<body><script type="text/javascript"> function setAttributeOnload(object, attribute, val) { if(window.addEventListener) { window.addEventListener('load', function(){ object[attribute] = val; }, false); } else { window.attachEvent('onload', function(){ object[attribute] = val; }); } } </script> <div id="navbar-iframe-container"></div> <script type="text/javascript" src="https://apis.google.com/js/plusone.js"></script> <script type="text/javascript"> gapi.load("gapi.iframes:gapi.iframes.style.bubble", function() { if (gapi.iframes && gapi.iframes.getContext) { gapi.iframes.getContext().openChild({ url: 'https://www.blogger.com/navbar.g?targetBlogID\x3d5515885\x26blogName\x3dAlbergue+dos+danados\x26publishMode\x3dPUBLISH_MODE_BLOGSPOT\x26navbarType\x3dBLUE\x26layoutType\x3dCLASSIC\x26searchRoot\x3dhttp://alberguedosdanados.blogspot.com/search\x26blogLocale\x3dpt_PT\x26v\x3d2\x26homepageUrl\x3dhttp://alberguedosdanados.blogspot.com/\x26vt\x3d-3105585526933720520', where: document.getElementById("navbar-iframe-container"), id: "navbar-iframe" }); } }); </script>
Albergue dos danados

Blog de maus e mal-dizer 

2007-11-30


Pardon my english. Portugal don’t, pois claro. O inglês técnico demonstrado em chão indiano pelo senhor eng.º José Pinto de Sousa é demasiado independente para ser inglês ou técnico ou o raio que o parta. Nicky Florentino.

Referência



Bolsa de palpitações. Dia de greve, qualquer espécie de greve, assim ou assado, é dia de disputa em relação ao número de aderentes à dita. Os sindicatos ou as frentes ou as plataformas de trabalhadores dizem coisa e tal, o governo ou as confederações patronais dizem nem pensar. É óbvio que a hermenêutica de uma greve vai para além do recenseamento e da consequente estatística descritiva de quem se absteve da jorna. É óbvio que, em função da fonte considerada, pode haver discordância sobre o número de grevistas. O que não é óbvio, porque clivagem demasiada, é o tamanho da disparidade dos números publicitados pelas diferentes partes. É patético apenas. Nicky Florentino.

Referência



Escala de Mauss César das Neves, xli. Ninguém dá lições de moral. Segismundo.

Referência



Heartulicreme. Enquanto ração de combate, o amor é menos do que um croissant com chocolate. Segismundo.

Referência



Bukowski, uma canção. O flanco do coração morto, dois aurículos e três ventrículos, o regresso à condição visceral, o acordo do animal consigo, uma mão cheia, a outra mão apoiada na boca, a cabeça no chão. E, ao lado, um cão, a ganir. Segismundo.

Referência

2007-11-29


Escala de Mauss César das Neves, xl. Ninguém dá sangue. Segismundo.

Referência



Heartomtom. O amor é um marcador mortal. Segismundo.

Referência



Dias blood skin, ii. Wim Wenders, sabe-se lá. Em abstracto é sim. Mas em concreto, o que às vezes é sim, às vezes é não. Claro que é diferente com Sam Shepard. Mas, mesmo assim, não é promessa ou sentença eterna. Segismundo.

Referência



O jagunço. Encostado ao balcão, ele fazia a apologia da dedicação, do esforço, do serviço, do trabalho. O outro, sentado numa mesa, interrompeu-o. Sim, é através do trabalho que a condição humana tem hipótese de realizar-se, é verdade. Mas, com a adversativa levantou-se e aproximou-se dele, em muitas circunstâncias, resultado do regime de alienação que existe e engana, a glória que daí decorre é a confirmação da subordinação e a consagração da exploração apenas. Ao fundo da sala, indiferente à disputa entre os dois homens, o vulto de alguém ensaiava um exercício de pizzicato num violoncelo. Sem deter-se, o outro, após um desvio rápido do olhar, continuou a digressão. A glória é uma epifania, um efeito delirante, não é um artefacto, não é um produto, não é, diga-se assim, a consumação da mão de obra. É por isso que, em prol do socialismo, é devido o combate a todos os obstáculos à distribuição equilibrada e sã da riqueza, o primeiro e o mais resistente dos quais é o toto sob as suas diversas formas, bola, loto ou milhões. E ele, ainda encostado ao balcão, pousou a esferográfica com que acabara de preencher o boletim com o qual ia tentar a sorte. O Marquês.

