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Albergue dos danados

Blog de maus e mal-dizer 

2006-10-31


Is there anybody out there?, ii. Em entrevista estampada na página doze da edição de hoje do Público, perguntaram ao senhor dr. Mário Soares, “quem pode salvar a Europa”? O fulano respondeu, “os povos. Não há mais ninguém”. Ou seja, traduzindo, de facto não há quem, porque os espectros não contam como entidade salvadora. Nicky Florentino.

Referência



Is there anybody out there?, i. Segundo a edição de hoje do Público, o senhor presidente do CDS/PP prometeu reagir de modo assanhado se, no âmbito de uma eventual reforma do sistema eleitoral para a Assembleia da República, resultar o que ele entende como “iniciativa legislativa hostil ao partido, que vise resolver na secretaria questões políticas que é o povo que tem de decidir em eleições”. O parlapié da criatura até é sedutor e tal e inclui a palavra povo. Mas é justamente essa inclusão que prova de modo flagrante a insensatez tanto do motivo quanto do argumento da reacção. É que, admitindo a sua existência, o povo não decide. Menos ainda decide em eleições. Povo que é povo é barda e bombarda. Cava trincheiras, amua, vitupera senhores, vinga-se. Não, nunca, decide. Nicky Florentino.

Referência



Bang bang. Na rua é pior. Mas aqui, quando notamos alguém a referir-se ao dinheiro dos contribuintes, puxamos o Prof. Doutor Eduardo Prado Coelho que há em nós. Obviamente, agitamos antes de o usar. Às vezes até o disparamos. Mas nunca para o ar. É uma felicidade. Isso e não ver blogs. Segismundo.

Referência



Decoração de interiores. Olhamos para a realidade dentro da sua bolha. Somos parte dessa bolha. A realidade é essa bolha. E o mais estranho é que a porra da bolha nunca rebenta, como rebenta um perónio, por exemplo. E cada um de nós permanece dentro da bolha, da sua bolha, da mesma bolha. Diga-se sim, diga-se não. Há quem diga sim porque sim, quem diga sim porque não, quem diga não porque sim, quem diga não porque não e os outros. E a porra da bolha nunca rebenta. A bolha, sphera infinita cuius centrum est ubique, circumferentia vero nusquam. E lá dentro todas as vozes, todos os nomes, inclusive os inomináveis. Segismundo.

Referência



Canibal. Matou o seu animal de estimação, preparou-o, temperou-o, cozinhou-o em lume brando e, depois, comeu-o. O seu animal de estimação chamava-se Manuel. E, sobre a mesa, acompanhou-o com um vinho chique, de reserva selecta. O Marquês.

Referência

2006-10-30


Entretanto, dentro de uma banda desenhada... Ele é padrinho de uma sobrinhaafilhadadesnaturada. A criaturinha perfez hoje exactamente o décimosétimo aniversário. O fim do mundo continua. E ela tão pouco se dá ao trabalho de disfarçar. Segismundo.

Referência



Loop dance. Ai que saudades do futuro. Ai que nada. O mundo está sempre a começar. A vida também. Segismundo.

Referência

2006-10-29


Viraodiscoetocaomesmo. A tribo socialista sufragou o senhor chefe. É o mesmo de antes. Aquele que diz que não disse o que disse. Há alegria e felicidade nas hostes, portanto. Hossana! nas sondagens. Nicky Florentino.

Referência



Acácia, meu amor # iv. Chegam-me vagos, quase murmúrio, os barulhos da savana. Ai, ai... que fadiga. Digo fadiga porque é mais bonito do que dizer preguiça. Em verdade, devia dizer preguiça, indolência, pecado mortal. É isso que eu sou, embora não sempre. Às vezes corro atrás de carne. Porém não corro por gula. Corro pelo sangue. Ai, ai... que preguiça. Bocejo. Gosto de pensar que esta é a minha estação das esperas. Por isso espero. Vou esperar. Chegam-me vagos, quase murmúrio, os barulhos da savana. A dormência vence-me. Muitas vezes a natureza em mim diz-se letargia. Chegam-me vagos, quase murmúrio... Eliz B.

Referência


Uma série.
Segismundo.

Referência



After hours. Mudou a hora, diz-se. Mas não mudou. Atrasou-se o relógio sessenta minutos, foi o que foi. Mera convenção. Nada mais. Para além disso, ele tem sangue para dar, embora se desconheça o respectivo tipo. Sangue azul sapphire, sapphire tónico. Ou tóxico. Isto é o que se sabe. Isto é o que se pode dizer. Segismundo.

Referência

2006-10-28


Minuto noventa. Ao nosso correspondente em NYc. Como diz o outro, o mister Jesualdo é pior do que a Deolinda. Depois de estar a vencer por dois a zero, na segunda parte da partida contra o Benfica, o Futebol Clube do Porto deixou de jogar futebol. O que inquieta. Convém ainda recordar que o mesmo mister Jesualdo, no domingo passado, depois da partida contra o Sporting, afirmou que as substituições operadas durante a segunda parte perseguiam o fito da vitória. Se foi isso, nada se viu. O que inquieta. Seja como for, o Francisco não deixa de ter razão. Tau! Que é como mais lhes dói. Nicky Florentino.

Referência


Um caso chamado Vincent
Segismundo.

Referência



Why can’t I be you? E tu?, quantas faces tens? Julgas-te perfeito?, exacto?, sem mácula? Imaginas-te arquitecto?, compositor de paisagens e almas? Julgas que os sacrifícios são meras parábolas do Levítico?, que não doem? Vai-te foder! Sim!, vai-te foder! Acreditas na redenção? e na reencarnação? Fazes campanha pela abstinência?, pela decência? Logo tu!, tu que temes os avatares da carne, tu que finges a ausência. Em ti não creio. Se pudesse mordia-te o coração. Tens comichão? E saúde?, também tens? Vai-te foder. Vai-te foder! Dizes, ai!, estou tão emocionado... Dizes, ai!, estou tão arrependido... Estás?, fingido. Não!, não estás! Exibes a tua vulnerabilidade para inspirar piedade. És fraco. Vacilas. Pões as coisas ao contrário, sem mistério, e, ainda por cima, rogas esperança? Vai-te foder, pá. Vai!, vai!, vai! Vai-te foder! Isto não é a tropa. Isto não é o fim do mundo. Percebes? Percebes? ou não percebes? Consciência rima com resistência. Não é por acaso. A tua força?, qual força? O mundo... É a vibração higiénica do corpo, sentes? A electricidade, que te atravessa, liberta-te. Sofres, mas danças melhor. A dor conforma-te à coreografia. Abjecto rima com objecto e discurso directo. E daí? Perturbado?, sentes-te perturbado? Mas como?, se tu és uma ficção. Afasta-te! Vai-te foder! Não fales de circo. Não invoques qualquer divindade. Vai-te foder!, pura e simplesmente. Estás morto. A tua eternidade não existe. Tu não existes. Vai-te foder!, corpo renunciado. Vai. Vai. A tua exposição é doentia. Vai e leva as vozes contigo. Vai. Desisto de ti, prescindo de ti. Quero lá saber do Benfica!, quero lá saber do Sporting! Quero lá saber de Madaíl, quero lá saber de Scolari. Não cantes canções de piratas. Não digas segredos. Quero lá saber de São Bento. Quero lá saber de Bush ou de qualquer outro que na mesma mão segure a Bíblia e uma garrafa de Jack Daniel’s. Não existes. Tu não existes! Vai-te foder. Acorda. Acorda! Desiste. Acorda! Eu vou-me embora. Mas fico. Tu não existes. Eu fico. Acorda! que eu, agora, vou dormir. Acorda! Numa ilha? Numa ilha basta Montaigne, Rimbaud, Verlaine. Nick Cave e Tom Waits. Jarmusch. O mais, tu incluído, que se foda. Se és vedeta de teelvisão, não te conheço. Não vejo teelvisão. Não tenho teelvisão. Que se foda. Que se foda a Nike! Que se fodam as majors e os grandes estúdios! Tu não existes! Não existes. És como o animal que não há no jardim zoológico porque não existe. Quero lá saber de Sylvester Stallone ou de Arnold Schwarzenegger. Quero lá saber de Jean-Claude Van Damme ou de Steven Seagal. Quero lá saber de Vin Diesel ou de vinho diesel. Não confio em ti. Não confio em inexistências. Que se fodam os espelhos, as cartas e os dados. Que se fodam os senhores do golf e o rapazes do Grand Slam. O veneno?, o quê do veneno? Nunca te vi e já vi com nitidez inexistências mais estranhas do que tu, veados a comer coelhos. Que se fodam os anarcas e os anarquista e todos os discípulos de ismos, todos os eses, esses qualquer coisa que não apenas eles mesmos. Que se foda o mundo, todo, inteiro. Que se foda, sem ponto, sem final, sem parágrafo, aqui e já. Jazz. Jaz. Já está. Tu, toma!, toma!, não existes. Tu não existes! Porém, à cautela, vai-te foder. Acorda. Acorda! Esquece. Vai-te foder. Eu vou dormir. Segismundo.

