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Albergue dos danados

Blog de maus e mal-dizer 

2007-09-30


Ó desdida, ó infortúnio, ó desfavor. O senhor dr. Mário Soares não anda a dormir descansado desde a tomada de posse da honra de senhor presidente da república pelo senhor Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva. Foi o que ele disse que aconteceria, é o que acontece. Talvez por isso vê desgraças a esmo. Há lá desgraça maior. Nicky Florentino.

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2007-09-29


Sweet & tender hooligan, iv. Três pontos. Mas a mesma oração de livramento pelo mister Jesualdo Ferreira. Que alguém, pode ser o senhor presidente do slb, o leve e guarde em ofícios bons. Intendente Giambattista V. da Costa.

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Tratado novíssimo sobre o método certo do ludopédio e dos matraquilhos no hectare, ii. O futebol é uma ciência novíssima. Sabe-se isto lendo as legendas da colecção de cromos oficial da superliga da temporada presente. Da Panini, claro. Casos relativos ao Boavista Futebol Clube. Carlos, “andou pela Champions em defesa das cores do Steaua de Bucareste; um gato”. Ricardo Silva, “sanguessuga preso à pele do avançado que gira pelos locais que lhe cabem imunizar”. Mário Silva, “um colosso a blindar a sua parcela e a deixar uma porta entreaberta para galopadas atacantes”. Diakité, “doses massivas de um futebol denso e luminoso, meia-distância assustadora e tanta actividade”. Grzelak, “avesso a rendilhados, deixa atarantado quem o tenta segurar e extasia nas redondezas do golo”. Fary, “silencioso e resolutivo, intromete-se de mansinho para colorir o marcador”. Três pontos. Intendente Giambattista V. da Costa.

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As vidas em am. Quando por coisas que não são da vida tem que erguer-se a horas indecentes, ele espanta-se com o mundo. O que o sobressalta não é a luz baça da aurora a despontar languidamente para o brilho da manhã. O nascer dos dias não o supreende. Também não o surpreende a solidão triste dos levantados, sentados ou a caminhar sem companhia, com o espaldar vergado, como se arrastassem o mundo nos pés. O que lhe proíbe as manhãs é as lamúrias das meninas da boutique, saiu-me cá uma puta, a gaja, mal preparadas para atender os caprichos das madames, embora devidamente atiladas e penteadas e com o blush carregado para disfarçar a palidez do rosto. As madames estão quase a começar a chegar e elas ainda não ensaiaram o sorriso comercial. É o chocalhar das chávenas e dos pires, o clamor da boca da máquina de café quando batida para a livrar das borras, que corta as lamúrias das meninas da boutique. É a censura pedagógica da adulta dirigida à criança, o que é que tu e a titia combinaram?, vá, vamos, anda, já estou atrasada. É a aceleração do mano, que incomoda toda a carruagem do metropolitano. Bro, estou a chegar da night. Eu não te disse que ia papar a dama? Pois é, papei-a toda, papei a dama até ela guinchar e eu esguichei nela, na boa. Bué de rotações, man, bué de rotações. Sinto-me o Leonardo di Caprio no Titanic, I'm the king of the world, é isso bro. O people deitado, entre os lençóis, a fazer remela, e eu a papar a dama, bro. O tempo fez-se para viver, não para dormir, bro. Logo volto lá, combinei com ela, para acabar com esta rebentação toda que tenho no corpo e que ela tem também. Devias ter visto a dama a vibrar, bro. É o modo como as criaturas da manhã expiam mecanicamente a nicotina, como se soprassem os resíduos de um temor cerebral. Ou de um tumor. É o modo como, dia após dia, domesticadas pelo mistério da cidade, as mesmas criaturas insistem a carne cansada até ao colapso, até à rendição. Por tudo isto, a falência da espécie é mais evidente às horas da manhã. Depois, durante a tarde, a natureza continua a ser a mesma, mas parece tudo em ritmo mais derramado e falível. Parece admissível a hipótese de mudar as coisas, sem mudar as gentes. O café tem outro cheiro, tem outro sabor. Os ruídos deixam de incomodar. Talvez seja assim porque às horas da tarde ele já tem as defesas montadas. E para além disso sente que a noite não há-de demorar. Segismundo.

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Cavalo de corrida, d4 e6. Até que um dia deixarás de ser capaz de tentar o corpo até partir, de vencer o sono, as horas que te exigem o resgate, e cairás, sem saber onde fica a meta, sem merecer o depósito do lugar onde tombaste. Segismundo.

