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Albergue dos danados

Blog de maus e mal-dizer 

2007-06-29


We were born the mutants again with leafling. Em mirandês de Mato Miranda, pá, é que a gente se entende. Segismundo.

Referência



The past is a grotesque animal. Viver é deixar o passado e o futuro atrás e, ao mesmo tempo, carregá-los. Segismundo.

Referência



Passagem. No vão de acesso ao patíbulo, havia uma placa com a inscrição «salvar-te-ás pela culpa ou não salvar-te-ás». o Marquês.

Referência

2007-06-28


Corpo e manifesto. A propósito. Há quem julga que o sexo é um exercício asseado, de leito estrito e, não menos importante, de escrutínio divino. São as criaturas castas ou quase castas. Depois há aquelas e aqueles que julgam que a masturbação é o patamar imediatamente após a castidade e que deus não consegue ver debaixo dos lençóis. Não é preciso ser o Jack Bauer ou um perito em CSI para saber que as coisas não são bem assim. Há umas luzes ou uns pós que, mesmo após o skip da imaculação, permitem constatar o pecado do derrame. Casos mais raros, há os que perfilham a ideia, nunca correspondida, de matar ou morrer por um fellatio. Com perfil mais audaz e ousado, há as e os que julgam que, dentro de casa, os limites do sexo são o chão, os tapetes, o tecto, o candelabro, as paredes e as portas. Têm a mania de arrojar a mobília e geralmente são as e os que julgam ainda que o truca-truca não é um exercício exclusivamente indoor e que a capacidade de contorcionismo e a gravidade são as fronteiras das manobras performativas. Há ainda quem não se incomode com os números - portanto, que não é adepto apenas do «uma mais uma», «uma mais um» ou «um mais um» - ou com os tipos de instrumentos (incluindo os de tuning) ou postigos usados. Por fim, há manifestamente quem não tem corpo ou cu para mais. E cabeça - ai a falta que faz a trepanação - também não. Como é óbvio, não há elegia ou hóstias para isso. Segismundo.

Referência



Satin in a coffin. Depois, tarde, muitas vezes tarde demais, compreende-se o que não se compreendeu antes. Segismundo.

Referência



uma mão sobre Philip Larkin, i. Um olhar turvo sobre o mal. Ainda mais turvo sobre o amor. Da janela, topada com soberania na casa, não vislumbra qualquer alma viva ou morta. O calor sopra. Sente o corpo a estalar, a exigir veneno, mais veneno ou outro veneno mais forte. Chega-lhe o perfume dos frutos do pomar jacente, cujas árvores, puxadas para o plano da raiz, estão vergadas pela sede. Por instantes fecha os olhos, como se tentasse evacuar a alma e ficar em comunhão telúrica com os elementos que deixou de ver. Como com os graves, o peso da gravidade, a sua, impõe-se sobre os ombros. Ouve com mais clareza as vozes, duas sobretudo. Guarda contra o corpo a mão inquieta. As mulheres não se deixam tocar, as putas, as grandes putas. Está cansado de observar as mães jovens, de as contemplar e desejar quando passam. Começa a lubrificar uma vontade predadora dentro de si. O seu torso exige, clama, contacto com carne estranha. Surge-lhe no rosto o primeiro esgar de prenúncio de gozo. Imaginação apenas. Abre os olhos. Ainda a mesma paisagem revelada diante de si. Depois pousou High Windows sobre a mesa mais próxima, deslizou os dedos, em afago, sobre a capa e saiu. o Marquês.

Referência

2007-06-27


Prevenir o abismo. Cair antes de. Segismundo.

Referência



Bad blood for everybody. O aço que entra na carne, que entra nos ossos também, não é amor, não é ódio. o Marquês.

Referência

2007-06-26


Páginas do livro das embirrações, ii. Jack Bauer, cada vez mais a versão gadget de Walker, o ranger do Texas. Segismundo.

Referência



Trinta dinheiros. O mundo é bonito, radioso, perfeito e o caralho. Explicação. Hoje chegou-lhe às mãos uma presa que perseguia há muito, a edição original de Soziologie. Untersuchungen uber die Formen der Vergesellschaftung. Capa cartonada, páginas impecáveis, volume como novo, mas com cheiro a velho, antigo. De milnovecentoseoito. Da von Duncker & Humblot, Leipzig. Pela módica quantia de trinta dollars. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez, onze, doze, treze, catorze, quinze, dezasseis, dezassete, dezoito, dezanove, vinte, vinteeum, vinteedois, vinteetrês, vinteequatro, vinteecinco, vinteeseis, vinteesete, vinteeoito, vinteenove, trinta, trinta dollars, foda-se, exactamente trinta dollars. E ele sabe lá onde é que fica South Deerfield ou o caraças. Segismundo.

Referência



Quatro. Mundus universus exercet histroniam. Gregório R.