Referência



A equação da liberdade. Não é fácil. Ao arbítrio corresponde responsabilidade. No limite, a responsabilidade de não permitir o aperto do arbítrio. O próprio e o dos outros. O resto que se foda. Ou, em versão beata - mas que vai dar no mesmo -, seja o que deus quiser. Segismundo.

Referência

2006-10-27


A fauna da secção inferior do fosso. Em Portugal, um dos problemas dos gentios - problema em sentido duplo, para eles mesmos e para os outros como eles - é não dominarem a cidadania na óptica do utilizador. Que, aliás, é a cidadania que vale. Nicky Florentino.

Referência



Dificuldades. Tenta-se. Nada? Insiste-se. Rien de nada? Nada. Mas que se foda. O esforço valeu. Alguém falou Francês. Segismundo.

Referência



Honor Bound to Defend Freedom. Quando se comportam como algozes, os livres não lutam pela liberdade. É por isso que, para qualquer liberal old fashion, Guantánamo é sinónimo de infâmia. Segismundo.

Referência

2006-10-26


Vala comum. Nas últimas semanas, os disparates e os dislates dos senhores com alvará de governação da pátria têm sido muitos. Tantos que se torna penoso o respectivo recenseamento. O que mais espanta, no entanto, não é a quantidade de disparates e dislates do colégio da turma governamental. O que mais espanta é que sejam as criaturas do Governo quem mais tem aproveitado tais desatinos. Para aprender. Ou, o que é mais provável - porque os despautérios sucedem-se em progressão geométrica -, para fingir que aprenderam. As seitas da oposição, essas, entre o assanho e a mansidão, acompanham e fazem o conveniente cortejo. Na prática, constituem o friso coreográfico da cena. Inclusive o senhor dr. Luís Filipe Menezes, essa luminária fluorescente meio kitsch meio ática que, para nada, excepto gincana, como ele mesmo reconheceu - vide página seis da edição de hoje do Público -, encomendou ao respectivo partido político, o PSD, uma moção de censura ao Governo. Como costume, deste fosso chamado Portugal não se vislumbra horizonte. A trincheira é funda. E sem céu. Nicky Florentino.

Referência



Para irónico. Usa-se e abusa-se de expedientes tipo modus tollens. Daí, desse usos e abusos, porque muito da vida é consoante isto ou aquilo e, portanto, não obedece necessariamente ao regime modus ponens, tendem a decorrer equívocos. É também por isso que a vida é muito a puta da vida. Porém, para isso, a puta da vida, a ironia não é antídoto. É um modo de convívio apenas. Segismundo.

Referência



Excitação do dia. Escreveu John Stuart Mill, no primeiro capítulo de On Liberty. “A tendência fatal da humanidade em desistir de pensar sobre uma coisa quando a mesma já não suscita dúvida é a causa de metade dos seus erros”. * Segismundo.

* The fatal tendency of mankind to leave off thinking about a thing when it is no longer doubtful, is the cause of half their errors”.

Referência



Inquietação, inquietação. A criança era irrequieta, caminhava para e por todo o lado, mexia em tudo, falava demais. Ninguém conseguia ter mão no fedelho, tive que tomar providências, não é? Por estar recorrentemente a ser perturbado e desejar sossego, o pai decidiu cortar um dedo ao cachopo. Dado essa intervenção não ter surtido o efeito pretendido, uma vez que o infante permanecia frenético, tagarelando, revolvendo tudo e andando casa além, a consequência foi o crescendo do reparo pedagógico, consoante a necessidade percebida. Depois do dedo, foi-lhe cortada uma mão. Depois da mão, foi-lhe cortado um braço. Depois do braço, foi-lhe cortada uma perna. O problema foi que, depois de cortada a perna, embora tenha acalmado, o puto ficou incapaz e excessivamente carente. Pelo que o período de sossego paternal - que antes o pai ainda conseguia - passou a ser consumido pelos cuidados e afectos que a nova condição do cachopo exigia. O Marquês.

Referência

2006-10-25


Fala-me de jogos de cama. Quem dorme com almofada - parece que é tão mau hábito para a saúde como fumar -, sabe quão difícil é explicar o vínculo à coisa. É uma espécie de medida certa, a reificação do conceito de harmonia com o mundo. É uma relação simultaneamente somática e onírica, sem desarme. Há danados caídos nesta trama. Tanto que, embora preservem o mau acordar, a dormir são mansos. Segismundo.

Referência



O mundo explicado a extraterrestres, lição i. Como explicar? Um motocultivador é diferente de uma motoceifeira. Uma motoceifeira é diferente de um motorroçador. Um motorroçador é diferente de uma motosserra. E aí por diante. Mais ou menos como um berbequim é diferente de uma rebarbadora. E nada disto tem a ver com máquinas para cortar relva. Segismundo.

Referência

2006-10-24


Jeder für sich und Gott gegen alle. Ocasiões há em que o problema é o enunciado do normativo jurídico ou o seu modo de aplicação, modo considerado desde a não aplicação até à aplicação discricionária ou à aplicação abusiva. Mas o mais das vezes o problema é simples e outro, com origem sobejamente recenseada: a desfaçatez e o défice - para não afirmar a ausência - de pudor da generalidade das criaturas, gentios ou senhores. Numa ou noutra condição, a propensão à manigância junta-se ao «ai que chatice, isso agora não me dá jeito». E, desse cocktail de virtude, oportunidade e conveniência, nasce a miséria que somos. Portanto, aqui, sobre este chão chamado Portugal, o problema não é o individualismo indómito ou a corrosão da alma colectiva. Também não é a ressurreição do senhor dr. Pedro Santana Lopes de entre os cadáveres. O problema é a portugalidade que, por e para cada um de nós, todos os dias confirma as mátria e pátria devolutas a que damos e empregamos identidade. Quase é caso para gritar: puta a sorte que nos fez paridos aqui! Mas, como é óbvio, o problema não é de nascença ou de ares herdados. É do estupor que, crescidos, cada um de nós é ou tolera. Uns mais dos que outros. Mas, por acção ou por consentimento, todos. É isso que nos faz a felicidade e a comunidade que somos. É isso que alivia a culpa e forja o orgulho. Somos assim. E, aleluia e mistério, cada um é o que é, para não se confundir com os outros. Nicky Florentino.

