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Albergue dos danados

Blog de maus e mal-dizer 

2009-06-26


Warlock psychologist. Uma vez, antes de ele ter evoluído para zombie, perguntei ao meu amor como é que se mata um blog? e ele respondeu-me assim. E depois?, quis eu desvendar o mistério. Depois que se foda, disse ele. A viúva.

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melancolia zündapp

# xxx
. o coração é uma ferramenta de impacto. Edgar da Virgínia.

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seis, não sei, seis, plural, seis de seis, não seis do seis, seis de seis, nem menos nem mais, seis, exactamente seis, seis como em didier six ou em the birmingham six, seis, um bocadinho antes de chegar ao número da besta, um número com seis, só seis, três seis, seis seis seis, mas o que importa agora é o seis, seis sozinho como no bingo, seis apenas, seis, seis de cinco mais um ou sete menos um, seis de quatro mais dois ou oito menos dois, seis de três mais três ou nove menos três, seis, seis de exa, seis de bitri, seis de dois vezes três ou três vezes dois, seis de nove a cento e oitenta graus, seis do princípio de sessenta e nove, seis, seis de há muito tempo que sais, foda-se, enfim.

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2009-06-25


Página do livro dos googlemas. Pois é, pois é, albergue+dedo de deus é mesmo aqui. A viúva.

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Biopsia, iv. Enquanto morador no céu, deus é um equívoco celeste. Baú (do Segismundo).

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conferência apache, xxii. a Deolinda é tronga, só sabe nadar em valvulina sae oitenta. leo david t.

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2009-06-24


Senhora verdade. A senhora dr.ª Manuela Ferreira Leite, que tem um currículo extraordinário no desempenho de funções no âmbito do pelouro da fazenda nacional, chamou abalozinho à crise económica que por aí grassa. Nicky Florentino.

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Noites de totem, iii. Jack Bauer já assentou umas arrochadas valentes, em regime de carapuçada de socos, em Tony Almeida. Mas os maus estão a utilizar a filha dele para o fazer libertar Tony Almeida. O destino está difícil. Entretanto o prião continua a padecer no organismo de Jack Bauer. E o meu zombie querido está agitado, deveras. São seis da manhã na realidade Bauer, que é uma realidade cronometrada. O mundo está quase a acabar a todas as horas. Sofremos sem saber. A viuva.

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Táctica de obstrução. Às vezes elas e eles estorvam. O estorvo é um incómodo. Quando a paciência falha, então, o incómodo tende a ser quase um assunto de vida ou morte. Ninguém tem preparação natural para ser estancado sem aviso. Há regras sociais para prevenir ou evitar confrontos. Mas a vingança dá gozo demasiado para ser descartada apenas por civilização ou humanidade. Devíamos todas e todos ser crianças, ter a crueldade infantil, em prol da fluência social. Mais do que antes, talvez faça sentido pensarmos fundar a «comunidade dos absolutamente sem-eu» (*). A viúva.
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(*) vide Robert Musil, O Homem sem Qualidades, Lisboa, Publicações dom Quixote, 2008 (1930), vol. I, p. 717.

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Biopsia, iii. Deus é uma ideia de resto congestionada. Baú (do Segismundo).

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Ludovico, o prometido dos outeiros. um rapaz às direitas, um homem sério, é o que dizem dele. ele é assim. e não é assim de alvor recente. saiba-se que ele trepou a ladeira da vida por si, sem amparo ou obséquios de parentes. e que reconhece-se-lhe honra e virtude na trajectória e no presente. é um filho da terra, agora crescido. que fosse chegado aos que mandam e que com o tempo e as marcas do destino feito pelo nascimento se tenha feito um desses que mandam revela pouco dele. alguém teria que cumprir tal missão, de mandante, pelo que, sendo honrado e virtuoso, antes ele chamado para o ofício da autoridade do que outra ou outro menos recomendável. que hão em abundância. poderia ser alguém conivente com desatinos e desmandos do chefe ou complacente com isso. poderia ser alguém habituado aos jogos de influência, às manivérsias administrativas - que é o poder dos sentados -, com a tentação de tirar benefícios num plano das vantagens que tivesse em outro - que é o poder dos arrivistas. poderia ser alguém que em circunstâncias determinadas encarnasse interesses contraditórios e não se incomodasse com o facto. poderia ser alguém que representasse os interesses de uma parte pública em caso em que houvesse interesses de parte particular que ele representasse também – e não tão mal. poderia ser alguém que, por conta da sua responsabilidade directiva numa agremiação de recreio, recebesse patrocínios de oficinas e lojas que, ao mesmo tempo, fornecessem ou prestassem serviços ao couto de cuja comissão ele fizesse parte ou de gente abastada e de negócios dependente e expectante da emissão de alvará ou licença por esse mesmo couto. poderia ser alguém que tratássemos por tu e que pudéssemos envergonhar, mostrando-lhe que, por haver informação sobeja sobre ele em arquivo, sabemos que não é e não pode ser diferente dos outros, com quem se misturou, em honra e virtude venais. ele, o morgadinho prometido, que deixou de ser guarda-redes e já foi guarda-livros. O Marquês.

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2009-06-23


Escalas. Jamais ser complacente. O tamanho interessa. Por isso deve afirmar-se: o meu ipod é mais pequeno do que o teu mas tem muito mais capacidade. É uma questão de arrumação e de versão. De estatuto, em instância derradeira. A viúva.

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Biopsia, ii. Enquanto centro ubíquo, deus é um equívoco geométrico. Baú (do Segismundo).

