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Albergue dos danados

Blog de maus e mal-dizer 

2008-01-31


Dizer a palavra «merda», em citação de senhor ministro a propósito de senhor ministro, em horário nobre. O senhor dr. António Marinho Pinto não é o senhor bastonário da ordem dos advogados. E isso nota-se. Nota-se muito. O que não significa que haja motivo para melindre. Nicky Florentino.

Referência



Entre as brumas da memória. Levanta-se o palanque e o folclore por conta da passagem do centenário sobre o regicídio. Hão-de levantar-se ainda com mais estrépito por ocasião do centenário sobre a proclamação da república. Ai o rei, ai a república. Ai o paralelepípedo, a asae, a brigada de trânsito da gnr e a viatura do inem. Festim é festim. E já não é a senhora que levava rosas no regaço onde levava o pão que nos vale. Nicky Florentino.

Referência



A fantasia das massas. Na prática, democracia combina tanto com populismo quanto com cabotinismo. Em termos políticos, o regime de delírio é semelhante. Nicky Florentino.

Referência



Puxar o lustro às pratas. Excepto em ideia, democracia combina bem com populismo. Antes havia o sobressalto em relação ao efeito carismático. O mesmo que agora há em relação ao efeito do marketing. Outrora eram os senhores providenciais, eleitos pelo areópago dos deuses e confirmados no tempo das coisas, o tempo dos perecíveis, a quem os gentios se submetiam. Agora são os senhores em figura action man - engenheiros ou raça consonante -, sem o beneplácio dos pastos siderais, mas artistas nas manobras da propaganda e das demoscopias, a quem os gentios se concedem. Antes o adro, actualmente a televisão, a mesma ilusão, a comunidade rendida. A política, enquanto política, foi sempre o que foi jogado nas margens destas condições. Em democracia, no que é, não é, por não poder ser, diferente. Nicky Florentino.

Referência



Ditado melancólico, iii. Também já tive a minha fase Jack Daniel’s. Depois continuou. Segismundo.

Referência



Janneke Tarzan. Dizia-se que, como antes os telexes, as máquinas de fax estavam a tomar conta do mundo. Quem tal dizia não estava a prestar atenção às antenas que começam nos dedos. Agora grita-se de outro modo. Com uma mão quase encostada ao ouvido. Segismundo.

Referência



Aguarela de Grosz. Quem é o responsável? A miasma gerava uma espécie de sufoco. Quem é o responsável?, repetiu a interrogação, desta vez como grito. Não soou qualquer voz. Deus, onde estás?, por que não respondes? Segurava uma lanterna. A chama apagou-se. Deixaste de ser o responsável?, é isso?, ou nunca foste mais do que imaginação? Continuou a andar entre os cadáveres, pisando-os para avançar. Ouvia-se um som semelhante ao de frutos maduros a serem esmagados. Era como se caminhasse sobre chão alagado. É isto o resultado do apocalipse?, é assim que o mundo vai acabar? Os pés afundavam-se e produziam um som viscoso ao amassar a carne dos mortos. Parou, cansado. Em rigor, não necessito de respostas, necessito de coordenadas que me orientem para a saída deste campo vasto de carne, murmurou para si. Flectiu ligeiramente os joelhos, colocou sobre eles as mãos, baixou a cabeça, encontrando o queixo com o peito, e fez exercícios de controlo da respiração. Tomado pela fadiga, naquele instante decidiu esperar pela aurora. Com luz, presumiu, saberia em que sentido avançar. Uma vez mais, após encher o peito, expirou com força. A matilha, que o estava a vigiar, esperou também. O Marquês.

Referência

2008-01-30


Marcador das vésperas. O Filipe ontem. Segismundo.

Referência



Socorros a náufragos. Por algum motivo elevado, a expressão «off shore» não rima com a expressão «moldura penal aplicável». Segismundo.

Referência



Se a madame Bovary é milf. Um gajo lê Rawls, o primeiro - o d’A Theory of Justice -, o segundo - o de Political Liberalism -, o terceiro - o d’The Law of Peoples - e aquele que é possível entre Picoas e Entrecampos - um rol de esparsos -, e fica a matutar no conceito de decência. Ó meu deus. E deus não acode. Nada diz. Nem um pio sequer. Porquê? Segismundo.

Referência



Mendelssohn é mau prenúncio. Faltou-lhe a clarividência. O discernimento desertou de si. Disse sim à dor do sacramento. O Marquês.

Referência

2008-01-29


Monster hospital. Mudou quem estava em senhor ministro dos zombies. Agora padecer-se-á, morrer-se-á e parir-se-á dentro de uma ambulância por outro motivo. Nicky Florentino.

Referência



Os nenúfares não deixam ver o pântano. Atendendo às declarações do senhor bastonário da ordem dos advogados sobre a corrupção em Portugal, sem penhor de notar que, em determinado passo - “alguns até ostensivamente ocupam cargos relevantes do estado” -, configuram uma acusação que não é tão genérica quanto isso, o que há a relevar não é a afirmada existência de corrupção entre o escol político e burocrático pátrio. O que há a relevar, sim, é a denúncia de impunidade dos corruptores e dos corruptos. E quanto a isto, quando, ai que não pode ser, clama por dedo apontado e lista de nomes, o que o coro dos incomodados faz é lavrar a ilusão cândida de que tout va pour le mieux dans le meilleur des mondes. O caso é mental. E não é com epígonos canhestros de Mandrake que a realidade muda. Nicky Florentino.

