresso da AssociaçãoNacionaldosMunicípiosPortugueses, “as promessas feitas aqui ficaram muito aquém do que os autarcas esperavam ouvir”. É certo que os autarcas, algozes que são, esperam sempre que lhes prometam muito e mais. Porém, sendo o prometedor o senhor dr. Durão Barroso, aconselha o siso que não se seja demasiado crédulo. O fulano tem por hábito não se dar a grandes esforços no sentido de cumprir o que promete. Não é de hoje. Nicky Florentino.

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2004-04-02


Durante um discurso seu, George Walker Bush supliciou requintada e publicamente um puto. Não foi bonito. Um homem não deve atormentar, com palavras, actos ou omissões, quem não é do seu tamanho. Segismundo.

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Paira na planície virtual o Democracia Liberal, o pasquim do PND. Liberal como se reclama, o referido jornal tem ao dispor dos eventuais leitores uma sondagem sobre a qualidade do Democracia Liberal. São toleradas as seguintes respostas: muito bom, bom ou mau. Não está disponível a hipótese muito mau. Era, por certo, liber(ali)dade a mais. Segismundo.

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O Pedro reporta um ensaio de estupidez. Parece uma self-fulfilling prophecy. A estupidez está onde habitualmente é anunciado o seu domicílio. Ou está próxima. Muito próxima. Segismundo.

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Perguntou o entrevistador ao senhor dr. Jaime Gama, “já foi ministro dos Negócios Estrangeiros, presidiu à OSCE. O que é que imagina fazer no futuro?”. Respondeu ele, “não devemos perder muito tempo a pensar no futuro”. Presume-se, portanto, que onde se deve investir o tempo não é na empreitada do pensar. Pois não há pensamento que, pela lógica da ecologia do(s) tempo(s), não se incline para o futuro. Segismundo.

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Noticia a edição de hoje do Diário de Notícias que o senhor dr. Francisco Assis pretende renunciar ao seu mandato como deputado da Assembleia Municipal de Marco de Canavezes. Ora, uma pergunta, o que é que isso interessa?, até porque o fulano nunca por lá pôs muito os pés. Nicky Florentino.

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Confessou o senhor dr. Jaime Gama, “depois de ter deixado de ser ministro dos Negócios Estrangeiros, encontrei o secretário-geral da ONU, Kofi Anan, conversámos, e no fim disse-lhe que tinha uma novidade: «não te venho pedir nenhum lugar nas Nações Unidades. Comigo podes estar absolutamente descansado». Não me sentiria realizado como funcionário internacional, pequeno, grande ou médio”. Ainda bem que os há assim, modestos. Pois que sem eles, os modestos assim, (a matilha d)o mundo seria muito pior. Nicky Florentino.

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O senhor dr. Manuel Alegre é uma autoridade perante a qual a complexidade do mundo se dispõe à sua vontade e à sua ilustração. Disse ele, “os factos deram-me razão. A lógica neoliberal está a subverter os fundamentos humanistas da nossa civilização e a minar o Estado-Providência”. Daí que o pundonor o tenha obrigado a afirmar, “não se pode governar sem as pessoas ou contra elas. Como afirmei há oito anos no Coliseu, as reformas do século ou serão socialistas ou não serão”. É ele a vanguarda, toda. E o oráculo pelo qual a dinâmica histórica se revela em antecipação. Não é de admirar, pois, que, com uma vassoura entre as pernas, ele consiga cavalgar pelos sidérios. Encontrando o mundo antes de todos os outros. Nicky Florentino.

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2004-04-01


A Charlotte disse que ia abalar. Mentiu pandegamente. O Ivan, entretanto, crédulo, acreditou. E teorizou sobre a nostalgia. O pretexto era falso. Pelo que a teoria, provou-se, não tem de escorar-se em factos. É esta uma das felicidades que a teoria permite, o engano. Segismundo.

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Se alguém adoecer, é conveniente que a maleita seja prolongada, não dure apenas um mês ou três. Que dure mais. Pois, se doente, maior é o subsídio do Estado. Segismundo.

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A prosa, dita ou escrita, do senhor dr. Pedro Santana Lopes o mais das vezes é balofa, prenhe de nada. A edição de hoje do Diário de Notícias estampa um artigo da criatura que ilustra tal sentença. O vácuo contido nas suas palavras tem tal potência que parece capaz de engolir o mundo. Inteiro. E por isso, só por isso, é que se deve olhar em torno. Para adquirir que o mundo, de facto, ainda está onde estava. Segismundo.

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Nicky Florentino.

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2003/2017 - danados (personagens compostas e sofridas por © Sérgio Faria).