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2007-09-28


Razões e alegrias. A política necessita de efervescência e vertigem. Como diz o senhor dr. Luís Filipe Menezes, “muitas razões para ter alegrias”. Ora são estes plurais, o das razões e o das alegrias, que a pátria nunca irá ter, mesmo que venha a ser uma vila nova de gaia mais do que inteira. Nicky Florentino.

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Novas. O senhor dr. Menezes é o novo nenúfar do psd. Nicky Florentino.

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O regime dos nenúfares. Os partidos políticos sem ideologia definida e demarcada ou com ideologia lassa - que é o mesmo que sem ideologia definida e demarcada - organizam-se segundo a lógica de franchise. Há um núcleo com jurisdição sobre a denominação, as insígnias e algumas manias típicas da trupe ao qual está associada uma miríade de núcleos paroquiais e diocesanos, partidos segundo a escala das circunscrições administrativas, a freguesia, o município e o distrito. No conjunto, estes núcleos são o partido político. Quando o partido político está em vias de se alcandorar no governo da pátria - ou, por maioria de razão, quando se aloja em são Bento -, a constelação de núcleos locais e regionais tende a submeter-se ao núcleo nacional, com sede em lisboa e foro televisivo. Na prática, funciona o efeito de rebanho, por forma a que os regimentos de baixo beneficiem dos despojos públicos, seja por via do acesso a sinecuras e do empréstimo ou entrega de honras às hostes, seja por via da transferência de recursos para as comunidades locais respectivas, a crédito político do núcleo implicado, muito em particular dos seus régulos. Quando o partido político não está alcandorado no governo pátrio e ao faro da turma não chega o cheiro das honrarias e respectiva remuneração, a constelação referida sobressalta-se, por ter que nutrir-se com os sobejos autárquicos, aos quais, por contingência da vida, alguns dos figurões do núcleo nacional também tendem a candidatar-se. Neste sentido, não é apenas a constelação que define o partido político. Há que considerar também os ciclos e a variação da preponderância relativa dos núcleos nacional e restantes. Quando o alto se afunda, o chão levanta-se. Nesta circunstância, os maiorais do partido político afectado pastam amiúde com os militantes e os simpatizantes. Acontece a estrangulação, que aproxima a elite e a base. Há quem chame democratização a este processo. Há quem lhe chame popularização. Mas é apenas oscilação do nível de um dos fossos em torno do estado, decorrente do levantamento do lodo. Às vezes aparecem nenúfares à superfície e parece que alguém arranjou o jardim. Ilusão. Os fossos são uma instituição fundamental da ordem. Nicky Florentino.

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Vaudeville oito. Em nação de muitas vozes, o sopro da soberania vem de uma voz off. Segismundo.

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Psychic hearts. Vamos jogar à batalha naval. Desenharei as quadrículas no teu corpo e marcarei aí os tiros com alfinetes com cabeça colorida. A azul, os tiros na água. A preto, os tiros em qualquer barco. A vermelho, os tiros no coração, o teu. O Marquês.

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2007-09-27


Clube Éme & Éme. Como pretende o senhor dr. Guilherme Silva, é óbvio que “o psd não é um bando”. Para ser os militantes com quotas pagas teriam que ser aves raras. Ora na amazónia não há aves dessas. Nicky Florentino.

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ó Hermes. Tirando a alusão à masturbação, que é mais um exercício de alívio do que um modo de cifração, a parte sobre a estética dos enigmas, meia maricas, e a redução da palavra «caralho» a crl, mais do que meia maricas e confundível com a tecla ctrl, aqui tende-se a concordar com o Paulo. Segismundo.

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The opposite of hallelujah. De lei, deveria ser mais fácil salgar o corpo do que saldá-lo. Segismundo.

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Corpo. O máximo de comunidade possível é a carne, não é a república. Segismundo.

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The flying club cup. Francisco, não se deve procrastinar, a campanha deve ser imediata - aliás, deveria já estar em curso -, porque a palavra de ordem justa é «agora e já vais tarde, ó espécie de Scolari». Intendente G. Vico da Costa.

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Pagan angel and a borrowed car. A morte que se celebra nos funerais não é a morte de quem morreu, mas a morte de quem ficou ainda. Já alguma vez visitaste um depósito de ferro-velho? De sentido a sentido, as condolências são a transmissão de um voto de vida entre quem ficou ainda. Ouviste os vagidos da sucata?, dos carros mortos? Mesmo assim, as vésperas deixam de ser toleráveis como foram antes. Consegues andar?, ainda consegues andar? ou desistes? Porque amanhã continuará a haver a falta de alguém ou algo que falta já hoje. Acorda, agora acorda. Amanhã, como hoje, a mesma ferida, até ser cicatriz que nunca será. O Marquês.