Referência

2007-06-25


No reino dos Campelos assim ou ao contrário. Também em política a capacidade de diferenciar é uma das condições de juízo, enquanto a amálgama é um sintoma do estado cromagnon. Vem isto a propósito da confusão entre planos políticos que frequentemente para aí se patrocina. Agora foi a vez do senhor dr. Paulo Portas afirmar que a sua condição de senhor presidente do CDS/PP está em jogo na eleição intercalar da câmara municipal de Lisboa. Como surge óbvio, se está - e ninguém anda xoné -, isso é concurso doméstico. O que significa que, lá em casa, entre a seita, podem resolver o caso por outras vias, aferindo a envergadura das pilinhas ou o grau de clareza da melanina. Também podem dar cabeçadas em queijos limianos. Vencerá o que, antes e depois, tiver a cabeça mais parecida com um pão saloio. Nicky Florentino.

Referência



Representação democrática. Em situação democrática, a representação política é uma necessidade. Porém, enquanto necessidade, não é necessidade mais por os representados serem estúpidos - que são - do que por os representantes julgarem que não são estúpidos - que são também, entre outros motivos porque são igualmente representados. Nicky Florentino.

Referência



Menoridade. Assim definido, “o referendo só é um instrumento legítimo e adequado para as questões menores” *, suspeita-se que o referendo não é adequado para o senhor dr. Sérgio Sousa Pinto. Não por ele não ser questão, que é, mas por ele, no caso e pela opinião revelada, ser menos do que menor. Nicky Florentino.

* Sérgio Sousa Pinto cit. in Diário de Notícias, n.º 50.488, 25.Junho.2007, p. 64.

Referência



O meu caso mirandês. A mim, o que me fode, fode autenticamente, é não existir um dispositivo biotecnológico qualquer que transforme o que o João escreve num aeroporto. Ou dois. Ou três. Ou quatro. Ou o caralho. O trainàgrandevitesse vem a seguir. Segismundo.

Referência



Olha!, olha!, o Charlie Watts está em Portugal. O escarcéu teelvisivo de hoje em torno do senhor Joe Berardo foi por que alma? Já inauguraram uma agência do banco do milhafre no CentroCulturaldeBelém? ou quê? Segismundo.

Referência

2007-06-23


De la reproduction a les héritiers. O maior dos três - que são quatro - mosqueteiros, o maior em todos os sentidos, já teve oportunidade de guardar o primeiro herdeiro nos seus braços. Daqui, danadamente penhorados, curvamo-nos perante tal facto. Segismundo.

Referência

2007-06-19


Casa na áum. Cada agregado de oito viagens do pêndulo capsular entre as cidades pequena e grande, oito idas e oito voltas, corresponde a um dia, exactamente vinteequatro horas, em trânsito. Hoje vinha ele a tentar esta contabilidade e entranhou-se na sua cabeça, no interior do silêncio fingido das vozes, em looping, um verso fodido abrasivo, I'm a horny loser. Que se foda, até é bonito. Segismundo.

Referência



Os meus problemas com portugueses, i. Não sabe quem é o Bruce Willis, nunca ouviu falar do Bruce Lee, pergunta se o fellatio de que os outros estão a falar é o Conceição, que jogava num clube grego, e, mais grave, assegura que não está a pensar suicidar-se. Segismundo.

Referência



Evidência. Adensam-se os sinais ou o caralho. Este blog necessita suicidar-se. Não é emergência, não é urgência, é o que é. Segismundo.

Referência

2007-06-18


Quereres Miranda. Querer o estado neutro é um modo de não querer estado. Nicky Florentino.

Referência



Correspondência grau zero. O senhor eng.º van Zeller disse que foi assim. O senhor eng.º José Pinto de Sousa e o senhor eng.º Mário Lino disseram que não foi assim. Provavelmente não foi assim e não deixou de ser assim. Sabe-se lá. Quando há criaturas com problemas com a palavra não há Wittgenstein que nos valha. Ainda bem. A política, pelo menos em Portugal, é para isto mesmo, jogar ao pau com os ursos. Nicky Florentino.

Referência



Rua com credo. As crianças, com a sua inocência infante, preparavam-se para lapidar um gato. Ele, que passava, agravou a voz, ão!, ão!, o que assustou deveras os cachopos, que fugiram, a trote e aos berros, para o regaço da tutela. Pouco depois apareceu uma mãezinha, estremosa, histérica, com o dedo em riste, a dizer que alguém assustara a prole e havia-lhe chamado filhos da puta. Ele, que nada sabia sobre esse caso, não teve dificuldade em acreditar. Segismundo.