Referência

2007-11-28


Exercício de complicação. É notícia que, no parlamento, ps e psd chegaram a acordo em relação a um novo modelo de constituição dos órgãos municipais. A ser como vem exposto na edição de hoje do Público, e não custa acreditar que seja, é o que era expectável, um caso de estupidez legiferante. Estupidez sobejamente agravada pelo enunciado de intenção subjacente, resolver um problema que não é problema. Nicky Florentino.

Referência



Marcha à ré. Pretender transformar um partido-cartel num partido-empresa é querer cair de cima de um cavalo para baixo de um burro. Mas o senhor dr. Luís Filipe Menezes julga que é assim, desde baixo, que vem a modernidade do psd. Nicky Florentino.

Referência



You’ll never walk alone. Actualmente, os jogos do Futebol Clube do Porto não são apenas contra os adversários de estirpe vária. São também contra o mister Jesualdo Ferreira. Na prática, são um exercício de resistência dupla. Para verificar até que ponto é possível reservar as redes à guarda da rapaziada da insígnia certa e, em simultâneo, resistir ao efeito pernicioso de uma espécie de anta, anta no singular, sentada no banco. Intendente G. Vico da Costa.

Referência



Mais um. A sociedade civil sabe tanto de aeroportos quanto o João sabe da economia e da sociologia de fazer meninos. Estamos safos. Segismundo.

Referência



Escala de Mauss César das Neves, xxxix. Ninguém dá por ela. Segismundo.

Referência



HearTirol. O amor é mais frio do que a cabana do avô da Heidi. Segismundo.

Referência



Procissão dos dias comuns. Isto está tudo mais ou menos em fase «o caralho». Autenticamente fase «o caralho», que é o interlúdio indefinido entre a vaga sossegada e o apocalipse. A paciência a roçar o zero negativo. Os créditos em mãos alheias. O spread, a euribor, a cotação do crude em pipo Brent. O preço do açúcar mascavado e o senhor comendador Joe Berardo a perorar. Quase a acreditar que o pai do menino Jesus não é um amigo imaginário, mas é uma encarnação vetusta do Jack Bauer. Quase a admitir que há virgens em segunda mão e que, no fosso ou no paraíso, elas são como o alecrim aos molhos. Quase a julgar que isto coaduna-se com todos os dias e todas as horas e a sua continuação. Mas não, não pode ser. Assim é a fase «o caralho mais velho». E para essa, ufa, ainda falta um bocadito. Ou o caralho. Segismundo.

Referência

2007-11-27


Escala de Mauss César das Neves, xxxviii. Ninguém dá notícias. Segismundo.

Referência



Página do livro das latitudes, xii. Na orientação que inaugura, qualquer princípio é final. Segismundo.

Referência



HearTellado. O amor é sempre uma história mal contada. Segismundo.

Referência



Maria roadkill, ii. A tua ideia de tesão faz-me impotente, lamuriou-se ele. Eu sei, falta-te sangue, elucidou-o ela, fui eu quem o sugou. O Marquês.

Referência

2007-11-26


O regime dos nenúfares. O que se espera do presidente de um partido político é que seja mais do que um marcador tumoral e, por conseguinte, que a respectiva palavra constitua uma garantia quanto ao que virá de si. Para tanto é necessário não falar demais. Mas o senhor dr. Luís Filipe Menezes não é capaz disso. E, por conta de intenções antigas que não há muito tempo abjurou, agora tenta harmonizar assuntos regimentais com os socialistas. Temos senhor. Nicky Florentino.

Referência



Heartamagotchi. Até que a morte aparte é tanto amor demasiado quanto amor com duração curta. Segismundo.

Referência



Escala de Mauss César das Neves, xxxvii. Ninguém dá uma para a caixa, mesmo a de previdência. Segismundo.