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2007-09-26


O rato roeu a rolha. Esta noite, um canal televisivo chamado sic-notícias decidiu interromper uma entrevista ao senhor dr. Pedro Santana Lopes para, também em directo, transmitir a chegada do mister José Mourinho a um aeroporto indígena. Transmitir a chegada da criatura, apenas e só. Quando quiseram retomar a entrevista, sem ser cabotino o senhor dr. Pedro Santana Lopes explicou por que é que não estava disposto a continuar. Quanto ao caso, panegírico maior não há. Nicky Florentino.

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A continuação das horas mesmas. Em democracia, a resolução de um problema da frente através de jogadas de bastidores tende a produzir um ruído incómodo, porquanto é provável que quem se julga ou sente prejudicado clame e reclame. Antes o processo não era mais limpo. Mas de tais jogadas resultavam mortos e, durante algum tempo, o problema considerava-se resolvido. Agora não, ninguém morre. E o problema subsiste. Nicky Florentino.

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Sweet & tender hooligan, iii. Permita-se a reiteração, não houve milagre no estádio municipal de Fátima, houve estupidez. Milagre houve no estádio José Gomes. Aliás, ver aquele penalty é muito mais do que ver o círio mariano a pairar sobre uma azinheira aos trezes entre Maio e Outubro, com folga em Agosto, para a malta poder ir a banhos descansada. Por isso, beatificação do vidente da Reboleira. Já. Vivo ou morto. Intendente G. Vico da Costa.

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Sweet & tender hooligan, ii. Num mundo perfeito haveria um holocausto à testamento antigo só para incinerar o mister Jesualdo Ferreira. Ou, no mínimo, um holocausto psicológico. Chicotada é pouco. Intendente G. Vico da Costa.

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Sweet & tender hooligan, i. Compreende-se que chamem milagre à estupidez do mister Jesualdo Ferreira. Não porque é a estupidez do mister Jesualdo Ferreira. Mas porque é estupidez teimada por ele. Intendente G. Vico da Costa.

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Pretty girls make graves. A morte de André Gorz afigura-se trágica em dois sentidos. Porque resultou de suicídio e porque compreende a negação do conceito de trabalho proposto por si. Segismundo.

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Tempo morto, tempo posto. Ele olha com desdém para a expressão «tempo real». Em grande medida porque nunca conheceu tempo diferente. Segismundo.

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2007-09-25


As veredas do estado. Ao contrário do que possa julgar-se, as quotas são um tópico fundamental em qualquer associação voluntária - partidos políticos incluídos -, no sentido em que são uma espécie de contribuição para a segurança social interna e, mais importante, o seu pagamento constitui franquia para o direito de voto. É um bom princípio. «Pagas, votas». «Não pagas, não faz mal, és dos nossos à mesma, come lá a febra e agita a bandeira». Não há chefes grátis. Nicky Florentino.

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Página do livro dos googlemas. A harmonia é isto. De um lado pessoas que discordam do professor boaventura de souza santos, do outro lado floral para quem vive cansado de ser enganado. Siga a estúrdia. Segismundo.

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Da existência. Jason Bourne, a versão tuning de David Webb, é rijinho e tal. Mas o Jack Bauer existe. Segismundo.

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aquilo atrás da máquina de flippers, iii. Antes de Guadalupe Müller começar a falar, há em ti um problema de medida, que é o mesmo que dizer um problema de gravidade, ninguém tinha reparado nela. Aliás, agora parecia uma personagem deslocada. Falava sobre o perigo que as máquinas constituíam, todas as máquinas, com ênfase de pregador. Quando digo todas as máquinas, digo as máquinas de flippers inclusive e apontou uma Dona Elvira, a relíquia da casa. Muitas mãos acariciaram aquela máquina, suaram sobre os seus cantos. Muitas mãos de muita gente bateram-lhe, aprendendo a explorar a folga do tilt. Desde sempre houve sobre o seu quadro uma placa com uma inscrição misteriosa, es muß ein Mensch an der Maschine sein!, que ninguém conseguiu decifrar, mas que a não poucos fez recordar a placa posta acima da cabeça do mais célebre dos crucificados. Nunca a alguém aquela máquina pareceu perigosa. Pelo contrário, por ser uma máquina com poucos melindres, à antiga, todos os dias conseguia atrair clientes. Porém Guadalupe Müller acusava-a com a mesma inclemência com que acusava todas as outras máquinas. Alguém sabe o que está atrás daquilo? e continuou a apontar a Dona Elvira, mais precisamente a parede a que a máquina estava encostada, como se apontasse um poço de horrores. o Marquês.