Referência



Ditado melancólico, ii. Maçã argentina e vodka, começou assim. Acabou com saltos altos. Segismundo.

Referência



Página do livro das interrogações, xx. Porquê compreender?, se, no modo como se derrama, a vida está para além de qualquer limiar de compreensão. Segismundo.

Referência



Salvé ó morto, oração bravia e gozada em três partes, tantas quantas consegue a cabra cabrez quando salta em cima e parte o que fica partido em três
Um.
Dois.
Três.

Referência

2008-01-28


Subsídios para uma teoria das relações internacionais post Westfalen. Mais do que hemisférios, deveriam discutir-se lóbulos. Nicky Florentino.

Referência



Vaudeville dez e meio. A humanidade serve-se da animalidade para ser o que é. Segismundo.

Referência



Página do livro das latitudes, xv. Do recolhimento vai-se à guarda. Vai-se à volta também. Segismundo.

Referência



O mordomo dos suplícios, ii. Naquele instante, em acto, o que o preocupava não era o eventual excesso de crueldade que pudesse estar a usar. O que o preocupava era uma questão de competência, a velocidade dos seus gestos, a cadência com que infligia o plano do suplício. Pois sabia que, se fosse demasiado rápido, o ciclo de cada tormento seria interrompido, fundir-se-ia o padecimento anterior com o seguinte, produzindo uma espécie de dor contínua e única, o que amenizaria o sofrimento do castigado. Na prática não lhe interessava o tamanho da culpa do condenado. Atendia sobretudo ao modo demorado, porque mais doloroso e, portanto, competente, de administrar o castigo. O Marquês.

Referência

2008-01-27


Helton de perna aberta. Uma coisa é alguém ter um penteado à la mister Paulo Bento, como o mister Paulo Bento. Outra coisa é a cabeça de alguém ser tipo fiorde. Da Norge. Como o bacalhau. Intendente G. Vico da Costa.

Referência



Jungkebox. Questão de vida ou morte não cotada em dollars americanos. Lorelei? ou My cousin in Milwaukee? Não há resposta tão certa quão a morte. Segismundo.

Referência



Painel dos nocturnos, iii. As manhãs são um animal cruel. Segismundo.

Referência

2008-01-26


Festival. Cada vez que escuta apupos, assobios ou testemunha qualquer manifestação, o senhor eng.º José Pinto de Sousa alude à «festa da democracia». De que, presume-se, ele é o animador mor. Porque a festa persegue-o. Nicky Florentino.

Referência



O óbvio quando não é óbvio. O senhor procurador da república foi lesto. Upi, upi, lá lá lá, inaugure-se um inquérito às declarações de tom entre o atordoador e o destrambelhado proferidas pelos senhor bastonário da ordem dos advogados. Mas imagine-se, ou suponha-se, que o que a criatura tinha dito é que no estado é quase só gente séria, quase todas e quase todos gente seríssima - os superlativos nunca são demais -, não há corrupção, nunca houve. O que há é inveja e ingratidão. Ou equívocos. O senhor procurador da república seria tão lesto a ordenar um inquérito? E os incomodados?, fariam coro? Nicky Florentino.

Referência



Deus é grande, mas o sg gigante é maior. É compreensível o desconforto que a legislação aplicável desde o princípio do mês e do ano suscita nos fumadores. Parece que os fumadores vão amiúde a restaurantes, lugar que, ao que consta, é o cerne do problema. Menos compreensível parecia a reacção eriçada de alguns - suspeita-se que fumadores -, que bramiram tipo Maria da Fonte e exorbitaram na denúncia do afã higienista dos senhores e respectivos oblatos burocráticos - entre quais se destaca o senhor director geral da saúde - em ofício de mando político. Parecia. Hoje, no noticiário da tsf das oito desoras da manhã, foi anunciado o cabaz de bens demandados pelos palestinianos sob embargo entre os muros de uma faixa. Três tipos de coisas buscam em ânsia os palestianos em chão egípcio, víveres, combustível e esse ingrediente fundamental em qualquer dieta e cesto de sobrevivência chamado tabaco. Ora, se os palestinianos rebentam muros para ir aos lugares do faraó também buscar cigarros, compreende-se que por cá, na pátria ditosa, seja o escarcéu civilizado que é, pelo direito de fumar à mesa. Segismundo.

Referência



Olhar os dentes do cavalo ao lado. Como qualquer manhã que não redunda em deita, a manhã estava a ser má. Mas melhorou subitamente quando, após entrar no sentido descendente da áum, ao ultrapassar um veículo da brigada de trânsito da gnr, ele constatou a inscrição da insígnia da Brisa - Auto-Estradas de Portugal, SA na aba inferior da porta traseira da montada mecanizada dos senhores da autoridade. Um carro da gnr com uma inscrição alusiva a uma sa. Foda-se, o mundo é tão bonito. Segismundo.

Referência



Página do livro das sentenças, xlvii. Por amor fazem-se coisas tão improváveis quão desconfortáveis. Não há violência maior do que o amor. Segismundo.