Referência



Logout, i. Corre muito quieto, esgravata, passa, nada diz. Escreve no caderno enquanto caminha, coça a cabeça, raspa as lêndeas com as unhas. Mastiga apressadamente a carne, o bolo de carne assada. Escolhe um shampoo da prateleira, anti-caspa, com condicionador. Agora passa mais devagar, cospe, molha o lápis na língua e escreve no caderno, numa caligrafia de falido, de muitos cheques mortos na compensação em lisboa, assento de insânia. Puta que o pariu, está a acabar, quase a acabar, mas ainda não acabou, mas vai acabar agora. Deita o caderno no chão, pisa-o com um pé, pisa-o com o outro pé também, rasga a folha onde escreveu assento de insânia, guarda-a num bolso das calças. Filho da puta, não há mais quem. O bolso está roto. Ele passa outra vez quase sem passar. A folha cai, perde-se. E a chuva cai sobre a folha. É o fim, este fim, só falta escrever uma última vez assento de insânia, antes de terminar. Cá está, assento de insânia. O Marquês.

Referência

2007-11-25


Escala de Mauss César das Neves, xxxvi. Ninguém dá horas. Segismundo.

Referência



Página dos googlemas. O dia até estava a ser bom. Mas, não obstante a claridade de aço das manhãs de Novembro, com Maria Gabriela Lençol não ficou melhor. Segismundo.

Referência

2007-11-24


Escala de Mauss César das Neves, xxxv. Ninguém dá presentes. Segismundo.

Referência



O camarada. Eu dou-te o socialismo. Cerrou o punho e assestou-lhe um murro. Depois, sequência imediata, outro e outro mais. Deteve-se quando lhe percebeu o sangue na face, sangue abundante, evadido do lábio rasgado e do nariz. Parece que também te ajudei a descobrir em ti a cor do socialismo. Chama-lhe solidariedade, se quiseres, embora não seja necessário. O Marquês.

Referência

2007-11-23


Escala de Mauss César das Neves, xxxiv. Ninguém dá com aquilo. Segismundo.

Referência



Estúdio realidade, iii. O caminho para deus é o caminho de regresso à morte. Segismundo.

Referência



Porque um rapaz não foi feito para acordar cedo. Não obstante a sua inutilidade - inutilidade agravada pela circunstância de ser suportada por exercícios de uma disciplina inútil -, uma conferência é uma coisa bonita e tal que acontece quase sempre na cidade grande. Um gajo ter que levantar-se à hora que costuma deitar-se para participar numa conferência é que não é bom augúrio. Ou o caralho. Que é o que ele decidiu dizer quando começar a conferenciar, para dar o tom devido e não enganar a audiência quanto à sua disposição a conversas sofisticadas antes da hora de almoço (ou, em rigor, a qualquer hora). Segismundo.

Referência

2007-11-22


Escala de Mauss César das Neves, xxxiii. Ninguém dá aulas. Segismundo.

Referência



Maria roadkill, i. E quem és tu?, perguntou ele. Stormy weather é o meu tempo e o meu nome, meu amor, disse-lhe ela. O Marquês.

Referência

2007-11-21


Escala de Mauss César das Neves, xxxii. Ninguém dá conselhos. Segismundo.

Referência



Dias blood skin, i. Por exemplo, Björk, uns dias sim, outros dias não. Agora, nestes últimos tempos, é quase nunca. E com tal frequência é a incredulidade, tanta, sangrada em vergonha, que sobra uma interrogação sem resposta, como é que antes foi possível ter sido diferente do que é hoje? Talvez amanhã seja diferente. Segismundo.

Referência

2007-11-20


Escala de Mauss César das Neves, xxxi. Ninguém dá aparência de. Segismundo.

Referência



Estúdio realidade, ii. Há demasiado deus nos órgãos sujos, como o fígado, por exemplo. Segismundo.