Referência



Natureza morta. Um demiurgo falhado. Uma ucronia. A distopia, um disparo, um corpo tombado. A necessidade da mesma cor, branco. O luto. Mesa posta para dois, um presente apenas. Dois copos. Sem banda sonora. A palavra demora traçada. A contemplação e a consulta dos astros. Uma experiência, o indicador da mão direita a apontar. Lítio ou nitrato. O destino como arco, como força, como simulacro, como dança. O herói está morto. Os zelotes e os mendigos. Escravos a cavalo. Uma estrada longa, sem trânsito. O incêndio a propagar-se. As cinzas comuns, as sombras. O édito perpétuo. Segismundo.

Referência

2007-06-17


Ver castores. O senhor eng.º José Pinto de Sousa foi assobiado e vaiado em Abrantes. Não se revelou incomodado. E enquadrou o caso no âmbito da “festa da democracia”. Quem não sabe o que é a democracia é propenso a dislates destes. Nicky Florentino.

Referência



Antes voltar a ver o programa TV Rural sobre as laranjas do Pafarrão. É muito provável que hoje o senhor Chávez de Boliqueime que habita em Belém tenha estado sentado diante do écran, a coçar e a empalmar a barriga, ao mesmo tempo que afagava o cocuruto dos netos, tranquilo e contentinho, porque a pátria vai benzinho - na verdade, vamos todos andando mais ou menos benzinho ou o caralho -, e permanece ilustre como aquando o tempo dos nossos egrégios avós e do senhor cardeal Cerejeira. Pelo que o nosso problema actual, o nosso único problema, é a porra da teelvisão, que não bufa à primeira os requintes da oficialidade oblata conforme pretende o senhor presidente da república. Segismundo.

Referência



Conserto. Em tudo há um arrumo possível. Se uma companhia de solenidades fúnebres não conseguir, as ferramentas Freud concebidas para trabalhos duros podem ajudar. Segismundo.

Referência

2007-06-16


O jogo da glória. No instante da sentença, os fazedores - eufemismo de os grandes - tendem à intrasigência, à soberania, porque os outros não fizeram ou não fazem. Iludem-se porém, porque a sua condição, de fazedor, que lhes suscita a sensação de ascendência moral sobre os outros, decorre justamente do facto de outros não terem feito ou não fazerem. Esquecem, portanto, que dependem dos outros, mais exactamente do que os outros não fizeram ou não fazem, para serem fazedores e, por isto serem, atribuírem-se a legislação e o juízo maior sobre a factura do mundo. O caso, no entanto, é de fractura sobretudo. Segismundo.

Referência



Break my body, hold my bones. Uma sensação velha, porém arredada, tornou-lhe. Tudo demasiado vago em torno, certo apenas o corpo. O caminho, um caminho, subitamente aberto horizonte. A frente constituída em demasia, excesso que perturba por não permitir orientação. As escalas e as legendas deixaram de operar nos termos habituais, da confiança. A distância deixou de ser compreendida. Ao mesmo tempo, sentiu o espectro de si cingido à pele ou mais, porque mais do que agasalho, talvez cingido à carne, talvez até cingido aos ossos. De um arrombo, este efeito estranho instalou-se no seu corpo, colonizou-o, como se fosse anestesia. A órbita do seu ser estreitou-se, o alcance dos seus gestos apertou-se. Sentiu o ar comprimido. Desde este momento, partir a solidão implicava partir o corpo ou partir do corpo. Foi, como foi, sozinho. O Marquês.

Referência

2007-06-15


A bolha. Vá lá saber-se porquê, a senhora arq.ª Helena Roseta manifestou que o resultado da sondagem publicitado na edição de hoje do Público não corresponde à sensação que recolhe no terreno. Todavia, à cautela, lá desfiou a conversa sobre a cobertura televisiva da pré-campanha para a eleição intercalar da câmara municipal de Lisboa. Que quase não lhe têm dado atenção ou têm-lhe dado uma atenção cronometrada inferior à que concedem a outras candidaturas. Até pode ser que assim seja. Mas por que raio é que a senhora arq.ª Helena Roseta julga que a empreitada de galopinagem da campanha referida merece foro televisivo? Acaso assomou-lhe ao juízo que o trote dos candidatos perfilados é em função de honras autárquicas e não de panteão? Por mais que a coisa interesse aos lisboetas, as restantes massas pátrias merecem não ser incomodadas com a parada municipal de Lisboa. Era só o que faltava. Nicky Florentino.

Referência



O regime da desvergonha. Portugal é um fosso. Sabe-se isto não apenas por via da constatação do défice orçamental do estado. Sabe-se isto sobretudo pela evidente incapacidade política de informar decisões e de decidir sensatamente. O caso do aeroporto é um exemplo apenas. Campeia a incompetência. Grassa a irresponsabilidade. Não, não é pequenez apenas. É despudor e desfaçatez a rodos também. Nicky Florentino.

Referência



Página do livro dos equívocos, xii. Provisão não é previsão. Segismundo.