Referência



ZX Spectrum. Dele, uma das memórias mais certas da infância é a competência precoce no uso de vocabulário interdito e contrário à decência. Para que conste, ele profere «o caralho» com propriedade desde tenra idade, para opróbrio materno sobretudo. Tal facto valeu-lhe uma reputação ingrata e discriminações sobejas, ditadas por uns quantos dos progenitores alheios, zelosos da formação e das companhias da respectiva prole. Nele, isto teve como consequência o desenvolvimento de uma dupla personalidade, facto que, a par da caderneta escolar, garantiu algum alívio das discriminações. Menino com rendimento de topo da escala não diz «o caralho». Bem, dizer dizia, mas os pais e as mães dos outros não sabiam e o que sabiam era o que contava. Para além disto, os que moviam uma vigilância mais lassa ao decoro tendiam a admitir que, mesmo que ele dissesse «o caralho», dizer «o caralho» não tinha consequências nefastas no rendimento escolar, que era o que importava. Ele era a prova. Tempos depois, já de liceu, tinha ele quase um contrato de avença com Wittgenstein, para explicar que quando dizia «o caralho» não o dizia necessariamente em sentido denotativo - o que muitas vezes o levava a ter que explicar também o que é que queria dizer denotativo e conotativo e que conotativo não tinha a ver com vagina dita em palavra ordinária -, que «o caralho» era uma expressão coloquial apenas, alguns dos outros, poucos, primeiro, e bastantes, depois, começaram a fumar, sem consentimento paternal e às escondidas das demais autoridades e tutelas. Com frequência, quando algum papá ou alguma mamã descobria tragédia tamanha, a par da admoestação e do sermão das boas companhias e das virtudes, lá vinha a humilhação da comparação com ele. O rapaz até poderia dizer asneiras, porém não as cometia. Bem, é verdade que ele não fumava, mas não é verdade que não cometesse asneiras. Cometia, não poucas, mas eram sem consequências visíveis ou remotamente visíveis, as asneiras que por quaisquer indícios, porque por alguma prova era difícil, podiam ser-lhe imputadas. Por isso, para despistar os acusadores, ele socorria-se quase sempre da mesma defesa, «fui eu o caralho é que fui». E a acusação, sem capacidade para avançar na demonstração inequívoca da culpa dele – até porque desde cedo ele renunciou à bem-aventurança da confissão sugerida pelo catecismo católico –, transformava-se em mera repreensão ao seu modo de defesa. Que, não obstante «o caralho», funcionava. Enquanto isto, já muitos dos outros fumavam e outros começavam a fumar. E ele o que queria era jogar chuckie egg ou pyjamarama. «Com o caralho», contraído na pronúncia como «cum caralho», era o que dizia quando as coisas se complicavam ou o cinzeiro se entornava sobre o teclado chiclete. Segismundo.

Referência

2008-01-25


Venha a nós o nosso reino. Portugal é uma ilusão ou, no conceito de Benedict Anderson, uma comunidade imaginada. E é justamente tal ilusão, plasmada numa imagética e numa simbólica que a inércia faz duradoura e institucional, que lhe confere unidade. Por outras palavras, Portugal não é uma entidade fundada num contrato de solidariedade. Os vazios que se vão abrindo no território pátrio, antes por abalada ou encerramento de quase tudo, depois por liquidação demográfica, são a prova de tal facto. Em termos de estado, esses vazios são twiligh zones autênticas. Mas para que não pareça, porque isso desampara a ilusão da nação valente e imortal, o que é uma chatice do caraças, finge-se existir uma rede a cobrir o chão pátrio. É por isso que há quem julgue que as distâncias, quaiquer que sejam, se colmatam com telefonemas. Mau juízo. Porque as distâncias são também distâncias comunicativas. Do que resulta a fatalidade de, por défice de compreensão, haver incompreendidos em Portugal. Mas a paisagem é bonita, dizem. E os telefones alcançam e funcionam muito bem, lá, longe. Nicky Florentino.

Referência



O regímen. A figura triste feita pelo senhor dr. Luís Filipe Menezes tem como correspondência o ar Ken do senhor eng.º José Pinto de Sousa. Em termos políticos, o caso é o mesmo. Cada um obnubila o outro, obnubila no sentido de cobre e encobre a Barbie. Desconhece-se quem seja o titereiro de drama tão pungente. Mas o povo, ó o povo, expecta um final feliz. É sempre assim, o povo, expectante. Que é para rimar com a qualidade do drama. Nicky Florentino.

Referência



Página do livro dos googlemas. Se é isto, albergues perigosos, o que o carteiro demanda, não é necessário tocar duas vezes. Segismundo.

Referência



Vaudeville onze e meio. A mão perfeita é a mão que alcança o carnaz. Segismundo.

Referência



Estúdio realidade, iv. Deus é nada. A sua condição superlativa resulta do facto de, enquanto nada, ser uma ilusão omnipatente. Segismundo.

Referência



Tilt, ii. Durante a madrugada, na rua, passa um homem com um chapéu de chuva. Não choveu antes, não é estimado que venha a chover. O que é um homem com um chapéu de chuva?, na rua, durante a madrugada, sem chuva a cair ou anunciada pela meteorologia. Segismundo.