Referência



A pátria pândega. Desde que o acórdão do Tribunal Constitucional que versa sobre as contas dos partidos políticos e das campanhas eleitorais é publicado em Diário da República, repete-se, ano após ano - conquanto esse acórdão não faça a apreciação das referidas contas a granel anual -, a reportagem pública da verificação da não consolidação contabilística de tais contas e mais umas quantas irregularidades. Sempre o Tribunal Constitucional, não obstante as atestadas desconformidades com a lei, julgou prestadas essas mesmas contas. Mais recentemente tem aplicado coimas e multas. Mas nada que belisque, menos ainda que toque no osso de alguém. Os gentios, obviamente, exultam com o aleive. E emulam. Pois o exemplo é bonito. E o que tem que ser tem muita força. Nicky Florentino.

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Aquém. A morte obedece a uma biologia curiosa. Alguém morre e, indiferente, o mundo continua com o seu viço. Segismundo.

Referência



Das Unbehagen in der Kultur. Os passeios são um dos indícios ineludíveis de civilização. Passeios largos e extensos, geométricos, em pedra calçada, preservados, que permitam o trânsito dos passos. Na cidade pequena quase não há disso. O que a faz ainda mais pequena. E portuguesa. Segismundo.

Referência



Em ciência certa, há sempre um menino Jesus depois de cada Boaventura de Sousa Santos. Quem ainda não leu The God Delusion, de Dawkins, levante a mão direita, se faz favor. Ó deus!, estes, os assinalados, são os teus filhos dilectos. Podes levá-los, é a ti que estão encomendados. Segismundo.

Referência

2006-10-23


Mas o que é que moral tem a ver com alvenaria? Escreveu o Pedro, “o aborto é uma questão de moralidade. Portanto, o aborto não deve ser objecto de discussão pública”. Poderia complicar-se o caso, perguntando por que é que o aborto é uma questão de moralidade? Mas isso não é expediente que adiante. Se o aborto é uma questão de moralidade, é uma questão de moralidade, ponto final e tal. Mas o mais interessante não é isso. É a autocontradição performativa inscrita, e porque inscrita, no corolário. Repita-se, escreveu o Pedro, “o aborto não deve ser objecto de discussão pública”. Mas escreveu esta sentença onde? Na intimidade de uma página qualquer da sua sebenta de apontamentos? Não. Escreveu-a numa plataforma com publicidade, um blog. Portanto, insista-se, se “o aborto é uma questão de moralidade” e “o aborto não deve ser objecto de discussão pública”, por que raio é que o Pedro escreveu sobre o dito objecto num blog? Sabe-se lá, não é? Segismundo.

Referência



Modos de apodar um árbitro que comete erros que a miopia não explica sem doer muito. Ele há árbitros. Quanto a isso nada há a fazer. Eles arbitram. E, por isso, são úteis. Mas quando os fulanos erram de modo clamoroso e inexplicável - ou pelo menos não explicável por motivos plausíveis e por juízo - justifica-se a utilização do catálogo de ofensas disponíveis. Para o caso, o catálogo dele não é extenso. Para além disso, tenta evitar as expressões do costume, como á) ó filho da puta!, bê) ó meu grande cabrão!, és cego? ou quê?, cê) camelo!, és um grande camelo!, pá!, dê) és um palhaço!, ou é) ladrão! Ele usa mais um) pareces mesmo uma abelha Maia!, dois) ó pá!, olha que os mamutes já estão extintos, três) ó Ali Babar! ou, a que ele agora prefere, quatro) és pior do que a Deolinda! Como é óbvio, tudo isto gritado tem um sentido mais exacto, que é inexprimível por escrito. Segismundo.

Referência



E as boas almas da província e mais além que bem distinguem. Como outrora se julgava que a guerra era competência exclusiva dos machos, ainda hoje há quem julgue que os nubentes têm que ter um aparelho reprodutor diferente. A tropa continua a ser tropa, não obstante agora já existam mulheres aquarteladas, a marchar, a fazer continência e mais não sei o quê. Mas o casamento, se quem casa é do mesmo sexo, é que não pode continuar a ser casamento, isso é que não pode ser e tal, sustentam os defensores da pureza matrimonial clássica. A propósito. A propósito do casamento, distinguir homossexuais e maricas - e os outros -, como propôs a senhora Agustina Bessa Luís - na última edição do semanário Sol -, é filigranar. Quase tanto como distinguir velhas, velhotas, velhinhas e senhoras de idade para efeito de atribuição de pensão de reforma. Dislate de calibre grosso, pois. Mas é com isto que há que viver. O tempo leva tempo. Segismundo.

Referência

2006-10-22


Beating around the Bush. Eram tão liberais, tão liberais, que se entusiasmavam desmedidamente com a realidade norte-americana que mais tinha a ver com Estado. Nicky Florentino.

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Ai ai...
Segismundo.

Referência


Ai outono, outono.
Segismundo.

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Uma frase interrompida (segunda consequência). Sete vezes. Sabe-se lá. O engano está incluído. O sangue e os pastéis de nata também. Mais um café. Mas sabe-se lá. E depois? E depois de depois?, até ao infinito. O que será? O que será que será?, até não ser. O mundo. Mas qual mundo? O mundo, ora essa. Mas qual mundo?, qual Eça?, qual carapuça? Cerrem-se fileiras. Abram-se alas. A campainha soou. Embarque: destino paraíso, com escala no purgatório. A escala é necessária para o preenchimento de formalidades, formulários e espécimes assim. O mundo, sempre o mundo. À volta. Não há outro, não é? O mundo que se foda. Que se foda o paraíso. Que se foda o purgatório. O que é mais necessário?, ressuscitar António Salazar? ou libertar Charles Manson? E se chover dentro de casa?, que fazer? A revolução?, com baldes e esfregona? Música, maestro. Ou o silêncio, o silêncio, o silêncio, o silêncio, o silêncio, o silêncio, o silêncio, o silêncio, o silêncio, o silêncio, o silêncio, o silêncio, o silêncio, o silêncio, o silêncio, o silêncio, o silêncio, o silêncio, o silêncio. Segismundo.

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Rumba. Dois sentidos - humankind e womankind, uma via apenas. Segismundo.

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Acácia, meu amor # iii. Perdi o jeito do tempo. Agora corro consoante a necessidade, nem menos, nem mais. Às vezes a velocidade que consigo não é suficiente. Falho. Sinto a derrota. Depois tento novamente, ensaio outra corrida. Tantas vezes quanto as que forem necessárias. Mas o recobro é sempre sobre a fibra áspera e alta do ramo que me segura. Subo. E espero. Acácia, guarda-me. Eliz B.