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2007-09-24


Agora somos todos democratas. Em termos políticos, os gentios são para o que são capazes e é isso que merecem. Nicky Florentino.

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Vaudeville sete e meio. A câmara moral é uma câmara ardente. Segismundo.

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Terra indesejada. Os dias são demasiado iguais para merecerem ser destinguidos pelo nome. O problema é que inventaram e atribuíram-lhes nomes, reportando-os a uma ordem, e agora não há como viver sem ser em (con)sequência. A miséria do atraso que muitas vezes se sente decorre daí. Segismundo.

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2007-09-23


O patrono Shakespeare. Há uma tendência à dramatização da e na política que não ajuda a percepção da sua realidade. Convém não esquecer que política é política – isto não é pleonasmo – e, por isso, a sua análise deve ser feita com termos, roteiros e registos adequados às suas características. Daí que a assunção do exercício político como novela representada tenda ao logro. Claro que para os gentios é fácil perspectivar a política assim, porque, sobejamente familiarizados com telenovelas, percebem os enredos, os esquemas e os dispositivos da trama, a amizade, o apoio, a lealdade, a competição, a inveja, a traição, o engano, o castigo, o prémio. Decorre deste facto não apenas a compreensão da farsa – isto é, o máximo de consciência política possível dos gentios –, mas também a própria sustentabilidade da farsa. E da hipótese de uma ordem democrática derrapa-se para um regime demagógico ou populista, regulado por audiências e auditado por demoscopias que suportam a ilusão de vigilância política e de atenção e consulta ao povo, além da ilusão de vínculo e conectividade entre eleitos e eleitores. Portanto perspectivar a política nestes termos, que é o que a maior parte dos comentadores faz, nomeadamente os comentadores televisivos, contribui para encerrar-nos no plano do simulacro, onde as opções e as posições políticas e aqueles que as protagonizam são sobretudo fantasmas, não realidade. Ainda bem que é assim. Quase já ninguém suporta a realidade. Nicky Florentino.

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Tratado novíssimo sobre o método certo do ludopédio e dos matraquilhos em hectare, i. O futebol é uma ciência novíssima. Sabe-se isto lendo as legendas da colecção de cromos oficial da superliga da temporada presente. Da Panini, claro. Casos relativos ao Futebol Clube Paços de Ferreira. Peçanha, “parece de borracha, defende tudo e é gélido nos momentos de aperto”. Ferreira, “antídoto para as criações rivais e dotado de um turbo nas pernas”. Chico Silva, “uma carraça no lado esquerdo; é solidário e tem um futebol abrasivo”. Antunes, “livres à Roberto Carlos e o jeito de criar doses industriais de lances de perigo”. Cristiano, “amante da improvisação, desfaz estruturas defensivas e é egoísta q.b.”. Edson, “baixote irreverente, corrosivo e de arrasadora velocidade de ponta”. Três pontos. Intendente G. Vico da Costa.

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2007-09-22


Equinócio. Voltou a poder estacionar-se à lavrador naquele canto da cidade pequena. E caminhar-se à vontade. Começou a estação de engorda das balofas. Segismundo.

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Para uma arqueologia das casas sociais. As instituições são o que será ruínas ainda no tempo da sua função edificada. Compreendem um efeito de habitação consagrado pela repetição. Servem a forma, a comunidade. Com menor ou maior demora modelam-se às circunstâncias e aos casos. Resistem desigualmente ao tempo, portanto. Há um momento em que o seu nome é grafado com maiúscula, como acontece com o nome dos pessoas e das coisas eleitas. Mas depois, cortadas pela usura e pelo uso, as instituições caem ou desfiguram-se. E o nome cai com elas. Segismundo.

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Esfera toda. Deus é sobretudo uma ideia trôpega. E é justamente aí, quieto ou quase, que ele começa a falhar-se. Segismundo.

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2007-09-21


Página do livro das interrogações, xvii. Por quantos caminhos depois é que alguém é? Segismundo.

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Comunidade. Somos todos sozinhos, com as mãos na província jugular. Segismundo.