Referência



Os feitos e os defeitos de Lazy González, xi. Ele pegou o canivete que estava sobre a mesa. Abriu-o, cravou-o numa maçã e rodou-a, cindindo-a em duas partes. A morte tem uma propriedade extraordinária, a sua irreversabilidade. Chegada a alguém, esse alguém resume-se ao que foi antes. E isso permite limpar o mundo e dar-lhe mais depois. Dito isto, estendeu a mão, para dar uma das metades da maçã à mulher que estava sentada ao seu lado. Ela assentou os olhos nele e, não quero, recusou rispidamente a oferta. Talvez não queiras, mas, porque minha vontade, quereres vai ser o teu destino. O Marquês.

Referência

2007-11-19


Auto dos suplicantes. Aqui entre nós, quando é que o cds/pp lança uma petição para motivar o estado a divulgar a listagem dos documentos digitalizados por mando de sueminências os outrora senhores ministros de qualquer pasta, aérea, marítima ou terrestre? Nicky Florentino.

Referência



A deontologia é uma coisa muito complicada, paráfrase. O aborto praticado por um médico nas condições previstas na lei é uma falta deontológica grave? É. Mas o médico pode praticar o aborto à mesma? Pode. E o que é que lhe acontece em termos de sanção disciplinar por causa dessa falta deontológica grave? Nada. Nicky Florentino.

Referência



Talk show. ¿Por qué no te callas?, em rigor, é uma pergunta, não é uma ordem. Segismundo.

Referência



Missa do sétimo dia. Sei o que falo, falo o que vejo. Christopher Moltisanti, moço de aspiração e inspiração fraca às mãos do tio Soprano, foi finado na semana passada nos televisores de Portugal. O que é o motivo para a digressão seguinte. As mãos talvez sejam o domicílio do mal, mas, aquando a sua consumação, devemos procurar os olhos, a exibição do mal pela sua contemplação aí. Pois é justamente aí, nos olhos, que, condição mortal, o mal se mostra melhor. Segismundo.

Referência



Escala de Mauss César das Neves, xxx. Ninguém dá a mão à palmatória ou a outra mão. Segismundo.

Referência



Vaudeville dez. A humanidade descobre-se descobrindo os seus ossos. Segismundo.

Referência



O fim da esperança. O mundo é um erro e, se não for incentivado à mudança, a sua ordem permanecerá estancada no engano. (hesito, consciente que partida sou muitas, inteira sou uma só. se calhar mais do que hesito, resisto, una, íntegra, mas talvez não devesse resistir, talvez devesse deixar retalhar-me, constituir-me um arquipélago moral capaz de acompanhar o coro de vozes e deuses que, logo na atitude, tentam a minha dispersão) O comandante do bombardeiro, a bomba foi largada, informou a tripulação. (aleluia, a bomba) Na sequência, no posto de comando estratégico, ouviu-se uma voz grave, agora o que há a fazer é preservar a tranquilidade, manter os olhos no écran, esperar, a instar os presentes. Dentro de aproximadamente dois minutos poderemos verificar o resultado da missão. (a recusa que sinto e tento é inefável. a temperatura parece mais elevada do que é costume, transpiro) Dois minutos, está quase. O silêncio acompanhou a demora. A ansiedade cresceu com a espera. Apenas uma pessoa parecia calma, correspondendo à intenção afirmada pela voz que foi ouvida. Essa pessoa não era ela, era o assistente do comando, um jovem com patente baixa, que segurava um livro aberto na mão esquerda. Na mão direita tinha um lápis, o que sugeria um exercício de leitura particularmente atento. Na sala permanecia a suspensão e a tensão. A cadeira de um dos operacionais de informações rangeu. Ouviu-se um ruído metálico. Após esse instante tornou o silêncio. No écran continuava a ser exibida a deslocação vertiginosa da bomba, a sua aproximação ao alvo. Entretanto o assistente pousou o livro sobre a secretária e encontrou o lápis com uma das suas páginas. (que livro é que ele está a ler?, simulacres et simulation?, como é que ele pode estar tão calmo numa circunstância destas?, circunstância derradeira) Começou a sublinhar uma frase, car l’explositon est toujours une promesse, mas fez uma pausa breve no gesto, para encarar o écran, antes de retomar e terminar o sublinhado, elle est notre espoir. Faltam quinze segundos, ouviu-se pela última vez a voz grave. (quantos segundos?, quanto tempo é que falta exactamente?) Pouco depois outra voz, menos grave e mais sincopada, iniciou a contagem decrescente, Dez, nove, oito, sete. Nesse momento, como se tentasse interromper o ritmo do cronómetro, o assistente do comando levantou-se e sussurrou algo, elle est notre espoir, que nenhuma das outras pessoas presentes percebeu. Cinco, quatro, três, dois, (é agora) um, z. O que é que aconteceu?, o que é que aconteceu? O Marquês.