Referência



so nur Phantomschmerz bleibt. Em êxtase, segurava uma lâmina, talvez por ofício ou qualquer outro motivo breve, como se fosse o último tango em babilónia. Apontava-a a si, à carne a que decidira renunciar. O Marquês.

Referência

2008-01-24


One flew over the cuckoo’s nest. Às vezes, isto, a pátria ditosa, é uma paisagem muita estranha. Foi notícia a vandalização da tumba do grão e mui estimado português senhor Prof. Doutor António de Oliveira Salazar. Por falar em António, o senhor dr. António Preto, insigne senhor deputado do psd, está a patrocinar um dispositivo que, via worldwideweb, permita a qualquer gentio interessado participar num processo legislativo em curso. Não é necessário pasta. E, entretanto, numa página da edição de hoje do Diário de Notícias, foi estampada uma fotografia onde consta uma gentia que, dando o espírito ao manifesto contra a linha de muito alta tensão Fanhões-Trajouce, ostenta nas mãos um cartaz com a sentença seguinte: «José Penedos ou Hitler, venha o diabo e escolha». Com a palavra diabo manuscrita a azul, para não haver confusões. Nicky Florentino.

Referência



O império zandinga. Muito antes de ter jogado futebol com uma camisola axadrezada, Isaías, numa passagem do Livro da Consolação (Isaías, capítulo quarentaeum, versículos vinteedois e vinteetrês), revelou a sua intrepidez ao instar os deuses falsos nos termos seguintes. “Apresentem-se e anunciem-nos o que vai acontecer. Narrai-nos as vossas predições do passado para que prestemos atenção; anunciai-nos o futuro, a fim de podermos verificar o seu cumprimento. Anunciai os acontecimentos futuros e saberemos que sois deuses. Fazei qualquer coisa, para que possamos ajuizar e ver”. Em parte, alguns economistas são como as criaturas instadas pelo profeta. No princípio, antes do verbo, preescrevem o porvir, mais ou menos como o adivinho da história do Astérix, mas com algarismos e vírgulas. Dá ares de coisa parecida com a matemática. Com frequência, porém, o futuro acontece diferente do que foi estimado. Pelo que, depois, adiantada a marcha sobre o tempo que há-de vir, lá vêm eles, os alguns economistas, porque são quem sabe de economia e dos seus números, rever em alta ou em baixa, depende, os palpites anteriores. E tudo continua certo como antes. O que significa que Isaías, coitado, é um profeta fora de moda. Por acaso alguém ouviu falar dele desde que deixou de jogar futebol? Não e eis porquê. Nicky Florentino.

Referência



Daqui ninguém sai vivo. Ler alguma da prosa de ofício de Kathleen Gomes, como aquela estampada na edição de hoje do Público a propósito de Heath Ledger, malogrado de fresco, é uma experiência entre o abalroamento e o encontro imediato e mediúnico com o espírito Le Patriarche, essa espécie de consórcio da redenção. É isto e, depois, imaginá-la com um penteado à mister Paulo Bento. Será possível? Segismundo.

Referência



Página do livro das interrogações, xix. O recolhimento confere desistência? ou resistência? Segismundo.

Referência



Tilt, i. A realidade talvez seja mais civil do que se imagina. Segismundo.

Referência



Über dem Narbengelände. O rapaz ficou trancado numa sanja do tempo, o dia entre o domingo e a segunda-feira. O lugar não tem portas, do que resulta que não há maçanetas ou puxadores para usar, não há fechaduras para arrombar. O lugar também não tem janelas. Trancado num espaço amplo sem horizonte - trancado no limbo, que é como ele se sente -, o rapaz entretém-se a amanhar a auto-recriminação. Acusa-se e guarda-se sem defesa, a observar os acontecimentos a acontecer, sem interferir, como se acontecessem longe demais de si, para além do seu alcance, do seu cuidado ou da sua necessidade. Cativo num domicílio de onde não há saída, desistido e amparado na culpa que amanha, como uma cicatriz é ainda carne, ele aguarda a sentença, sem rumor de esperança. É uma questão de tempo, de tempo dentro de um tempo que não há. Sente-se o odor da insânia. O Marquês.

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2008-01-23


O jogo à la Lavoisier. Em ordem dita democrática, a política pública é um exercício crescentemente superficial. As reformas regimentais tão apregoadas tendem a não surtir. Porque não pode atingir-se o osso, ai, os interesses queixam-se, as reformas ditas redundam em operações cosméticas. É verdade que o estado deixou de ser o pináculo da ordem democrática presuntiva. Não por acaso agora fala-se muito em governança ou governância, tentativas de tradução da palavra governance. Mas o que fica por dizer é que, por isso - e, antes, decorrente de causas várias -, o governo tenta resumir-se à condição de croupier. Nada cria, nada perde, baralha e dá de novo. Quase sempre o mesmo, mais racionado e segundo outra matriz de rateio. Daí a sensação que os gentios têm de estar a viver cada vez mais em regime game over. E sem direito a terminação sequer. Nicky Florentino.