Referência



Ai, ui, atirem-me água fria! Aqui, neste tugúrio, quando se ouve o nome do senhor comendador Joe Berardo junto à palavra Benfica o estremecimento cultural atinge o zénite. Segismundo.

Referência



Cárcere, ii. O problema do corpo decorre do facto de a sua superfície de embate ser a natureza, corpo outro do qual o corpo mesmo faz parte por mundo. Segismundo.

Referência



Cárcere, i. O problema do corpo decorre do facto de a sua superfície de embate ser o mundo, corpo outro do qual o corpo mesmo faz parte por natureza. Segismundo.

Referência

2007-06-14


Empório. Outro com fixações estranhas, Jack Bauer e veados. Segismundo.

Referência



Por essas bordas do mundo e além. Verifica-se, ó Francisco, que, como as Marias, somos muitos. Segismundo.

Referência



Os meus problemas com Portugal, iv. Norrin Radd é um mariquinhas-pé-de-salsa. E Jessica Alba, como costume, tem um arzinho enjoativo, demasiado ai-não-me-fodas-que-eu-não-sei-arder. Segismundo.

Referência



Escala de Wittgenstein, iii. Em termos lógicos fundamentais, tentar um discurso até à autenticidade é tentar a sua desaparição. Segismundo.

Referência



A biografia. O contrato cessaria após as exéquias do biografado. Pelo que, enquanto ele vivesse, ela, a biógrafa, deveria acompanhá-lo em todas as circunstâncias, as públicas, as privadas e as íntimas, sem que, em qualquer momento, qualquer que fosse, ela pudesse ter intervenção sobre os acontecimentos que testemunhasse. Grosso modo, era-lhe exigida atenção, apenas e só. Deveria estar tão próxima quanto obrigasse a verificação dos actos, das palavras e dos diálogos do biografado. Porém também deveria estar tão distante quanto obrigasse a reserva de tais actos, palavras ou diálogos. O que significa que, quanto ao mais, ela deveria guardar-se silenciosa e invísivel, para evitar qualquer interferência na vida do biografado. No início, embora inusitada, a missão pareceu-lhe interessante. Tanto que dedicou-se afincadamente, estenografando tudo o que, pelos olhos e ouvidos, testemunhou, episódios edificantes ou decandentes. Uma noite, imaginou-se deus. Parecia uma carcaça imponente, asada, mas incapaz de alar-se. Como deus, não obstante omnívoro, revelou-se cioso da sua dieta de carne. A sua imponência crescia-lhe e saia-lhe daí, não do espírito. Naquela circunstância, imaginou-se deus com uma dignidade medieval, nobiliárquica, num banquete permanente, afundado entre as vianda que iam colocando sobre a mesa. Ao seu lado e alcance, um cálice sempre cheio, do qual ia bebendo o melhor néctar e com o qual também embriagou as visitas, três jovens belas, com carnes soberbas e firmes, capazes de, pela exposição apenas, amotinarem o corpo de qualquer macho que as visse, mais ainda as três, se juntas. Chegou inclusivamente a vigiar o sono do biografado ao longo de vários anos, para poder reportar o modo como ele dormia. Não obstante a sua dedicação quanto a este parâmetro, o produto da observação resumiu-se a um parágrafo, sem fulgor, cavado num discurso incapaz de expressar devidamente o estado de repouso do contratante. Por isto, por demorar a vida do biografado e por ela pretender livrar-se do contrato, numa tarde soalheira, quando ele passeava pelo parque com uma das suas amantes, decidiu matá-lo. Cismou durante algum tempo sobre o modo como concretizar tal decisão. Porém quase nada se sabe sobre o que aconteceu. Uma mulher incerta, suspeita-se que da sua confiança, cravou-lhe cavilhas, uma em cada uma das suas mãos. Depois açoitou-o. Retalhou-lhe a carne em pequenos golpes, gerando refegos que, em algumas partes, permitiram denunciar músculo ou osso. Drenou-lhe o sangue. Temperou-lhe a carne enxuta com calda de enxofre, para a vivificar. Regou-lhe as chagas e os olhos com vinagre. E, em estado de consciência permanente e sofredor, ele padeceu o suplício durante mais de quarenta e oito horas, termo após o qual expirou, como um cão não reclamado pelo dono. Apesar da aturada investigação realizada pelas autoridades competentes, nunca se soube quem o martirizou e porquê. O Marquês.

Referência

2007-06-13


O maioral e os seus súbditos. Se alguém quiser conversar sobre a autonomia da RádioTelevisãoPortuguesa, estamos conversados. O senhor presidente da república confundiu serviço público televisivo com oficialismo. O conselho de administração da RádioTelevisãoPortuguesa também. Por isso - e porque o respeitinho é muito bonito -, no próximo domingo, vão repetir a xaropada oficial que aconteceu no passado domingo em Setúbal, respeitando, na íntegra e em diferido, o formalismo rançoso da cerimónia. Daí que as chagas do escudo da bandeira estariam melhor, se estivessem, em algumas cabeças. Nicky Florentino.