Referência

2007-11-18


Cenas do regime rectangular e suas adjacências. Os madeirenses temem nada e ninguém, os madeirenses ficam sempre por cima, disse em jeito resmungado e patriótico o senhor dr. Alberto João Jardim. Se não fosse sabido neste tugúrio que o Jack Bauer não nasceu na província ultramarina da alucinação banana, atraver-me-ia a admitir que, sendo como é, intrépito, temerário, a lança urgente do bem e pelo bem, ele também é oriundo lá do arquipélago dos madeirenses. Que, para quem não saiba, um dia foi descoberto por Gulliver, de quem Swift nunca reportou a quinta viagem. O Shrek, esse, nasceu depois. E, embora ogre e verde, também fica sempre por cima, como os madeirenses. Nicky Florentino.

Referência



O homem que copiava. Pode constituir-se como dever e garantir-se um conjunto de presunções. Foi o que fez o senhor dr. Paulo Portas, quando ordenou a cópia de um acervo documental vasto, resultado das suas estâncias em senhor presidente do cds/pp e em senhor ministro dos governos décimoquinto e décimosexto constitucionais, imediatamente antes do tombo, corriam as primícias de doismilecinco. Agora que se sabe este facto, muita consternação foi suscitada, porém nenhuma por fundamento atinado. Pois o que o fulano devia ter feito era mais convencional, adquirir um triturador de papel. Nicky Florentino.

Referência



Escala de Mauss César das Neves, xxix. Ninguém dá corda ao relógio. Segismundo.

Referência



A continuação do fim do mundo. Estava o mundo posto em seu sossegado sossego quando. Foi parido alguém que há-de chamar pai a um gajo cujo nome é uma nacionalidade escandinava tematizada no masculino. Não é a melhor forma de começar, sequer é boa herança, é o destino apenas. O primeiro berreiro prova a consciência da criança e o choque relativo a isso mesmo. O pai, esse, julga que o filho está desde o princípio a treinar para ser o próximo vocalista dos Iron Maiden. Que lhe valha, pois, a mãe. Segismundo.

Referência

2007-11-17


Escala de Mauss César das Neves, xxviii. Ninguém dá cabeçadas na parede. Segismundo.

Referência



O reino, ii. Acentuado arrefecimento nocturno é o nome de uma condição, condição demasiado íntima para poder ser renunciada sem sofrer-se o avesso da febre e a consequente condenação. Há quem, mais do que sobreviva, viva assim. E viva bem. Porque, como no frigorífico, na escuridão fria quase não há outros. Segismundo.

Referência

2007-11-16


Escala de Mauss César das Neves, xxvii. Ninguém dá pão com azeitonas. Segismundo.

Referência



All dolled-up in straps. Vem de perder. Mais concretamente vem da condição, não vem do processo. Vem da perda, portanto. Vem pelo acesso por onde chega quase tudo. Mas chega desde o lugar de uma disputa. Vem do conceito de atmosfera disputado a deus. Vem de experimentar esse conceito e essa disputa em mais do que a pele. Vem do lado de levante, das horas que são aí. Vem da espiral e da vertigem, do murmúrio tentado sobre o silêncio. Vem das marcas em cicatriz, do subterrâneo, do sangue sujo, maculado, preenchido de culpa. Vem da orfandade, do mistério de matar poemas com clorofórmio, do ciúme. Vem da frente, vem do absurdo, da possessão, do alor de levantar o castigo e o seu motivo. Vem de incendiar o horto, vem da variante fantasmática, do reino capitulado. Vem do atraso, da sentença. Mas, certeza, não vem para ficar tão perto ou para ficar sequer. Segismundo.