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2007-09-20


Página do livro dos googlemas. As almas deste estabelecimento penam por não poderem exibir o que deveriam exibir, o desenho da grande meretriz sentada sobre a besta. Penam autenticamente, como anjos depenados. Quase choram. Segismundo.

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Vaudeville oito e meio. Um espectro assombra o mundo, o mundo. Segismundo.

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O mundo é nosso amigo. Do espólio das cartas católicas, epístolas não paulinas, faz parte a missiva de são Tiago a uma dúzia de tribos da diáspora, não se sabe bem quais. Começa ele por exaltar as provações e glorificar os humildes e os sofridos, porque, sustenta, a ascensão é um trilho árduo e doloroso. O que faz da privação e do opróbio diante de deus as condutas abençoadas para o levantamento e a reputação celeste. É o discurso «pela miséria salvar-te-ás», sugerindo a graça pela desgraça. Típico. Mas por volta do meio da carta referida é o desvario. Ditou são Tiago, “quem quiser ser amigo do mundo torna-se inimigo de Deus” (versículo quarto do capítulo quarto). O que significa que deus, o mor dos amigos imaginários, afinal, tem muitos inimigos. E o que explica por qual motivo o pastio sideral, o departamento oposto à câmara dos suplícios, é frequentado por vivalma. Deste ou outro mundo. Segismundo.

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2007-09-19


Marchar, marchar. Oxalá existam vagas para acolher mais carcaças sob o tecto de santa Engrácia. A caderneta de glórias mortas e a morrer merecedoras é vasta. Aliás, deveria começar-se já a acomodar alguns vivos no panteão, prevenindo cenotáfios, que não têm dignidade equiparada à dos despósitos de ossos empoeirados. Puta velha porém penhorada, a pátria agradece a atençãozinha. Mais ainda se houver o espectáculo disso transmitido pela teelvisão. Segismundo.

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Vaudeville nove. Face a face. Até o tempo dizer não ou recuar. Segismundo.

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A saia da Carolina tinha um dragão pintado, i. Ontem. Armado com asas, escamas e lança-chamas, não com cachecol. Com assento sobre a nascente. Com a esperança que os camones ficassem sem saber de que terra eram os Beatles. Esperança vã. O diagnóstico do costume. No futebol manso-tanso praticado pelo Futebol Clube do Porto nota-se que quem tem a lesão mais grave é o mister Jesualdo, essa espécie de contracção mórbida entre o menino Jesus e o pato Donaldo, com ó. Foda-se. Intendente G. Vico da Costa.

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2007-09-18


E contra a mulher de Lot. O senhor dr. Marques Mendes é contra a adopção de crianças por homossexuais. O senhor dr. Filipe Menezes também. Porquê? Por causa das crianças, dizem. Não por causa dos homossexuais. Está bem. Claro que homossexuais podem ser progenitores, mães ou pais, de crianças. Contra isso os émulos senhor dr. Marques Mendes e senhor dr. Filipe Menezes nada obstam. A natureza tem muita força, mais do que o juízo deles. Mas homossexuais adoptarem crianças, isso, ó santíssimo senhor Espada, ó santíssimo senhor das Neves, ó sacrossanta santíssima trindade de que todos os beatos e sacristãos também fazem parte, não. N. Ã. O. Por causa das crianças, claro. Adiante. A posição postulada pelos senhores referidos é estúpida. Apenas num sentido não é. Por impedir que alguém homossexual e com falta de tino e tentado possa adoptar o senhor dr. Marques Mendes ou o senhor dr. Filipe Menezes. Nicky Florentino.

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Página do livro das sentenças, xl. Não é no exercício narrativo apenas que o recuo é mais um modo de incitação do que um modo de citação. Segismundo.

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Dasein design, v. Passos curtos, passinhos, no conjunto são o caminho. O fim de cada caminho é a regra. A queda também. Segismundo.