Referência



Entre Προμηθεύς e Σίσυφος. Outrora, com o apogeu do positivismo e do cientismo, a missão da verdade foi outorgada aos especialistas. Os técnicos - criaturas competentes, por definição - deveriam guiar as massas ignaras e ignotas no sentido da luz, como se estas fossem um mamute que, por estupidez ou fossilização, não consegue abrir a porta necessária de modo a seguir a sua jornada por bom caminho - caminho, que, óbvio, é o trilho da felicidade, a vereda dos álacres. E assim se foi vivendo, não obstante o ultramontanismo sugerido por personagens como Robinson Crusoe ou Walden. No entanto, à medida que o fim do mundo se foi aproximando, começou a perceber-se que a verdade é um assunto demasiado importante para ser outorgado em exclusivo aos cientistas e ao seu exército lumpen de engenheiros. No fim de contas, dois mais dois é igual a quatro porquê? O povo - pelo menos em alguns extractos seus - insurgiu-se e começou a reivindicar a sua quota-parte de voz na pronúncia da verdade. O que, perspectivado por determinado flanco, foi uma maravilha, no sentido em que libertou os gentios do jugo da merda da matemática e dos tecno-maníacos. Mas não há bela sem senão. Pelo que, com a popularização da verdade, hoje há mais especialistas em placas de aeroporto e minudências do género - sejam os Otanãos ou os outros - do que bétulas nos arredores da estação ferroviária de Mato Miranda. O que significa que, entre os pro e os contra o novo aeroporto não se sabe onde, estamos entregues a Babares e a Dumbos, as recriações teligentes do mamute. Segismundo.

Referência



Integralismo lusitano. Consta que o senhor presidente da república mandou recado ao conselho de administração dessa entidade pavio chamada rádioteelvisãoportuguesa. Que não gostou que a transmissão da cerimónia comemorativa do dia de Portugal, de Camões e das comunidades portuguesas tivesse sido interrompida. Que o caso é «incompreensível» e «inaceitável» foi assim que redigiu a pena do queixoso. E porquê? Porque um gajo, com a portugalidade a pulsar-lhe no sangue e na honra, onde quer que seja o canto do mundo em que se tenha refugiado, merece ver a cerimónia referida na íntegra. Como surge óbvio, o melindre do senhor presidente da república exorbitou. Para começar, por uma questão de salubridade, deve haver uma distância oceânica entre o rectângulo, este, e as tropelias do funâmbulo Chávez. A seguir, não por acaso, o povo tuga lá longe quer distância. E o daqui, não obstante, também. Para além disso, convenhamos, o funcionamento regular das instituições nada tem a ver com o que o canal teelvisivo público exibe ou deixa de exibir do folclore nacional e da mão penhorada sobre o peito luso. Pelo que um respeito maior respeito aos símbolos pátrios implica a alienação com produtos teelvisivos genuínos, não com as missas pardas de sueminências e respectivo cortejo de ilustres amestrados. Segismundo.

Referência



A varina que teima em passar. Lisboa é sinistra quando calça as socas e marcha. Ao cheiro fétido da sardinha assada junta-se o mofo e a essência de naftalina entranhada nas tradições rés-do-chão. Saem à rua os arcos, os balões e todo um circo de revivalismo trôpego, para manter o facho de antigamente aceso, do tempo em que a vida, ó a vidinha, e as coisas eram autênticas e decentes. A turba manjerica exulta. Os manjericos também. E o cadáver popular arrasta-se num efeito de histerese que demora a passar. Valha-nos a teelvisão. Segismundo.

Referência



Escala de Wittgenstein, ii. Nenhuma palavra é precisa em ambos os sentidos da precisão procissão. Segismundo.

Referência



Os meus problemas com Portugal, iii. A inclinação da cabeça de Horatio Caine no momento da sentença moral. Segismundo.

Referência



Epígrafe. No canto superior direito de uma página de dó menor. primeiro caderno de cantos de mal e dor haverá a seguinte inscrição: his se stimulis dolor ipse lacessit. O Marquês.

Referência

2007-06-12


Escala de Rorty, . No limite, as contingências da vida obrigam dois nomes, ironia e morte. Segismundo.

Referência



Avenida do Brasil, número cinquentaetrês, i. Numa escala de dissonância cognitiva, ver um porco a passear no campo e pensar em dois presuntos é mais grave do que ter visto a efígie de António Sérgio em notas de mil escudos? Segismundo.

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Os meus problemas com Portugal, ii. No fim, o que é que aconteceu a Tony Soprano? Segismundo.

Referência



Grei. Ele seria muito mais feliz se tivesse direito a uma dose diária de c quatro. Segismundo.