Referência



O mordomo dos suplícios. Assim não, clamou ele, interrompendo o gesto do outro, assim não. Aproximou-se. Assestou um pontapé no abdómen da mulher, que gemeu e caiu, tentando recolher-se na posição fetal. Sem deixar de olhar a mulher, agora prostada, tirou a vara da mão do executor da sentença. E, é assim, vês?, demonstrou-lhe o modo de cumprir o ofício, com dever e satisfação por cumprir o dever. O Marquês.

Referência

2007-11-15


Escala de Mauss César das Neves, xxvi. Ninguém dá chapadas ou palmadas. Segismundo.

Referência



Pastoral malus. Como as noites de novembro, as maçãs estão frias. Ainda assim a fome aproxima-as da boca. É deste modo que começa o exercício. Os dentes rasgam e moem a sua polpa. A língua constata a temperatura baixa. No instante de tornar o frio mais íntimo, no súbito da contracção faríngica, acontece a sensação de Holofernes a ser degolado por Judite. Depois passa. E o ciclo repete-se. Uma, outra vez e outra vez mais a sensação de ser o corpo no qual um corpo estranho, és tu?, Judite, confirma a sedução, o engano e a culpa. E tudo isto porque no princípio era a fome. Segismundo.

Referência



Spleen reset, ii. Quando chega pelo lado da urgência, que é o lado pelo qual é assaltada mais frequentemente, vê-se um espectro apenas. É quase como se ela não chegasse. Ou chegasse o seu carácter animal, sem mais. Todos a tentam olhar nessa ocasião, sobretudo os homens, mas não conseguem. Há sempre algo, uma sombra, uma parede, um carro que passa, uma distância, a miopia, que se intromete na perspectiva e não permite constatar o corpo dela, que passa rapidamente. Está a pedi-las, não está?, disse uma vez um dos velhos que joga às cartas na praça. Os homens, como não a vêem, imaginam-a. Naquele dia, para os provocar, ela passou a tarde no jardim da praça. Os velhos, transtornados pela sua presença, foram sentar-se na esplanada, no outro lado da rua, onde o sol era mais inclemente. Ofuscados, mesmo quando colocavam a mão a servir como pala dos olhos, olha a puta, viam pouco mais do que uma silhueta a mover-se. O Marquês.

Referência

2007-11-14


Páginastantas. Espanta que haja quem leia livros que têm a página centoesessentaeum. Espanta que haja livros cuja página centoesessentaeum tenha cinco frases completas. E, mais ainda, espanta o efeito meio tonto que a quinta frase completa da página centoesessentaeum do livro que está mais à mão causa no redil. Exposto isto, porque aqui ninguém tem mãos, apenas pés de cabra, como o diabo, porque neste tugúrio são raros os livros e menos ainda os livros com tantas páginas, para os efeitos devidos ou o caralho, declara-se que a quinta frase completa da página centoesesseentaeum de Sonhos Tropicais (São Paulo, Companhia das Letras, 1992), de Moacyr Scliar, que era o livro que estava mais ao pé, literalmente ao pé, pé de cabra, insista-se, quando não adianta referir o quê, é a frase que segue, entre aspas, “- Você não acredita que eu sou francesa, acredita?”. Se acreditar, fodeu-se. Segismundo.

Referência



Página do livro dos googlemas. Isto chão de mortos e chega aqui alguém na demanda de exorcismo contra sinusites. É o que se chama bem guiado. Segismundo.

Referência



Escala de Mauss César das Neves, xxv. Ninguém dá os bons dias. Segismundo.