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Ditado melancólico, i. Demasiado fora. Literalmente demasiado e fora. Uma espécie de dilaceramento, corte, mesmo, não de ausência. Cesura, exactamente, cesura. Talvez em alguns casos exista a urgência da teoria da suturação. Da conformação. Talvez. Uma espécie de apelo, não o derradeiro, porque a periferia dura sempre além do tempo. Segismundo.

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Curso livre de iniciaçâo à sensiblidade sociotrópica, i. Mais do que recreativa, a sociedade tardo-moderna é uma sociedade de cordas. Os outros espreitam. Não estendem a mão. Não podemos trocar de pele. A traição consuma-se melhor assim. Houvesse mais vagar e tudo seria semelhante, porém em ordem plissada. Segismundo.

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2008-01-22


O major Billabong. Segundo o folclore local, os seus olhos eram negros e, não obstante, brilhavam no escuro. Conta-se também que inventou um jogo sem qualquer propósito de saber quem o venceria. Despia dois rapazes, com porte idêntico, e sentava cada um deles num dos bordos de um barco frágil que havia no lago contíguo ao pântano. Atava-os de igual modo, com corda e nós semelhantes, a pontos simétricos do barco. Quase sempre o barco pendia ligeiramente para um dos lados. Para lhe restituir o equilíbrio, ele chegava-se ao rapaz do lado mais afundado e fazia-lhe um rasgo na carne, para o sangrar, esperando conseguir, assim, compensar o peso excessivo verificado naquele bordo. O jogo não era fácil. Porque, depois de perceberem o seu sentido, os rapazes, o cortado e o outro, começavam a tentar libertar-se, agitando o barco. Ao princípio, não precavido, ele tentou resolver o problema com ameaças e bofetadas. Tais expedientes não surtiram o efeito pretendido. Por isso alterou as condições do jogo, sofisticando-o. E, nas vezes seguintes, sempre que os rapazes começavam com a agitação, ele afastava-se, assobiava para lhes chamar a atenção e abria uma comporta situada na margem do lago, de onde se precipitavam três crocodilos, um para cada um deles e o outro para estimular a concorrência entre os répteis. Fosse por isso ou por qualquer outro motivo, quase sempre os rapazes deixavam de abanar o barco, tentando, assim, garantir a sua sobrevivência. Porém, que seja sabido, com maior ou menor adesão dos rapazes às regras, o jogo nunca acabou bem para qualquer deles. O Marquês.

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2008-01-21


Câmara lenta. Picking apples, making pies, há dias em que, com os seus três tempos - não esquecer o que se segue, eating slices -, este poderia ser o programa de vida. Mais do que isto seria desperdício ou inutilidade ou tédio romântico. Segismundo.

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2008-01-19

Doismileoito, o ano da terra com o eixo torcido, o tubarão que se cuide, alguém o avise, vai ser fodido, não se vê, mas é verdade, a qualidade da imagem é uma merda, como era muitas vezes na teelvisão da avozinha, mas não interessa, dá para perceber, e tem legendas em português, há melhor no youtube, em japonês e em inglês, quem quiser que vá lá ver, depois de começar a chorar ao minuto e sete segundos

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2008-01-18


Os feitos e os defeitos de Lazy González, xii O amor é uma história, ao princípio bem contada, que, consoante o tamanho e a demora desse princípio, no final resulta em ferida ou em cicatriz. E que, se mete pessoas como tu, então, é uma fábula. O Marquês.