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2009-06-22


Biopsia, i. Deus é uma proposição para calafetar a sensação de incapacidade. Baú (do Segismundo).

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2009-06-19


West end girls. Como o homem ou o humano, a mulher é uma ficção, não existe. Existem mulheres, plural irresolúvel. Neste sentido, porquanto não se reduzem ao sexo, as mulheres destacam-se por motivos diversos. Umas quantas têm cona brava, outras quantas têm cona mansa, outras ainda não se nota ou não se percebe bem o que têm. Porém algo têm, o que significa que não são indistintas. Somos assim. Muitas. Num número grande de circunstâncias somos o que podemos ser, uma espécie de destinadas. Com menores ou maiores oportunidade e frequência, somos também o que conseguimos e desejamos ser, embora nunca incondicionais. A menstruação é um acidente nosso, não permanente. O atraso e a menopausa são para condições diferentes, nossas também. Em suma não somos únicas, não somos repetidas. Seja como for, as alças e as sandálias ficam-nos geralmente melhores do que a eles. Os ombros e os pés das mulheres são a causa do sol. Os olhos são um pretexto apenas. O Cristiano Ronaldo pode valer quase uma centena de milhões de euros. No entanto é um rapaz que espreita para dentro dos calções. Conheço o género. Prefiro artilheiros. A viúva.

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máquinas subtis

# iii
. a característica fundamental das máquinas subtis é o facto de corresponderem a uma necessidade gerada pela sua operação, no sentido em que a função que cumprem é suscitada pelo seu funcionamento e não o inverso. na prática as máquinas subtis existem para justificar a sua existência, pelo que não pode afirmar-se que são dispositivos inúteis. ao facultarem utilidade a si, as máquinas subtis são úteis, não se tornam úteis. elas têm ainda a característica de funcionar sem parar, sequer para manutenção. às vezes, quando o corredor onde estão instaladas fica congestionado, há quem se precipite ou seja empurrado sobre as máquinas subtis, acabando por ser processado por delas. as máquinas não têm temperamento, mas, por ter testemunhado tais acidentes ou crimes, há quem arrisque afirmar que as máquinas subtis lhe pareceram funcionar com mais alegria na circunstância, como se fossem uma criança a quem se dá inesperadamente uma gratificação. as folhas de serra e os braços em movimento contínuo que lhes animam o avanço e o recúo pareciam ter prazer ao executar o processo de corte, produzindo um ruído quase inaudível, de reconhecimento. Edgar da Virgínia.

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2009-06-18


Kritische Theorie. Estava dividida entre o octagésimo aniversário de Jürgen Habermas e um chá frio. Hesitei por instantes, porque nomes com trema impressionam-me. Até que decidi experimentar um black russian caseiro. Três partes, duas partes, mas faltavam-me ingredientes. O meu coração é uma puta. Há muito tempo que não vou à esplanada para não ter a desilusão da certeza disso. A viúva.

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conferência apache, xxi. a Deolinda não é quem, é o quê: uma bicha solitária atrevida. leo david t.

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2009-06-17


Noites de totem, ii. O meu zombie querido anda cansado de ver o efeito de um prião qualquer com que Jack Bauer foi infectado por causa de uns maus. Porque sabe que Jack Bauer finge que sofre. Hoje bateram as cinco da manhã e o Tony Almeida ainda estava vivo. Mas está cada vez menos. A viúva.

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ainda o Hipólito do centro de sondagens. não é uma questão de vida ou morte, é uma questão de honra. como o dinheiro e a força, mais do que um factor de distinção, o estatuto é um factor de anestesia social. a honorabilidade e o reconhecimento livram as pessoas de si, isentam-nas da miséria e até sensação da miséria própria. margens de erro e intervalos de confiança são parâmetros estatísticos. aconselho-te a esquecê-los por alguns instantes. cinge-te à evidência. não tires ilações, não faças extrapolações. entende-me como juiz do mérito profissional teu. neste momento não posso ser mais sincero contigo, recomendo-te estupidez e descontracção natural. a política é a vida de muita gente, as projecções com base em sondagens também. escolhe um dedo. escolhendo um dedo, ele há-de escolher uma mão, um braço, uma sequência determinada. eu não jogo com probabilidades, proponho consequências. por isso escolhe com cuidado. ele transpirava diante do outro. havia percebido que sobre a bancada estava disposta uma panóplia de ferramentas, algumas das quais ele desconhecia o serviço que permitiam. escolhe um dedo, o outro insistiu a ordem. esse?, escolha boa. na circunstância qualquer dedo teria sido escolha boa. o compasso cardíaco dele acelerou. agora escolhe outra vez, o alicate? ou o martelo? o outro pegou o martelo, passou-o diante dele e bateu-o na bancada. o alicate? pela escolha que fizeste, deduzo que não sejas comunista. a sala era lúgubre, própria para a cena. uma telefonia de válvulas soltava a emissão regular de uma estação de rádio em frequência modulada. (i can’t get no) satisfaction, a canção que se ouvia, parecia ressoar-lhe nos tímpanos. um foco de luz branca incidia-lhe nos olhos. os braços dele estavam suspensos e esticados por tensores. um cabo de aço rasgava-lhe a carne dos pulsos. ele sentia ardor, apesar da dormência dos membros. ofuscado, não conseguia ver as suas extremidades. sentia apenas a força que o puxava. o outro pousou o martelo, agarrou o alicate e, atrás da luz, um dó li tá, começou a toada, batendo as maxilas da ferramenta, indiferente à escolha do dedo que ele tinha feito. O Marquês.

Referência

2003/2009 - Os danados (personagens compostas por © Sérgio Faria).