Referência



O reino, i. As pessoas, ó as pessoas, querem sempre saber coisas sobre os outros, essa espécie de categoria exótica, que reporta quem habitualmente não entra em casa delas. Por isso as pessoas perguntam, directa ou indirectamente, mais indirecta do que directamente, sobre os outros. Os outros, onde moram?, em que casa?, quantos tês tem?, e tem piscina?, o que fazem?, como ganham a vida?, quanto auferem?, onde é que foram passar férias?, trocaram o bmw pelo mercedes?, ai vão ao restaurante e ficaram numa tenda no parque de campismo?, como é que têm dinheiro para tantos luxos?, com quem se deitam?, com quem se deitavam?, dão-se com aqueles?, ai é? Como o cerdo necessita do chiqueiro para rebolar sem magoar o toucinho, as pessoas precisam de informação sobre os outros pelo mesmo motivo. A comparação com as misérias alheias amortece a dor da miséria própria. Amortece sempre. As pessoas têm sempre vantagem sobre os outros. Vantagem material e ou moral. E, assim, toda a gente vive alacremente. Os outros porque são os outros, uns tristes comparados com as pessoas mas sem a consciência da tristeza que são. E as pessoas porque são os outros dos outros. Segismundo.

Referência



Scenic world. Depois das cortinas, a pele é a defesa derradeira, a última trincheira. Segismundo.

Referência

2007-11-13


A theory of justice. Segundo o Pedro, o princípio de justiça pressupõe a ideia de deus. Ou seja, se se for incapaz de imaginar deus - e porque, depreende-se, não há outro universal disponível à imaginação que permita referenciar a dignidade das pessoas -, não há condições para o exercício da justiça. Ora, deve ser este o significado na massa do sangue do justos, na prática um ateu é um judeu sem pentateuco. Segismundo.

Referência



Escala de Mauss César das Neves, xxiv. Ninguém dá para o peditório. Segismundo.


Escala de Mauss César das Neves, xxiii. Ninguém dá parte de fraco. Segismundo.


Escala de Mauss César das Neves, xxii. Ninguém dá a sagrada comunhão. Segismundo.


Escala de Mauss César das Neves, xxi. Ninguém dá ar ou ares de. Segismundo.


Escala de Mauss César das Neves, xx. Ninguém dá confiança. Segismundo.


Escala de Mauss César das Neves, xix. Ninguém dá peidos. Segismundo.


Escala de Mauss César das Neves, xviii. Ninguém dá socos nos cornos. Segismundo.


Escala de Mauss César das Neves, xvii. Ninguém dá catequese. Segismundo.


Escala de Mauss César das Neves, xvi. Ninguém dá xutos e pontapés. Segismundo.


Escala de Mauss César das Neves, xv. Ninguém dá música, maestro. Segismundo.


Escala de Mauss César das Neves, xiv. Ninguém dá uma ideia. Segismundo.

Referência



Página do livro das sentenças, xlv. O purgatório é um foyer. Segismundo.

Referência



Devil’s a-go-go. Começar exige a assunção de um princípio. Porém, para começar, não basta encontrar esse princípio, é necessário mais, o lance que permite ir além da origem e que, pela ultrapassagem, confirma o princípio como princípio. É aí, nesse momento, que se coloca o problema da convocação da pele. Às vezes vence a inérica. O regime não é diferente para a ressurreição. Segismundo.

Referência



Ressureição. Arrombou a porta com estrondo. Depois vociferou. Não sei se os odeio. Nunca os amei, isto é certo. O ódio é um sentimento demasiado forte, demasiado exigente, mais do que o amor. Por isso julgo que não os odeio. Se nunca os amei, se nunca consegui amá-los, e em muitos momentos até teria sido fácil amá-los, julgo que não os odeio. Não obstante isto, não lhes perdoo. Quando tomei o veneno e me escondi sob o sobrado, na cave, foi para morrer. Deviam ter-me deixado morrer. Deviam ter-me procurado fora de casa, por aí, no bosque, nas ruínas do moinho, atrás dos muros que contornam as fazendas, nas margens da ribeira, nos locais onde os suicídas tentam o seu destino. Não deviam ter revolvido a casa, a nossa casa, do sótão à cave. Não deviam ter partido as tábuas do soalho para me resgatar. Deviam ter-me deixado a asfixiar no vómito negro, que era o meu vómito, o vómito do meu coração moído. Deviam ter-me deixado partir. Deviam ter-me concedido a liberdade que escolhi, ir. Deviam ter-me esquecido. E, antes, muito antes, fez um compasso de espera para agravar a voz, não deviam ter-me baptizado com o nome Lázaro. O Marquês.