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2006-10-21


Mazurca. Duas companhias - ghost e phantom -, o mesmo corpo espectral. Segismundo.

Referência



Agenda d’outono. Vinteeseis de Outubro, Ponta Delgada, Teatro Micaelense, Lou Donaldson Quartet Porto, Casa da Música, Last Nomads of Rajasthan.
Quatro de Novembro, Lisboa, Culturgest, Wayne Shorter Quartet.
Dez de Novembro, Braga, Teatro Circo, Antony & The Johnsons e Charles Atlas.
Dezasseis de Novembro, Lisboa, Coliseu dos Recreios, Herbie Hancock Quartet.
Vinteeum de Novembro, Lisboa, Centro Cultural de Belém, Diamanda Galás.
Quatro de Dezembro, Braga, Teatro Circo, John Zorn et alia Lisboa, Aula Magna, Cat Power.

Referência



A vida dentro de uma banda desenhada com a telefonia ligada. Perceber a vertigem
Things are going to slide, slide in all directions
Won’t be nothing
Nothing you can measure anymore

A vida dentro de uma banda desenhada com a telefonia ligada. Perceber a vertigem é desvendar o motivo por que alguém ouve a canção «The future», de Leonard Cohen, em looping, até à náusea. Segismundo.

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2006-10-20


Tango. Duas hipóteses - freedom e liberty -, o mesmo caminho. Segismundo.

Referência



Uma frase interrompida (primeira consequência). Sete vezes. Sabe-se lá. O engano está incluído. O sangue e os pastéis de nata também. Mais um café. Mas sabe-se lá. Достое́вский, Musil, um, dó, li, tá. Wayne Shorter. Tinóni, tinóni, tinóni. Engolir elefantes, qualquer que seja a sua cor - brancos ou outros, portanto. Engolir sapos. Beijar sapos. Príncipes, princesas e cães com pedrigree, de raça. Cães de caça. Um tiro, dois tiros, rajada. Fuzil automático. Tommy. Кала́шников. עוזי. USA. Pum!, pum! Uso e abuso. Pim!, pam!, pum! Confuso. Segredo, confissão, solidão. Sabe-se lá. O último reproduz-se. E isto não acaba. Porém, perante o espelho, o reflexo manifesta a ausência. E que mais? Sabe-se lá. Sangue, sangue. Flash. Splash. Johnny Cash. Cash, cash, cash. Ópio. Ódio. E vice-versa. Patati, patatá. O mundo? Sim, o mundo, o mundo. Roleta russa, royal flush. Maçã?, maçãs? Sabe-se lá. O mundo que se foda. Segismundo.

Referência



Uma frase interrompida. Abrir o vazio. Meter lá dentro, pela fenda aberta, uma voz, talvez um hino. Gritar! Gritar mais! ainda. Gritar até abafar o canto das sereias. Até iludir o canto do cisne. Até ao desencanto. Até ao silêncio. Ou ao pontapé de canto. Vinte anos. Quem vier a seguir que carregue a tecla on da telefonia. E que lave a memória. Ou ressuscite. A culpa é lá fora. Mas entrou. Nada há a fazer. Ainda está no período de garantia. Não há como expiar a culpa. Para além disso, os espiões estão fora de moda. E o mundo que se foda. Sim, que se foda em todas as direcções. Para ali. Para acolá. E aí por diante, até se esgotarem as coordenadas. Qual é a saída mais próxima? Não há? Pois é, não há. Não se pode fugir, portanto. Não faz mal. Ainda há muita pele para tatuar. Ainda há muitos escalpes. Ainda há muros, paredes e portas em que se podem dar cabeçadas. Também há orações. Hayek? ou Leonard Cohen? E Foucault? Sim, Foucault. E Berlin. E Montaigne. Quando chegar a fome, um copo de água basta. Se a fome persistir, repita-se. Andar de táxi, mas contratar o destino depois. Leopardo. Ser leopardo. Pardo pardo. Comer carne. E correr. A voar, ser falcão. Comer carne. E beber água. O mundo que se foda. Com ou sem certeza, apostar. Sangue, sangue, sangue, sangue. Apostar sempre. Sangue, sangue. Sabe-se lá. Sangue. Sete vezes. Sabe-se lá. Entretanto, viver. O engano está incluído. O sangue e os pastéis de nata também. Mais um café. Mas sabe-se lá. Segismundo.

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2006-10-19


As baias que nos livram dos jacobinos. A autonomia das autarquias locais é um valor estimado e garantido constitucionalmente. Como tudo, porque não há borlas na puta da vida - e porque em relação ao Estado não há vida diferente dessa -, tal valor constitui um custo. Porém um custo menor do que o senhor ministro de Estado e das Finanças ter algo a ver directamente com o número de funcionários das freguesias ou dos municípios. Era só o que mais faltava, o fulano ter algo a ver directamente com isso. Parece que ele gostava. Mas, como os chapéus, gostos há muitos. Portanto, o dito senhor ministro não tem autoridade sobre o número de mãos em mão-de-obra autárquica e ainda bem. Que se habitue. É que, pelos visto, sem tal hábito, um dia destes o fulano ainda há-de surgir a informar numa qualquer conferência que não tem jurisdição sobre a dieta nossa, de cada dia. E que, para controlar o défice orçamental, isso até lhe dava jeito. Nicky Florentino.

Referência



Metonímia. Cada vez mais a discussão do Estado resume-se à discussão do orçamento do Estado o Estado resume-se ao orçamento do Estado. Nicky Florentino.

Referência



Página do livro dos googlemas. Sobre como parecer simpático perante as pessoas... isso é assunto sobre o qual a ignorância dos daqui é monumental. Segismundo.

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Valsa. Três parceiros possíveis - Levi Strauss, Lévi-Strauss e Leo Strauss -, uma bala apenas. Segismundo.

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Página do livro dos excursos, xi. Sem panorama, acontece a ilusão da segurança providenciada pelo efeito de rebanho, a comunidade, o destino comum. Segismundo.

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2006-10-18


Do engodo à húngara. Em política, as necessidades - de facto ou por alienação - tendem a sobrepor-se à autenticidade. Excepto, claro, durante as campanhas eleitorais. Nicky Florentino.

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Rivolição em curso. A ocupação do Rivoli suscita um problema antes de todos os outros, de asseio. Pouco releva se têm ou não têm carta de campista, os ocupantes. O que importa saber é se, passados estes dias, têm tomado banho e lavado os dentes. É que, por princípio, não deve simpatizar-se com os combates urbanos de quem não lavou a cabeça ou descurou a higiene oral. Aliás, a medida de simpatia com os díscolos que conferem corpo a tais lutas deve ser indexada ao tipo de shampoo usado. O uso de condicionador capilar, como é óbvio, permite pontos extra de afinidade. O mesmo sucede com determinados tipos de pasta dentífrica. Nicky Florentino.

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Futuralia. Sente-se a pulsão. Preparam-se slogans tão estúpidos quão abençoados, do tipo «a ivg é como o zyklon b». É o outro lado da comédia a que se chama vida. Segismundo.

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Porque todas as manhãs são submersas. Os leopardos não páram nos semáforos. Segismundo.

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and I know nothing. Confiar à ironia, porque para aí são muitos os caminhos, inclusive os enganados e a via de regresso. Segismundo.