Referência

2007-06-11


Os meus problemas com Portugal, i. Wisteria Lane é um parque bairro moral. Segismundo.

Referência



Crónica de uma vida et cætera, v. Ditou-lhe a voz divina, são as cores entranhadas estranhamente no corpo, as cores de muitas noites, talvez todas as noites, não a pele, percebes? São cores de solidão, espessas como as cores de Hopper. Portanto, o problema não é o sofrimento. Também não é o perfume ou a textura da tua carne, não são os barulhos ou as vozes que ouço. Repito, o problema não é o sofrimento, compreendo e faço gosto meu que sofras. O problema é tudo isto, o resto, eu, tu, a nossa circunstância. O Marquês.

Referência

2007-06-10


Então bom dia Lisboa, iii. Depois de ter publicitado ter sete netos, a senhora arq.ª Helena Roseta foi ontem ao mercado de Alvalade e rogou o voto, de que ninguém é dono, às vendedoras locais. Lá, afirmou: “o voto das mulheres é muito importante”. Depois explicou: “estas mulheres sabem o que é governar a vida com pouco dinheiro, e a câmara [municipal] de Lisboa é hoje uma câmara com pouco dinheiro”. Em política, o basismo e o populismo são tropos de comédia. A desfaçatez também. Nicky Florentino.

Referência



O morgadinho do campo grande, iii. Sabe-se da vida que os rigores refreiam a tendência à exorbitação. Por outras palavras, as necessidades tendem a produzir um efeito de sobriedade. O que é é o que é, nem menos nem mais. Ora necessidades é coisa que o senhor dr. Mário Soares aparenta não ter. Atente-se. As senhoras entrevistadoras do Expresso, em mote tonto, perguntaram-lhe se gostaria de ter a fronha estampada em notas “de banco”. O senhor dr. Mário Soares respondeu negativamente. E fez constar que “quando via a efígie de António Sérgio (...) nas nossas antigas notas de mil escudos ficava horrorizado”. Como surge óbvio, cada um vê o que vê e horroriza-se em conformidade. Visões são privilégios que não se discutem. Nicky Florentino.

Referência



O morgadinho do campo grande, ii. Durante a entrevista que o senhor dr. Mário Soares concedeu ao Expresso, aludiram ao diploma em engenharia civil do senhor eng.º José Pinto de Sousa. O senhor dr. Mário Soares, para além de notar o “aproveitamento político e escandaloso” e “com exagero e impudor” que foi feito do caso, sentenciou: “a universidade envolvida já foi alvo de investigação e indicado o seu encerramento, o que me parece positivo”. Nicky Florentino.

Referência



O morgadinho do campo grande, i. O senhor dr. Mário Soares concedeu uma entrevista ao Expresso, que, com excepção do rol de contradições, quase nada acrescentou ao que era sabido sobre o fulano. Um exemplo. Durante a última campanha eleitoral presidencial, com o jeito de quem anda aos gambuzinos, porém com os pés firmes sobre o chão, o senhor dr. Mário Soares afirmou que uma eventual constituição do senhor Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva como senhor presidente da república iria afectar-lhe gravemente o sono. Agora, no entanto, reconheceu que o senhor Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva “tem sido correcto, discreto, pouco interventor, muito prudente” e, portanto, o seu mandato constitui “uma presidência sem surpresas”. Nicky Florentino.

Referência



Escala de Tunick, i. Não se sabe o que virou, se o paradigma, se o sintagma. Antes as manifestações públicas, desde as procissões até às manifestações brutas ou fandangas, com faixas e caixas e bombos e todos os demais apetrechos folclóricos da ciranda, eram manifestações pudicas, com gentes vestidas. Agora, não, há manifestantes que exibem publicamente as suas componentes pudendas, em regime tudo à mostra. Para quê?, para que, através da obnubilação pela nudez, se veja melhor a sua causa. Segismundo.

Referência



Revisões


© Joel Coen, cena d’The Big Lebowski
Segismundo.

Referência



Pátria. Digamos que a vida é mesmo assim, let’s have bizarre celebrations. Digamos que. Let’s pretend. Segismundo.

Referência

2007-06-09


Da atenção. O tédio dissipou-se nela no momento em que, pareciam anzóis a cravar-se na carne, ele começou a explicar o que lhe havia acontecido. O Marquês.

Referência

2007-06-08


O sangue aos oito anos, numa folha de papel quadriculado. Segismundo.