Referência

2007-11-12


Sítio de estilo. Não obstante o abandono, este blog meio filho da puta não morre. Mas ainda há-de chegar a filho da puta inteiro, se tal condição o matar melhor. A ingerência.

Referência

2007-11-11


Sweet and tender hooligan, vi. Mesmo quando empata - e quando não empata muitas vezes não se percebe bem porquê -, o mister Jesualdo Ferreira é uma espécie de Napoleão com duas mãos e uma lobotomia. Intendente G. Vico da Costa.

Referência

2007-11-07


Outubro em Novembro. Noventa anos depois continua a haver inverno. É da dialéctica. Nicky Florentino.

Referência

2007-11-06


Sweet and tender hooligan, v. Mesmo com a fome e o mister Jesualdo Ferreira, deus é grande e tem o apelido Sektioui. Se deus não for marroquino, o apelido é López. Intendente G. Vico da Costa.

Referência



Seis de novembro. O psd está em modo «save the cheerleader, save the world». O que é um problema. Porque o mundo a salvar é sobretudo o mundo do senhor dr. Pedro Santana Lopes, que é também a majorete e o putativo salvador da majorete. É este o enunciado da tragédia comédia. O futuro, está pintado e visto, continua a ser bonito como outrora. Nicky Florentino.

Referência

2007-11-02


Sweet and tender hooligan, iv. O mister Jesualdo Ferreira é uma espécie de poster andante e falante. Intendente G. Vico da Costa.

Referência



Página do livro dos googlemas. Há casos, a criatura engoliu a pessoa, que são tipo uma história inteira. Que se foda. Segismundo.

Referência



Máquina macia, ii. A expressão «deixar os mortos em paz», expressão kantiana, no sentido em que a paz aludida é perpétua, é uma expressão bonita e de hermenêutica fácil. Os vivos não merecem mais a paz do que os perecidos. Segismundo.

Referência



Escala de Mauss César das Neves, xiii. Ninguém dá a extrema unção. Segismundo.

Referência



Página do livro das sentenças, xliv. A necessidade de sobreviver mata. Segismundo.

Referência



A filha da costureirinha. Era uma vez uma menina muito pequena. Tinha braços e pés pequenos. Tinha pernas e mãos pequenas. Os dedos eram pequeninos também. Actualmente ela continua a ser uma menina muito pequena, mas já vai à escola. Deixou de brincar com bonecas. Agora espeta as agulhas nos meninos, não importa de que tamanho, não nas bonecas. Aproxima-se dos rapazes, o tamanho não a assusta. Ajeita a saida. Faz beicinho. Há sempre um que vem. Então ela chega-se ainda mais junto dele e espeta-lhe uma agulha, na barriga, numa mão, num braço, numa perna, na cara, na cabeça, no coração, onde ela quer. E, antes de fugir, para, afastada, dizer a oração de voodu adequada ao caso, já te fodeste, pá, diz ela com a sua voz de menina muito pequena. O Marquês.

Referência

2007-11-01


Escala de Mauss César das Neves, xii. Ninguém dá bolinho. Segismundo.

Referência



O charme discreto dela. Que morria, mais do que ressuscitava, disse. Que, cansado do catálogo dos dias mesmos, agora colecciona outubros. Que são já muitos os que tem, nenhum repetido. Que os guarda junto a um amor com bolor. Que é assim não por omalgia, que ainda os pode carregar todos, se quiser. Que não sofre, mente, porque o amor é sujo. Que é o que é apenas, insiste, corpos encostados, amparo e afecto. Que o pó sobre eles, os corpos dela e dele, é a marca da cumplicidade e da comunidade que têm, tenta, mas não é verdade. O que se vê em ambos os corpos é uma tristeza só, única e a mesma. E já é tarde. Há muito tempo que o princípe morreu. Foi ela que o matou, abrindo-lhe no peito a caverna onde domiciliou uma bomba, bomba que acordou depois com um sopro seu. Pelo que, embora ainda não saiba, ele, que sempre a quis, foi quem a deixou, deixando-a fazer o que fez. O Marquês.

Referência

2003/2017 - danados (personagens compostas e sofridas por © Sérgio Faria).