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2006-10-17

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O Captain! my Captain! rise up and hear the bells. Não somos todos a mesma voz. Na grande área, partilhou missões e espaço com jogadores de futebol como Fernando Couto, Aloísio, Jorge Andrade ou Ricardo Carvalho. Não era uma sumidade em termos técnicos ou tácticos. Era sobretudo força e insígnia, não elegância. O seu palmarés não fala por si. O seu corpo estava lá e sobre ele a camisola com as riscas ao alto, alternadas, azuis e brancas. Ele colado à camisola, osmose ou fusão. Como outros, mas mais, padeceu sob Octávio Machado e Co Adriaanse. A última vez que pisou o hectare de relva envergava a camisola de um clube belga. O seu coração estava escondido, não estava no peito. Tal como em relação a outros casos, o Futebol Clube do Porto não soube honrar-se, honrando o Bicho. Nicky Florentino.
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Breaking news. Ontem, no coliseu teelvisivo chamado Prós & Contras, o senhor dr. Fernando Ruas, presidente da confraria dos municípios portugueses, afirmou que o editor de um jornal lhe tinha recomendado fazer como o Governo, mandar as notícias, para que depois fossem comentadas. A afirmação constituiu uma acusação directa à acção do senhor ministro de Estado e da Administração Interna. Parece que ninguém mostrou espanto. Indignação também não. Nicky Florentino.

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Após neverland. Um ano de beijos à francesa, pelo João. Segismundo.

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Stuart Little in the water. Esqueça-se The Sixth Sense. Esqueça-se Unbreakable. Manoj Night Shyamalan, enquanto realizador de cinema, não existe. Segismundo.

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Para além do intervalo entre o silêncio e o psitacismo. Todos os dias há o confronto com o império de fora. Mas há dias em que esse império insiste na escolha de uma de duas hipóteses apenas, o mutismo ou um franchise de fast voices. Nestes dias mais difíceis, uma voz a destoar é o mistério do esforço de alguém por e para ser liberal old fashion. Segismundo.

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2006-10-16


Caem sombras sobre o campanário da paróquia. Esta noite, no estabelecimento teelvisivo dominado por uma senhora jornalista armada em patroa de taberna, discutiu-se o propósito e a proposta governamental de revisão do regime de finanças das autarquias locais. De um lado estava o cinismo jacobino mal disfarçado, no corpo do senhor ministro de Estado e da Administração Interna. Do outro lado estava uma vítima falsa e fingida, representada pelo senhor presidente da AssociaçãoNacionaldeMunicípiosPortugueses. Como um e outro, assim como os respectivos aliados, evitaram aduzir argumentos atinados - às tantas até começaram a discutir as suas legitimidades como se estivessem a comparar o comprimento e a secção dos respectivos pirilaus -, surge necessário aguardar o resultado do escrutínio do próximo fim de semana dos jogos de sorte explorados pela SantaCasadaMisericórdiadeLisboa para saber quem ganhou. É que, embora se saiba que ganharam os da banda jacobina - a maioria parlamentar socialista já havia garantido tal resultado -, é necessário manter o suspense. Nicky Florentino.

Post scriptum. Entre a segunda metade da década de setenta e a primeiro lustro da década de oitenta do último século, o mesmo assunto foi discutido com gravidade no Reino Unido e nos EstadosUnidosdaAmérica. Então, o governo de Margaret Thatcher e a administração de Ronald Reagan, também a coberto da necessidade de reparar o stress orçamental, patrocinaram a revisão dos normativos que regulavam as finanças das unidades territoriais com autonomia administrativa. Dessa lotaria sabe-se o resultado. Os jacobinos venceram. E sabem-se também as respectivas consequências.

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Devolvido na compensação em Lisboa, ii. Em 25th Hour, realizado por Spike Lee, há um momento em que, dentro de uma casa de banho, na véspera de ser encarcerado para cumprir pena de prisão, Montgomery Brogran está diante de um espelho que tem inscrito fuck you. Aí, Monty destila o seguinte discurso. Well, fuck you, too. Fuck me, fuck you, fuck this whole city and everyone in it. Fuck the panhandlers, grubbing for money, and smiling at me behind my back. Fuck the squeegee men dirtying up the clean windshield of my car. Get a fucking job! Fuck the sikhs and the pakistanis bombing down the avenues in decrepit cabs, curry steaming out their pores, stinking up my day. Terrorists in fucking training. Slow the fuck down! Fuck the Chelsea boys with their waxed chests and pumped up biceps. Going down on each other in my parks and on my piers, jingling their dicks on my Channel 35. Fuck the korean grocers with their pyramids of overpriced fruit and their tulips and roses wrapped in plastic. Ten years in the country, still no speaky English? Fuck the russians in Brighton Beach. Mobster thugs sitting in cafés, sipping tea in little glasses, sugar cubes between their teeth. Wheelin’ and dealin’ and schemin’. Go back where you fucking came from! Fuck the black-hatted Chassidim, strolling up and down 47th street in their dirty gabardine with their dandruff. Selling south african apartheid diamonds! Fuck the Wall street brokers. Self-styled masters of the universe. Michael Douglas, Gordon Gekko wannabe mother fuckers, figuring out new ways to rob hard working people blind. Send those Enron assholes to jail for fucking life! You think Bush and Cheney didn’t know about that shit? Give me a fucking break! Tyco! Worldcom! Fuck the puerto ricans. Twenty to a car, swelling up the welfare rolls, worst fuckin’ parade in the city. And don’t even get me started on the dom-in-i-cans, ’cause they make the puerto ricans look good. Fuck the Bensonhurst italians with their pomaded hair, their nylon warm-up suits, their St. Anthony medallions, swinging their, Jason Giambi, Louisville slugger, baseball bats, trying to audition for The Sopranos. Fuck the Upper East Side wives with their Hermes scarves and their fifty-dollar Balducci artichokes. Overfed faces getting pulled and lifted and stretched, all taut and shiny. You’re not fooling anybody, sweetheart! Fuck the uptown brothers. They never pass the ball, they don’t want to play defense, they take five steps on every lay-up to the hoop. And then they want to turn around and blame everything on the white man. Slavery ended one hundred and thirty seven years ago. Move the fuck on! Fuck the corrupt cops with their anus violating plungers and their forty one shots, standing behind a blue wall of silence. You betray our trust! Fuck the priests who put their hands down some innocent child’s pants. Fuck the church that protects them, delivering us into evil. And while you're at it, fuck JC! He got off easy! A day on the cross, a weekend in hell, and all the hallelujahs of the legioned angels for eternity! Try seven years in fuckin’ Otisville, J! Fuck Osama Bin Laden, Al Qaeda, and backward-ass, cave-dwelling, fundamentalist assholes everywhere. On the names of innocent thousands murdered, I pray you spend the rest of eternity with your seventy-two whores roasting in a jet-fuel fire in hell. You towel headed camel jockeys can kiss my royal irish ass! Fuck Jacob Elinsky, whining malcontent. Fuck Francis Xavier Slaughtery my best friend, judging me while he stares at my girlfriend’s ass. Fuck Naturelle Riviera, I gave her my trust and she stabbed me in the back, sold me up the river, fucking bitch. Fuck my father with his endless grief, standing behind that bar sipping on club sodas, selling whisky to firemen, cheering the Bronx bombers. Fuck this whole city and everyone in it. From the row-houses of Astoria to the penthouses on Park Avenue, from the projects in the Bronx to the lofts in Soho. From the tenements in Alphabet City to the brownstones in Park slope to the split-levels in Staten Island. Let an earthquake crumble it, let the fires rage, let it burn to fucking ash and then let the waters rise and submerge this whole rat-infested place. Ainda que estejamos longe de um espelho, esta é ainda a pastoral de cada um de nós. Segismundo.