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2008-01-17


Quem não sabe é como quem não vê. Por mais que cocem a barriga, as senhoras deputadas e os senhores deputados do ps e do psd jamais serão capazes de demonstrar que a crise de governabilidade das autarquias locais, maxime os municípios, resulta do modo como são actualmente constituídos os seus órgãos. Não há evidência empírica disso. Do que há evidência, e sobeja, é do cesarismo municipal, materializado na figura e na acção do senhor presidente de câmara municipal. Quando as coisas correm bem, sim senhor, o homem é o maior, um homem bom, o líder carismático. Quando as coisas correm mal, claro, está o caldo entornado e ai que o gajo afinal não é o que parecia ser. Do que há evidência sobeja também é das condições institucionais que não favorecem os dispositivos de controlo e de monitorização política da acção do executivo municipal, mormente do senhor seu presidente. Focando o caso estritamente no plano orgânico, na generalidade dos municípios a assembleia municipal é um órgão colonizado ou tutelado pelo senhor presidente de câmara municipal. E as condições de exercício da generalidade dos vereadores ditos da oposição são confrangedoras - durante a maior parte do mandato pouco mais do que assistem à sessão semanal do executivo municipal, em que votam matérias sobre as quais têm nenhum ou pouco controlo. Assente isto, o que pode dizer-se sobre o projecto de lei n.º 431/X, patrocinado pelo consórcio que congrega ps e psd, é que assenta em pressupostos errados ou falsos. O grosso das alterações propostas vai no sentido de reforçar o presidencialismo municipal, não de qualificar as condições de governabilidade dos municípios - já agora, era conveniente que as luminárias do consórcio dissessem o que entendem por governabilidade; é de apostar dobrado contra singelo como, no fundo, no fundo, para as ditas criaturas governabilidade significa política de mando, porque concertação e deliberação e tal são palavras bonitas, rimam com democracia, mas, ai ai, que chatice, leva-as o vento que passa. Para além disto, o projecto de lei referido finge apenas reforçar as competências da assembleia municipal - neste pormenor, o projecto de lei n.º 438/X, apresentado pelo pcp, e o projecto de lei n.º 445/X, apresentado pelo be, são mais ousados - propondo, por exemplo, o aumento do número de membros da assembleia municipal, o primeiro, o aumento do número de sessões obrigatórias desse órgão, o segundo, e a concessão de condições materiais e humanas de trabalho aos grupos municipais, ambos -, no entanto têm consequências orçamentais que importa aquilatar previamente, no sentido em que surge provável não serem suportáveis sem o desvio de verbas a afectar ao investimento (em muito casos já exíguas). As condições necessárias para aprovar uma moção de censura ao executivo municipal são de tal modo excessivas - e, por conseguinte, esdrúxulas -, que só no caso de uma conjugação extraordinária de factores é que poderia ser aprovada. E, exigência superlativa, duplamente aprovada. Por fim, o projecto de lei n.º 431/X é canhestro na introdução de limites à capacidade de voto dos senhores presidentes de junta de freguesia na assembleia municipal, órgão em que têm assento por inerência. Os projectores do projecto referido propõem que os membros por inerência na assembleia municipal não possam votar os documentos previsionais e de prestação de contas do município. A ideia não é má.* Mas, é aqui que a estupidez grassa, os mesmos fulanos mantém a capacidade de voto em matérias que concretizam necessariamente as opções orçamentais e a gestão das receitas e das despesas do município, como a autorização de contracção de empréstimos bancários ou de alienação de património, a constituição de empresas municipais ou a participação no capital social de outras entidades, a fixação de taxas e mais não sei quê. Em suma, inventar problemas é bonito. É uma arte, pode afirmar-se, mesmo. Mas, ao menos, que quem inventa problemas revele capacidade de os resolver. E não deixe o rabo de cartel de fora. A abanar tipo cachorro contentinho. Porque, com o loteamento em curso, já lhe cheira a mais despojos públicos. Nicky Florentino.

* Bom, mesmo, conceda-se o falocratismo, é que os senhores em deputação tivessem o escroto recheado e fossem capazes de sanear os senhores presidentes de junta de freguesia da assembleia municipal, remetendo-os para um órgão consultivo qualquer, tipo conselho municipal ou o caraças. As criaturas na assembleia municipal produzem uma dupla distorção, de quantidade e de qualidade. Em termos de quantidade, na generalidade dos municípios os senhores presidentes de junta de freguesia reforçam a hegemonia da força política mais votada na assembleia municipal, alterando o peso e a proporção dos diferentes grupos políticos constituídos directamente por via eleitoral, com prejuízo evidente para as forças políticas minoritárias, que tendem a conseguir eleger menos desses senhores. (Isto, claro, sem invocar o facto de o voto de um senhor presidente de junta de freguesia na assembleia municipal ser igual ao de qualquer outro, independentemente do número de fregueses que representa ou que o tenham constituído eleitoralmente). Em termos de qualidade, os senhores presidentes de junta de freguesia tendem a comportar-se na assembleia municipal como regedores da paróquia e não como deputados municipais, o que faz com que em muitas circunstâncias, quando ajuízam que os interesses da respectiva freguesia são lesados, afirmem e tenham posições desalinhadas em relação ao grupo da força política pela qual foram eleitos.

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Straussmachine. Não consigo pensar em Stockausen e em azul ao mesmo tempo. Não consigo. A mãe estendeu-lhe uma mão, tentando emprestar-lhe tranquilidade. Somos reais?, é isto que pergunto, disse com a voz exaltada. A mãe agarrou-lhe a cabeça e aconchegou-a contra o seu peito. Somos reais, claro. Não sentes que estamos agora aqui?, tens alguma dúvida sobre a nossa identidade neste momento e neste lugar? Ele acalmou-se um pouco e soluçou. Não, mãe, mas ninguém consegue responder-me e tenho fome. Que mal é que eu fiz? A mãe embalou-o, como se fosse uma criança, e apertou ainda mais os braços em seu torno. Sê realista, meu filho, necessitas conhecer o teu sangue, é isso, apenas. Depois afrouxou o abraço e libertou um dos braços. Como?, mãe, quis ele saber. Há apenas uma forma de o conheceres, soltando-o. Ele afastou a cabeça do peito da mãe e procurou-lhe os olhos. Mas, sem fazer uma ferida em mim, como?, mãe, insistiu ele na pergunta. A mãe não respondeu. Estava concentrada num gesto. E, com a adaga que agora tinha na mão, degolou-o. O Marquês.

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2008-01-16


Darwin, iii. As perdas são marcadores de sobrevivência. Segismundo.

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Diga trintaesete. Pode ser fodido. Um gajo distrai-se com facilidade e pode acontecer. Mas não acontece quando é accionista da vida. Quando é accionista da vida, um gajo existe como deus ou melhor. Tem olho de lince. Um, com lente incrustada, é à cyborg. Desconfia. Revolve. Vê à distância, quando a miopia não cega. Acentua o cinismo, via pela qual se aprende a decência. Interroga. Guarda e arquiva papéis. Quer saber. Por que é que. Na prática, fode para não ser fodido. É fodido também. Faz parte do jogo. Olarilolé. Não há livro de reclamações. Apostas, aceitam-se apostas. Antes para evitar depois. Royal flush ainda não há, c’est la vie. Como no axioma, já, que amanhã é sempre tarde demais. Ri. Já está. É o bric-à-brac do costume. Aprender a fingir. Que o tempo é moinante, não imposto sobre a existência. E amanhã também. E depois. Há muito tempo que deus está fora de casa. Segismundo.