A minha estação favorita! *

-----A minha estação favorita é a Primavera, é quando os animais acordam da hibernação. Também é quando posso ir passear até à mata ou ao pinhal para avistar: esquilos, cobras, aranhas, formigas e muitos mais animais.
-----A primavera é quando as flores voltam a nascer e quando o vento é mais suave logo de manhã. Na Primavera aproveito para ir fazer piqueniques com o resto da família, e ir passear por todo o lado!
-----Na Primavera as andorinhas voltam com o calor e fazem os ninhos debaixo dos telhados, as cobras começão a aparecer e põem os seus ovos. As formigas começão imediatamente a trabalhar para que no Inverno tenham comida suficiente para se alimentarem, enquanto as cigarras cantam
.
* © a sobrinha mais nova dele

Referência



The Matrix, seguido de simplex mas é o caralho. O propósito era claro, limpo e documentado, resolver definitivamente um problema. Após alguns minutos de diálogo, a senhora do outro lado do guichet disse-lhe, muito bem, mas isso não pode ser feito agora aqui, a máquina não permite, tem que se mandar um fax para os serviços distritais e esperar que eles respondam. Ele, desculpe, a máquina? A senhora do outro lado do guichet, sim, sabe?, a máquina não permite, apontou o écran. Ele, á, a puta da máquina... bom fim-de-semana, então. E quando saiu reparou que a puta da máquina das senhas ainda não vomitava o papel que alguém tentava, carregando avidamente o botão. Segismundo.

Referência



Todos iguais e companhia. A conversa não estava a ser interessante. Começou a estar quando o outro confundiu Campanella com Savonarola e chamou utópico a este último. Naquele momento abriu-se um programa de investigação. Ele disse volto já, correu para casa, ao encontro de Montaigne e Vico, e não voltou. Segismundo.

Referência



Postais de Hawthorne, ii. Antes acidente do que paciente. Segismundo.

Referência



Postais de Hawthorne, i. Deveria rolar uma cabeça por cada telhado de zinco. Segismundo.

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2007-06-07


Diversos. O que nos esgota é o ensimesmamento, o corpo tornado sobre si, único, encarcerado no próprio padrão. O que nos acrescenta é a dúvida, a hesitação, a fractura exposta, os caminhos cavados por aí, as trincheiras. Por isso, contra a frente plenária, demasiado soberana, o corpo partido em combate ou as cicatrizes. Segismundo.

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Geometria do encerramento. Se admitisse forma, a obsessão seria um círculo. Segismundo.

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2007-06-06


I learned to stop worrying and love the bomb. Cena pública. Ele olhou para o puto que tinha ambos os braços terapeuticamente enfaixados até acima dos cotovelos. Ele não conhecia o puto, o puto não o conhecia a ele. O encontro foi circunstancial, portanto. Daí resultou um olhar dele rápido, porém inquisidor. A que o puto, cabisbaixo, com ar de terrorista abatido, reagiu com um murmúrio, de facto, estou muito arrependido; muito arrependido, mesmo. Segismundo.

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Produtividade. O director chamou a operadora do triturador de papel ao seu gabinete. Primeiro golpeou-lhe os dedos das mãos, é para aprenderes!, com folhas de papel de sessenta gramas. Depois desdobrou dois clips e, é para aprenderes, Miquelina, que meretrício é outro ofício, espetou-lhe-os sob a unha dos polegares, um em cada. O Marquês.

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2007-06-05


Manobra de cuco. Que o senhor primeiro-ministro vá para o exterior ensaiar o seu jogging polaroid é como o outro. Agora que, em exercício de crítica à oposição, o senhor eng.º José Pinto de Sousa desfie o argumento desenvolvido em The Rhetoric of Reaction sem identificar o respectivo autor, Hirschman, é manobra de cuco. Nicky Florentino.

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Carrossel. Ele já conhece quase todas as rugas do asfalto do corredor por onde, acima, abaixo, correm horas imensas da sua vida. Habituado a esse trânsito, hoje começou a julgar-se uma agulha velha a sulcar as estrias do vinil, por rodar aí horas e horas, numa repetição até à exaustão ou à náusea. Sobre as rotações, isso?, ele não fala. A transgressão é um modo de intimidade. Segismundo.

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Porque a noite de uns é a manhã de outros e eles sabem. Com frequência há problemas que não são problema. Por exemplo, hoje de madrugada, antes das dez da manhã, insistiram, insistiram, insistiram, quatro, cinco, seis, sete vezes, até que desistiram e deixaram uma mensagem. Admitindo que o mundo estivesse a falir, ele ouviu-a atentamente, constatou a vacuidade do caso e, por simpatia, ligou de volta. Atenderam e perguntaram-lhe, então?, afinal já estás acordado? Ele respondeu, vai para o caralho, e desligou delicadamente. Segismundo.