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Reserva de si. Há sempre alguém que, correspondendo a um desejo de solidão, se refugia numa casa de espelhos. Segismundo.

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Solitude standing. Subitamente, porque as criaturas são em excesso - isto é, são mais do que os lugares disponíveis -, ele admite-se discípulo de Malthus. Segismundo.

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2006-10-15


Solta o guarda-lama que há em ti! O senhor arq.º José António Saraiva é, a modos que, a senhora Doutora Maria Filomena Mónica enquanto director de semanário estrelado. Segismundo.

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A dialéctica em rewind. Escreveu Foucault, em Surveiller et Punir, “numa sociedade em que os elementos principais deixaram de ser a comunidade e a vida pública e passaram a ser os indivíduos, por um lado, e o Estado, por outro lado, as relações só podem ser reguladas através de uma forma exactamente contrária ao espectáculo”. O que significa que as ordas de gentios largadas na rua, ao transformar o asfalto em coliseu dos recreios, estão a retornar ao plateau da excitação, à praça. Hoje, é isto a reacção. Nicky Florentino.

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Visões. Recorde-se. Enquanto senhor primeiro-ministro, o frigorífico era um fetiche do senhor Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva. Chegou, mesmo, a erigir esse electrodoméstico em indicador de qualidade de vida dos gentios pátrios. Não espanta, pois, que, na pretérita terça-feira, tenha notado com enfâse a existência do artefacto na cozinha da senhora dona Elvira Gaspar, a quase octogenária e solitária habitante do quarto andar de um prédio sem elevador ali para as bandas do Saldanha (vide a página seis da última edição do Expresso). A velhota não se deixou embalar em ânimos e lá confirmou a evidência do frigorífico. Tentando um sorriso da velhota, o fulano em senhor presidente da República ainda arriscou dizer: “está com bom aspecto”. Quanto a isso, porém, a senhora dona Elvira não consentiu equívocos. E disse: “pois, se eu não estou doente da cara! Estou doente é das pernas e as pernas estão dentro das calças”. Quem não vê é como quem não sabe. Nicky Florentino.

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Acácia, meu amor # ii. O mundo, a savana, é lá em baixo. Eu espero, aqui. Não por é disposição ou mania imperial que estou aqui, mais alto. Sei que não sou pássaro. Mas aqui em cima o sol chega mais cedo. Necessito dos seus banhos para tonificar a preguiça. Aqui o silêncio entranha-se no corpo com mais facilidade e a letargia conquista-me certa. Necessito que ela me tome agora. Porque à noite guia-me a vontade de sangue e tenho que correr. Eliz B.

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2006-10-14


Motivo: falta de providência, vi. Considera-se vegetariano porque descasca e come amendoins? Segismundo.

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Se Maria Filomena, antes Molder do que Mónica. Quando uma criatura que supostamente também se deitou com a sociologia afirma que alguém é o que nasce, ou bonito ou inteligente ou assim, não adianta rebater. Como aqui não tendemos ao fatalismo, limitamo-nos a admitir que o discernimento é um recurso raro. Segismundo.

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2006-10-13


Marchas populares. Democracia pressupõe povo. Povo pressupõe o universo gentio em juízo e ordem. Ora, a turba largada na rua, por mais espectacular e teelvisiva que seja, não é povo. É uma efervescência, uma irritação, um desmando. Mas povo é que essa mole assanhada não é. Por isso, a “sensibilidade democrática” à rua, rogada pelo senhor dr. Manuel Alegre, tem o seu quê de disparate. É que, para além do bulício da rua, das massas populares em festim e folclore, há o recato do lar e os recantos do juízo pessoal. E afere-se pelas sondagens que, por aí, é grosso o contingente de gentios que ainda tolera o senhor eng.º José Pinto de Sousa e as tropelias da sua máquina dita de governar. Porém, como tudo isto é a fingir, nada se sabe sobre o que será amanhã. Nicky Florentino.

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Entre os nossos amigos. Ninguém se chama Deolinda. Ninguém usa um capacete azul. Segismundo.

imagem © André Franquin

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Motivo: falta de provisão, v. Transmuta-se tanto, tanto, que parte de si existe em cache? Segismundo.

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Qui quilate. Amante que é amante não é bi, é di. Segismundo.

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Matrix Portugal. Quando o software está morto e o hardware é apenas paisagem, não há saída com efeito regenerador que seja diferente da emigração ou da morte. Segismundo.

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2006-10-12


Página do livro das companhias, vii. Na cápsula pendular soa The Gothic Archies, The Tragic Treasury. Songs from A Series of Unfortunate Events, Nonesuch Records. Segismundo.

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Motivo: falta de provisão, iv. A empresa de atirar aos passarinhos é compatível com o credo da vida como exercício de longo curso? Segismundo.

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Situação ideal de diálogo. O que é que aconteceu à alegria de dizer olha, vai mas é para o caralho? Segismundo.

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But some animals are more equal than others. Apregoa a lenda que, talhados à sua parecença, todos somos filhos de deus. Neste pormenor da filiação, porém, o filho do carpinteiro leva vantagem sobre os demais, porquanto foi pronunciado o seu filho unigénito. Segismundo.

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Joint venture. Se te abrires, verificarás que estás cheio de outros como tu. Portanto, não adianta o auto-exílio dentro de ti. É preferível vomitares. Segismundo.

imagem © Pieter Pieter Brueghel (Grandibus Exigui Sunt Pisces Piscibus Esca)

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2006-10-11


Encomendação a sonâmbulo. Alguém, tu só dormes? Outrem, não. Alguém, então? Outrem, também ponho anúncios no jornal. Segismundo.

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Página do livro das sentenças, xxxiv. Um blog é um sintoma da doença infantil da solidão. Segismundo.

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Motivo: falta de provisão, iii. Que escolha, asfixia? ou colapso? Segismundo.

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Devolvido na compensação em Lisboa, i. Em Big Fish, realizado por Tim Burton, Ed Bloom, quando novo, explicou uma certa intangibilidade - There are some fish that cannot be caught. It’s not that they’re faster or stronger than other fish. They’re just touched by something extra - que nos cativa no interior da cúpula da realidade. Posto assim o caso, a solução para o alcance implica uma aproximação à margem. É que, ainda que admitir isso seja um risco, daí vêem-se coisas e com outra resolução. Segismundo.

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2006-10-10


Until the end of the world. O excesso de discursos sobre a segurança social e, muito em particular, sobre a sua sustentabilidade não induz acréscimo de qualquer ordem à segurança ontológica dos gentios. O excesso de sensibilidade à corrupção recente e recorrentemente afirmada também não. É que junto à vozearia, aos enunciados de boas vontades e intenções e às palavras de honra vem a inquietude. Aliás, cada vez mais há quem, invertendo a equação de Marx, suspeite que a origem do caso chamado Portugal constituiu uma farsa e que as sucessivas réplicas de confirmação e actualização, essas sim, são a tragédia autêntica. Nicky Florentino.