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Lebenswelt. Um rapaz sabe que vai no caminho certo quando, sem traumatismo identitário, consegue resolver o seu totem de infância, renunciar à ficção e aderir à realidade. Depois de コナン, o rapaz do futuro que era agora - doismileoito -, agora é o Jack Bauer. Que, comparado com o コナン, tem um senão único, não ser capaz de segurar-se com as unhas dos pés nas juntas de ligação das placas de aço que revestem as cápsulas ou naves espaciais, com estas em movimentação e manobras vertiginosas. Segismundo.

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2008-01-15


L’état c’est qui vous voulez, s’il vous plaît. Como outras, esta sentença do João, “o Estado não é uma instituição como as outras: gere dinheiro que não lhe pertence”, é canhestra. É que, para abreviar, assim definido, o estado não se distingue de instituições como um banco ou uma ipss, por exemplo, que também gerem dinheiro que não lhes pertence. Para além disto, ao não precisar o volume e a proporção de dinheiro que o estado gere e não lhe pertence, fica sem saber-se em que medida o estado é mais ou menos do que as outras instituições que não são uma instituição como as outras. Nicky Florentino.

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O bravo do pelotão de um homem só, que é ele, só ele e mais ninguém. Foi exibida na televisão a transmutação da fera. Perguntaram ao senhor primeiro-ministro que comentário tinha a fazer à demissão do senhor secretário de estado dos assuntos fiscais. O fulano não gostou da interrogação, disse que nada e afastou-se a chispar irritação. Durante o take de poucos segundos, ali, diante de nós, espectadores crédulos, o Noddy da selva, com ar de poucos amigos ou nenhum. Ainda bem que não fingiu ou desatou a fazer o seu jogging telegénico. Nicky Florentino.

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Ver veados a comer coelhos com os pés. A cinderela tem uns sapatos novos e diz que são tão confortáveis, tão confortáveis, que sente-se a andar em cima de nuvens de pó de talco. Segismundo.

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Portugália, ii. Em Portugal, o máximo de harmonia social possível, a materialiazação plena do delírio socialista, verificar-se-á quanto todos estivermos e formos como o senhor dr. Armando Vara. Álacres, contentes, felizes e com motivo. Bem, mais do que bem, muito bem, sem olhar a quem. Porque dois pássaros na mão valem mais do que um a voar. O facto de o senhor eng.º José Pinto de Sousa ser nosso amigo, isso, é bónus. O equivalente do special dos flippers. Segismundo.

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Porque juízo é medida. A falta de proporcionalidade ou capacidade de ponderação tanto na análise quanto nas sentenças é sintoma de desatino ou, o que é o mesmo, de destrambelho. Pode ser paranóia também. Segismundo.

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Escala de Αγαύη, hors-série. Ao contrário da paternidade, a maternidade é condição de tragédia. Segismundo.

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2008-01-14


Campo de tiro. O regime é ambulatório. Saiu uma decisão preliminar, mas fundamentada. Melhor, uma decisão tecnicamente fundamentada. Coisa de engenheiros. Mais ou menos o programa que deus cumpriu durante a feitura do mundo. Fez. Está feito. E ainda hoje continuamos a pagar a factura do feito. Obra monumental. Os custos diferidos também. Nicky Florentino.

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Do que é insofismável. Comparado com Jack Bauer, Jason Bourne é um pipi das meias altas. Segismundo.

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Página do livro dos googlemas. Disso, o amor tipo simpatia para matar uma pessoa, sabemos tudo, porém ficamos quietos. Segismundo.

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euA. Nevoeiro cerrado na cidade pequena. Os veículos pesados, dois, três, rugem sobre o asfalto molhado. O chão estremece. Pouco depois, adiante, um ruído difuso. Provavelmente alguém. Sete passos depois, exactamente sete passos, confirmou-se, era alguém. Então, pá, o que é que estás aqui a fazer a estas horas? Quatro.trintaetrês ante meridium. Estou sem sono, e tu? Aproximaram-se um do outro. O costume, estou de passagem. Cumprimentaram-se, mão na mão. Á, és tu, não te estava a conhecer, estava para perguntar se tinhas um cigarrito, já estou a ver que estou sem sorte. Sorriram. Pois estás. E continuou. É o costume, mas uma moedita para o café, mais logo, quando isto abrir, tens?, não tens? Não, não tinha. Segismundo.

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2008-01-13

Domingo treze, dia como os outros, prepare to die

cena do filme The Princess Bride, realizado por © Rob Reiner

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2008-01-10


The day after. O que quer que seja uma decisão preliminar é coisa de frouxo. As meninas é que apreciam preliminares. E os aumentos das pensões de reforma é que são aos bochechos de cêntimos. Estadista, decide, ponto final, parágrafo. Mais ainda se for engenheiro ou tiver coturno disso. Não se compromete, mesmo quando assume compromissos, por causa da ética da responsabilidade. Aprende-se isto nas lições de inglês técnico de nível superior. E a ouvir falar do campo de tiro de Alcochete. Nicky Florentino.