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Jack, o canhoto. Agora salmodiava a súplica, et dimitte nobis debita nostra, pretendendo alcançar a contrição através do rogo. Instantes antes observara com deleite o esgar de horror da senhora, o seu grito abafado, o charco de sangue e vísceras iluminado pelos rasgos lunares claros que alcançavam para além das frinchas da porta. Instantes antes também administrou grânulos de ópio e açúcar à senhora, com o propósito de prolongar aquele estado mórbido e, através dessa garantia dilatória, continuar o seu êxtase. As esporas do desejo acicatavam-no, como se fossem uma febre indómita. Aquela carne, a vibração sofrida e tensa da senhora, a concretizaçãoe e a observação do suplício, libertava-lhe a alma para além do horizonte da maior das delícias. Medrava-lhe a lascívia no corpo e ele emprestava as mãos à obra, como se através de si se manifestasse o demónio. Lambeu o suor, as lágrimas, o sangue, todas as secreções que a violência suscitou naquele corpo. Procedeu conforme a lubricidade que o amotinou, ora com brutalidade, ora com método laborioso, para que a senhora e o sofrimento da sua carne não se esgotassem subitamente. E, ainda antes regressar à lucidez, tentou esgotar o catálogo das súplicas canónicas, ora pro nobis peccatoribus, enquanto o sémen escorria da mão com que se benzia. O Marquês.

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2007-06-04


Então bom dia Lisboa, ii. Ontem, domingo soalheiro, o senhor dr. António Costa decidiu andar de bicicleta em Lisboa. É o equivalente sobre rodas a um mergulho no Tejo. Nicky Florentino.

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Fundo. Tens uma ferida?, vê teelvisão, que cura. Estás a ressacar?, vê teelvisão, que passa. Queres ser feliz?, vê teelvisão. Não sabes o que fazer?, vê teelvisão. És Otanão?, vê teelvisão, para confirmação. Estás cansado?, vê teelvisão. Ela disse não?, vê teelvisão também. A pornografia já não é o que era?, vê teelvisão. Não foste ao cinema?, rasga os pulsos e vai ver teelvisão. Quem é o Andrew Bird?, vai-te foder, pá, vê teelvisão. Nunca ouviste falar do jogo da glória?, vê mais teelvisão. Fizeste greve?, vê teelvisão, talvez lá apareças. Não fizeste greve?, vê teelvisão. Gostas de ir à pesca?, leva uma teelvisão. A agulha é romba?, vê teelvisão, magoa menos. O copo está vazio?, ergue os olhos para a teelvisão. Não lês jornais?, vê teelvisão. Tens medo de andar de avião?, vê teelvisão. Estás a ficar cego?, continua a ver teelvisão e cala-te. Não gostas de tremoços?, vê teelvisão. Deixaste cair as nêsperas no chão?, vê teelvisão. Dás erros ortográficos?, vê teelvisão, para aprenderes. Não sabes quem morreu?, vê teelvisão, talvez informem no noticiário sobre o caso. Viste um fantasma?, vai ver teelvisão, mas é. Não sabes onde estás?, vê teelvisão. Não sabes para onde queres ir?, vê teelvisão. Queres adormecer?, vê teelvisão. Estás a acordar?, liga o televisor. Já pensaste em suicidar-te?, senta-te e vê teelvisão, não necessitas mudar de ideias. Não viste o golo?, sossega, vão dar a repetição na teelvisão. Tens o telecomando na mão?, tens o poder. O spread do teu empréstimo para aquisição de habitação é elevado?, continua a ver teelvisão. Sabes o que é o BCP e o que é o BPI?, vê mais teelvisão e a cotação do psivinte. Não sabes se ela gosta de ti?, vai ver teelvisão. Ou isso ou vai-te foder. Segismundo.

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Invisíveis queridos. O esgotamento. Começa a produzir-se um efeito de desaparição. Apaga-se a ordem, elide-se a forma. Surge nada ou quase nada. Instala-se o apagamento das coisas. Desaparecem os seus autores. O mesmo some-se, não está, não há. A puta da vida não é uma aguarela. Segismundo.

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Escala de Mandrake, ii. Aquele corpo não devia ter aquela voz e vice-versa. Sei o que vejo. Aquele corpo não é daquela voz, aquela voz não é daquele corpo. Sei o que vejo. Vejo corpos, vejo vozes, sei o que vejo. Não vejo bem. Segismundo.

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2007-06-03


An inconvenient truth. Segundo consta, da reunião da trupe bloquista que decorreu durante o fim-de-semana resultou o propósito de uma concentração maior da respectiva acção política em torno de tópicos associados à questão ecológica. Depois de Al Gore e Leonardo DiCaprio, o senhor Prof. Doutor Francisco Louçã na senda do pós-materialismo e a pregar sobre a matéria. A mansidão é uma coisa... Nicky Florentino.

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2007-06-01


A manifestação dos infortúnios. Disse a senhora arq.ª Helena Roseta: “os votos não têm dono”. É justamente por isso que são votos. Como os de pêsames. Nicky Florentino.

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The end. Sempre que alguém dizia e o pano caiu, ele imaginava um piano a precipitar-se, desde a ribalta, sobre a boca de cena, e murmurava para si, que se foda. Segismundo.

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2003/2017 - danados (personagens compostas e sofridas por © Sérgio Faria).