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A realpolitik não existe. A política é a disputa em torno de uma composição social. Parte dessa disputa deveria resultar do confronto de perspectivas sobre a mesma realidade. Mas o que sucede é que essa quota de disputa é muitas vezes, se não quase sempre, o produto do confronto de mundivisões. Que é o mesmo que dizer realizações ilusões. O que significa que parte substancial do fundamento da política decorre do jogo plástico produzido pelo efeito das diferentes posições e respectivos alcances, fait vous jeux, sobre a realidade. Nicky Florentino.

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cartasdirector@publico.pt. Hoje, como ontem, à hora costumeira, ele dirigiu-se ao lugar do costume para adquirir um exemplar do Público. Não havia, explicaram-lhe, porque os senhores da distribuição diminuíram a oferta do título naquela banca. Facto que teve como consequência a incapacidade dessa banca corresponder à procura habitual do referido diário ali. Por princípio, ele não discute os noventa cêntimos ou o euro e os vinteecinco cêntimos que lhe pedem em contrapartida do jornal. Mas, em relação a tal assunto, esse é o seu limite. Se alguma luminária - seja lá ela qual for, desde o senhor director do Público até aos senhores da respectiva administração - julga que ele não tem mais para fazer do que andar a correr bancas de jornais para adquirir a edição do dia, engana-se. É que, não havendo hipótese de adquirir o Público no que é a sua órbita e o seu ritmo de todos os dias, ele devolve a cortesia e quer é que o jornal se foda. Segismundo.

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Sopro de acordar. Escrever indelével, que havia um lugar indelével. Segismundo.

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Escala de leopardo, iii. Nenhum exemplar genuíno da espécie Panthera pardus julga ser o sal da terra. Porque a carne de que se alimenta é sem tempero diferente do sangue quente. Segismundo.

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Motivo: falta de provisão, ii. Apenas deseja ser feliz e expirou a data de validade do respectivo bilhete de identidade? Segismundo.

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2006-10-09


Arcana imperii e credenda. Como não há omeletas sem ovos, também não há república sem republicanos ou democracia sem democratas. Há quem julgue que sim, mas isso é juízo enquinado. Ou seja, qualquer que seja a forma desejada, a política implica a mobilização do corpo e da cabeça. A república e a democracia, então, implicam a mobilização do corpo e da cabeça em vários sentidos e em mais condições do que apenas a condição de espectador ou de consumidor. É por isso que são formas exigentes e incómodas, envolventes. Tão envolventes que a cada parelha de corpo e cabeça se chama cidadão. O rótulo é bonito. Tanto que é quão basta para infundir e disseminar a ilusão de uma ordem política graciosa que não carece de dispêndio civil, como se fosse produto de geração espontânea. Claro que isso engana. Mas no corpo também há os ossos. E os ossos, se tocados, não são propensos a ilusões. Nicky Florentino.

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Página do livro das latitudes, xi. Proliferam os condomínios fechados. O mundo é o nosso curral aberto. Segismundo.

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Página do livro dos exactos, iii. Tudo quanto é história mal contada tende a ser recapitulado em sonho, sob regime de culpa (in)formada. Segismundo.

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Motivo: falta de provisão, i. Quer mostrar-se homem e não sabe manobrar um corta-sebes? Segismundo.

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2006-10-08


Ornato. Com as suas prédicas teelvisivas de domingo à noite, o senhor Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa é equivalente ao varredor de Mon Oncle, realizado por Jacques Tati. Embora seja personagem, existe sobretudo como figurante de comédia. Segismundo.

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Acácia, meu amor # i. Oiço os acordes e as vozes de Idomeneo. Sonho com o bacorinho, o toucinho selvagem da minha dieta. Não, não me peças para tocar piano. Tenho garras fartas, não consigo. O que quero é dormir a sesta, a tarde morna. Porque sou solitário e, sabes, mais levantado com a noite. Eliz B.

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2006-10-07


Fiesta. Parece que fecharam uma avenida da capital para acontecer um arraial teelvisivo. Poderia afirmar-se que a estupidez sequestrou a pátria. Mas afirmar isso não seria justo. Nem para a estupidez nem para o regaste. Segismundo.

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Le Bataclan Asylum, # iii. A dona do lupanar nunca consentiu a electrificação do estabelecimento. Argumentava que a iluminação eléctrica era fria e destoava da decoração carmim bas-fond. As meninas rimam melhor sob a luz das velas. O tom das chamas trémulas permitia que, ali, as almas se disfarçassem com maior facilidade e irradiassem encanto. A essa luz os homens são mais cegos, libertam a imaginação, vêem o que desejam ver. Uma das putas tinha uma cicatriz na face, mas a providência dos círios fazia-lhe uma beleza inverosímil, do que resultava ser uma das mais disputadas pelos clientes de primeira instância. Eles vêem o que desejam ver, não o que se vê, o que está diante dos olhos. Entretanto, lá em baixo, à porta do quarto redondo, estacionou-se uma sombra larga. Então?, já chegou a alguma conclusão? O detective quase ignorou essa presença estranha, embora o corpo que a fazia exalasse uma fragrância de lavanda forte. O espectáculo do apodrecimento da carne do cadáver havia soltado em si uma majestade de abutre. Que belo... Arrebatado, susteve a respiração. Também baixou os olhos, tentando livrar-se da sensação estranha que o dominava. Ao mesmo tempo que sentia a volúpia da carne pútrida, sentia uma felicidade infame a instalar-se-lhe no corpo. O que observava exercia um fascínio magnético sobre si. E era isso, mais do que o imperativo de tranquilidade ou de expiação da culpa, que o fazia desejar ficar só. Afaste-se!, não incomode!, necessito de solidão para desenvolver a investigação. Estava preenchido por um efeito simultâneo de exaltação e de penitência e não conseguia harmonizar-se consigo. Havia uma fraternidade interdita nos seus sentimentos que lhe exigia a entrega da alma, como se fosse ditada por um édito perpétuo e sem apelo. Por que é que não me responde? O cheiro intenso da decomposição do cadáver parecia-lhe mais doce do que fétido. Talvez por isso crescia-lhe e confirmava-se-lhe a necessidade de estar ali sem qualquer companhia, a absorver todo o quadro lúgubre que o envolvia. O Marquês.

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2006-10-06


Coroadministração. Actualmente por que é que surge sensato o propósito de disciplinar as finanças da administração autárquica? Porque, em rigor, os mecanismos de responsabilização dos autarcas são ineficazes. Ou seja, as eleições não surtem o efeito desejado, assim como não funcionam as tutelas institucionais. O que significa que o que é dito povo, nas suas diversas segmentações territoriais, é estúpido. E que os dispositivos extra-locais de controlo da acção dos autarcas são ou frouxos ou incompetentes. Ora, como não há coragem para fazer este tipo de constantação crua, invoca-se a necessidade de controlar o défice orçamental e, a coberto dessa necessidade, tenta limitar-se o espectro de discricionariedade dos senhores autarcas, designadamente dos senhores presidente de Câmara Municipal. O que, sendo má desculpa, parece obedecer uma boa intenção. Mas é apenas mais uma volta, mais uma corrida, no fosso chamado Estado da sentina chamada Portugal. Nicky Florentino.