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Portugália, i. A pátria será melhor, muito melhor, quando qualquer criatura com escrúpulos e sentido de nojo ou mais ou menos assim puder ter uma trajectória como a do senhor dr. Armando Vara e ser e estar como ele é e está, bem. É isto o máximo possível do bem comum. Segismundo.

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2008-01-07


Ratel africano. Ao representar a personagem de senhor primeiro-ministro, o senhor eng.º José Pinto de Sousa é sobretudo um circumnavegador de si. O que mostra é o que tem a mostrar, num exercício de gestão dramática competentíssima - não há motivo para poupar no superlativo. Daí que, na novela política pátria, quando sur scènes, ele comporte-se como um action man autêntico. Isto foi bem feito? Foi ele que fez. Aquilo aconteceu e os gentios apreciam? Foi ele que fez, obviamente. O mundo está melhor? Quem é que haveria de ser o fautor? Ai as maçãs caem no chão? Aqui o caso é mais complicado. Em parte, no que tem de perverso, tal acontece por causa da força da gravidade. Noutra parte, no que tem de heróico e virtuoso, evidentemente, há aí dedo do senhor eng.º José Pinto de Sousa, o mindinho que seja. Na prática, o fulano é simultaneamente o «reino» e o «cavalo», tudo, como nos filmes, pelo que não é preciso trocar o «reino» pelo «cavalo» ou olhar para os dentes do «cavalo». Como nos autos e nas farsas, os gentios assistem e fingem complacentemente que é tudo verdade. E que o mais feroz de todos os bichos, os do mato incluídos, é nosso amigo. À cão, cinismo com cinismo se paga. Nicky Florentino.

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Pátricómicas, ii. O senhor maioral das brigadas sanitárias contra a colher de pau na cozinha, a bola de berlim nos areais e o dvd pirata nas bancas da feira incensava o ambiente de réveillon com a cigarrilha que metia intermitentemente entre os beiços e, não obstante o flagrante, ai que não há problema, eu posso fumar à vontade, que isto aqui é um casino, tudo vício autorizado, e à volta é só gente fina. Vai daí, sem demora, inaugurou-se uma campanha de hermenêutica jurídica. Sim? ou não? O inefável senhor director-geral da saúde já respondeu. Segismundo.

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Pátricómicas, i. A pátria ditosa é uma espécie de casa de doidas. Um senhor administrador de um banco da praça perguntou operações off-shore?, que é isso?, quase com espanto. Antes à cmvm também lhe deu para não atender muito ao caso. Ao bp, entestado pelo bisonho senhor dr. Constâncio, idem. Para além disto, concerteza que as contas do aludido banco foram auditadas por uma entidade qualquer. E estava tudo muito bem. Ou, melhor, nada houve a assinalar. Excepto o louvor e a aclamação. Agora é que parece que há problemas, o que é uma chatice, porque antes estava tudo muito bem. Segismundo.

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O princípio do fim, iii. Um, dois, cala-te, estúpido, esquerda, direita, a teelvisão está ligada. Senta-te, vê e ouve. Concentra-te, como se fosses um animal amestrado. Bebe mais uma, para acompanhar a outra. Toma o cinzeiro. Salva o mundo depois. O mundo pode esperar, o mundo pode sempre esperar. A cheerleader também. Aguenta, ió, aguenta aí. O filtro é um elemento fundamental. Como a paciência. Sê forte, seiscentosecinco forte. É mesmo para arrebentar. Agora faz zapping, como os meninos. Agora faz ao contrário. E com a outra mão. Mais um bocadinho, que ainda é cedo. Deixa o mundo em paz. Está a dar tudo na teelvisão. Sim, em directo. Não é preciso melancolia, ma chère. Nem histeria, nem melancolia, nem misteria. Iremos todos para o panteão do que vier a seguir, se vier. Anestesia?, qual anestesia?, é mesmo a sangue frio. O mundo?, lá estás tu com o mundo, já disse, deixa o mundo em paz. Fumamos o cachimbo depois. Sim, ceci n’est pas une pipe, mas não é isso que altera o que disse. Parece que aqui, agora, já não podemos fumar. Ai é?, dá aí lume, então. O Marquês.

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2008-01-06


Era Luiz. Chamava-se Pacheco. Dizia chupista. Segismundo.

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2008-01-04


Frequência da casa. Não se sabe se é bom. Não se sabe se é bonito. Mas, de vez em quando, em Portugal, quando se alude a capitalismo ou a accionistas disto ou daquilo, era bom que não se falasse de putas manhosas ou espécie de, histórias mal contadas e respectivos enredos. É certo que o fosso pátrio é séptico, atulhado de conveniências de algibeira e alguidar. É certo que as gravatas não são marcador de higiene ou salubridade. Mas, foda-se, até no lodo o decoro nunca fez mal a quem quer que seja. E o jogo limpo, as mão lavadas e os dentes escovados também não. Segismundo.

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2003/2017 - danados (personagens compostas e sofridas por © Sérgio Faria).