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Caradminstração. O senhor ministro das Finanças decidiu versar sobre o modo como os senhores autarcas devem afectar os recursos financeiros de que dispõem. Se a pátria é um mundo a sério, uma interrogação surge de imediato: mas o que é que o fulano, enquanto senhor ministro, tem a ver com o assunto? É que, se as freguesias e os municípios gozam de autonomia, não lhe compete dizer como é que os senhores autarcas devem ou não devem gerir as respectivas possessões. Aliás, mais do que meter o bedelho em seara alheia, tal manobra é meter a pata na poça. Porque através dela o senhor ministro implica-se em meandros que, quer ele queira quer ele não queira, quer ele dê cambalhotas quer ele coma bananas, quer ele ande de triciclo quer ele assobie o perompompero, estão para além da sua reserva de intervenção e responsabilidade. Nicky Florentino.

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Escala de leopardo, ii. A noite tem a propriedade detergente de nos livrar dos outros. Segismundo.

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Exercício de rapsódia, ii. Havia um lugar para além dos destroços, uma espécie de esperança de esperança. Até que... Le phénomène passe. Je cherche les lois, escreveu Lautréamont. Segismundo.

imagem © Simon Larbalestier

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Livro de cheques da Caixa Geral de Depósitos, vi. Qual é a humanidade que as figuras de um baralho de cartas compreendem? Segismundo.

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2006-10-05


Canção do dia. Por sugestão do senhor presidente da República, que nos sabe anjos e em pureza, para além de sumamemente virtuosos e capazes de todo o bem, cante-se, a uma só voz, enunciando a luz e o caminho. O título da canção é «Cantem!, paspalhões, cantem!».

Nós, os tugas, somos bons rapazes
e não gostamos de corrupção.
Amamos a pátria e, como audazes,
por ela é o nosso coração.

Viva a República!, que nada nos detém.
Nem a inveja nem a cobiça nem o raio do vintém.

Nós, os tugas, não somos pela conveniência.
Somos heróis, às vezes zarolhos, às vezes ranhosos.
Mas sempre pela verdade e sã convivência.
E nunca, nunca mesmo, conseguimos ser manhosos.

Viva a República!, que nada nos detém.
Nem a inveja nem a cobiça nem o raio do vintém.

A nossa pátria chama-se Portugal.
E, bem, rima com o nosso bornal.
O Aníbal, ó farol!, é o nosso grão guia.
É ele que ele nos vale tão grossa maquia.

Viva a República!, que nada nos detém.
Nem a inveja nem a cobiça nem o raio do vintém.

Somos portugueses, somos fregueses.
E dizemos, desde antes os franceses,
não à corrupção, não à revolução.
Porque basta-nos o circo, se com vinho e pão.

Viva a República!, que nada nos detém.
Nem a inveja nem a cobiça nem o raio do vintém.

Viva a República!, pois, que não somos vilões.
Desde o tempo das barcas que vamos para além.
Mas se, como dizem, é para marchar contra canhões,
desculpem lá, meus senhores, escolham outro quem
. Nicky Florentino.

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O labirinto da memória. Há quem devolva o dia cinco de Outubro para muito antes da bombarda e da metralha na rotunda. Mas chega a Zamora, onde um antepassado dos nuestros hermanos disse sim, e pára. Nicky Florentino.

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Advérbio de modo. De um lado, é-se geométrico, representante e depositário do juízo, um agente racional. Do outro lado, é-se sexual, uma máquina libidinosa, uma superfície para o gozo. A vincular um e o outro lado há uma corda tensa. À passagem definitiva de um para o outro lado chama-se metamorfose. À passagem pendular de um para o outro lado e vice-versa chama-se ida-e-volta. À passagem demorada por um dos lados chama-se desvio. Nenhuma das hipóteses é perfeita. Segismundo.

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Livro de cheques da Caixa Geral de Depósitos, v. Será que é apenas porque inventaram a sopa que as mães gostam dos filhos? Segismundo.

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2006-10-04


So long, Marianne. Porque abundam os mamadores, há muito tempo que o que atrai na República são sobretudo os seios desnudos. Nicky Florentino.

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A constituição do melhor dos mundos. Qualquer exercício arqueológico redunda necessariamente na seguinte conclusão, na origem de qualquer mal houve uma mãe. Segismundo.

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Exercício de rapsódia, i. Cai a oscilação e a grandeza entre os lugares mortos logo pela manhã, até que, pela voz de Leonard Cohen, soa dance me to the end of love, o engano estendido. Segismundo.
imagem © Luis Buñuel (do filme El Ángel Exterminador)

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Entre o ultravioleta e o infravermelho. O espectro simbólico acrescenta uma dimensão superlativa à realidade. Na prática e pela prática, esse espectro serve a relação com a realidade num duplo sentido, porque, por um lado, reveste a realidade de uma película e, por outro lado, confere uma sensibilidade para essa mesma película. Pelo que, com frequência, o espectro simbólico é utilizado para estender a realidade para além de si, do que é visível a olho nu. Fundam-se, assim, todas as geometrias. Segismundo.

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Livro de cheques da Caixa Geral de Depósitos, iv. Há a angústia da morcela perante a verdade? Segismundo.

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2006-10-03


Destinos. Em entrevista estampada na última edição do Sol, disse o senhor procurador geral da República, “não há códigos de processo penal só para vips”. Esta noite, na teelvisão, disse a senhora Doutora Maria Filomena Mónica, “as pessoas nascem bonitas ou inteligentes”. Segismundo.

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Também. Aqui, neste fosso negro, como o Eduardo, desconfiamos “dos mamíferos que lêem Wittgenstein na praia”. Segismundo.

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Livro de cheques da Caixa Geral de Depósitos, iii. Por que é que a normalidade não é uma medida estatística? Segismundo.

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Rien ne vas plus. Mão após mão, o mistério das sereias estende-se às figuras do baralho de cartas. Segismundo.

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2006-10-02


A lamúria do senhor tchauadeusóvai-tembora. O senhor dr. Jorge Sampaio saiu da honra de senhor presidente da República sem saber o que raio havia acontecido com o famigerado envelope nove. Confessou por estes dias que continua sem saber. Nem é mais nem é menos do que os outros. Agora como antes. Nicky Florentino.

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Devir. Admitindo o tempo como sendo uma casa, o futuro não é o que está para além de cada porta antes de ser aberta. Segismundo.

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Escala de leopardo, i. As manhãs são sem o apregoado esplendor. Prova disso é o facto de, se por algum motivo necessitar cirandar aquando a aurora dos comuns, o noctâmbulo tender a confrontar-se com um ror de criaturas letárgicas e remelosas, mas sem a condição de predador já acordada em si. Segismundo.

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Lentes de contacto, iii. Abre os olhos, mula!, que a carroça vai cega. Segismundo.

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Livro de cheques da Caixa Geral de Depósitos, ii. A solidão é a forma sublime da humanidade? Segismundo.

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2006-10-01


Voxi. Imagine-se o caso de alguém que ouve vozes que mais ninguém ouve e que, dentro, crescem-lhe desde o murmúrio, ouve lá, até ao regateio de bazar, diz-me. Por que é que esse alguém há-de necessitar que outros testemunhem essa intimidade? Segismundo.

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2003/2017 - danados (personagens compostas e sofridas por © Sérgio Faria).