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uma mão sobre Pavese. Dirigiu a mão trémula, a mão direita, à garrafa de bourbon. Pareceu avocá-la com o gesto. Como permaneceu distante, foi obrigado a concertar-se na cadeira para poder alcançar a garrafa. Agarrou-a, encontrou-a com a boca, bebeu dois tragos longos. Devolveu a garrafa à mesa com estrondo e deixou a mão abandonada sobre aquele corpo de vidro, como se o segurasse. Desde o acidente, estas crises eram recorrentes. Aquela casa e, dentro da casa, aquela sala transformaram-se no domínio da sua evasão. A garrafa era a lâmpada da expiação. Prova-se a liberdade e produz-se um efeito de dependência somática. Não é pelo espírito que se deseja a liberdade ou se necessita dela. Na origem o corpo resiste, porque com a liberdade vem o incerto e o corpo não é atreito a plataformas sem densidade, como o ar ou a água. Neste sentido, no princípio talvez seja o espírito que depoleta a curiosidade, inclinando à liberdade. Mas depois, ainda que pelo espírito possa justificar-se tais desejo ou necessidade, como continuidade a liberdade é uma exigência própria do corpo. Repetiu o acto, bebeu mais dois tragos longos de bourbon. Sentiu um ardor instalar-se no corpo, primeiro descendo até um ponto alinhado com o umbigo, depois estendendo-se por toda a carne. Desta vez largou a garrafa. Depois procurou uma página específica de Lavorare stanca. Para além da garrafa de bourbon, o livro era o único objecto sobre a mesa. Uma chispa de sol, ténue, embateu no soalho, junto aos seus pés, interceptada e reflectida por uma janela que o vento empurrara para dentro. Pousou o livro sem conseguir encontrar o poema que procurava. Bateu com clamor na sua capa, duas, três vezes. Alguém rasgara algumas páginas, levando o deus-cabrão. Filhos de uma puta, cambada de filhos de uma puta. Comportava-se como um animal instintivamente disposto a defender a integridade do seu reduto, a começar pelo corpo. Perseguiram-me, matei-os. Desmanchei os seus cadáveres. Agora os chacais têm repasto. Sou livre. Havia tempo que, por suspeita, tentavam capturá-lo e submetê-lo a um teste de culpa. Várias brigadas foram envolvidas na perseguição, missão que se revelou mais difícil do que inicialmente estimado. Outros mais que venham ao meu encalce encontrarão destino semelhante. Os chacais continuam com fome. Com consciência da respectiva inocência, porém acossado, sentia que, através da culpa que lhe atribuíam por suposto, estavam a roubar-lhe o corpo, fazendo de si um fantasma. Por isso não admitia a hipótese de submeter-se a julgamento. Conforme entendia, a assunção de tal hipótese implicava tolerar uma hipótese de culpa que não tinha. Ele estava decidido, jamais entregaria o corpo. Outros mais que venham ao meu encalce aprenderão o que é a defesa de um homem livre, o seu corpo, as suas mãos, a sua faca. Continuou a esperar que chegassem. O Marquês.

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2007-09-17


Missão impossível. Sucedem-se as notícias sobre os esquemas manhosos de financiamento dos partidos políticos, nomeadamente os regimentais. Este fosso chamado Portugal tresanda cada vez mais a penas de anjo. Antes fosse a papos. Nicky Florentino.

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A equação da laranjada. Um dos problemas do psd, o problema actual - para facilitar a referência -, é a falta de um motivo que lhe confira sentido. Ainda mal sarado o consulado desaustinado do senhor dr. Pedro Santana Lopes, afastado do odor dos despojos públicos, o psd assombra-se e ensombra-se. De tal modo que surge a hipótese do senhor dr. Luís Filipe Menezes alcandorar-se em senhor presidente do psd. Como? Parte da explicação encontra-se no senhor dr. Luís Marques Mendes, obviamente. Mas parte apenas. Porque nenhum morbo se resolve por si. Para tanto, resolver um morbo, é necessária terapia adequada. Como é timbre deste tipo de casas quando não há vislumbre de caudilho salvífico, arregimentaram-se facções e mobilizaram-se as respectivas patrulhas de socorros a náufragos, para tentar salvar os seus e afogar os outros. Em período de caristia, a jangada não chega para todos. Tornará a calmia à turma, sob a aparência de sentido de estado, quando tornar a cheirar a ração e às honras e sinecuras consonantes. Até lá é o horto a arder. E o senhor dr. Filipe Menezes a dizer que desempenha melhor o papel de Nero do que o senhor dr. Marques Mendes. Enfim, Jesus padeceu na cruz em vão. E Darwin forjou uma teoria sem adesão empírica. Nicky Florentino.

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Exercício de equívoco e império. Ou cais ou sais. Segismundo.

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Danceteria. Numa ordem decente, ordem necessariamente social, a liberdade é regra. É, presente do indicativo. Mas, justamente porque a liberdade é regra, não tem que ser tudo regra. Admitem-se excepções. Uma dessas excepções é a privação de liberdade. Há circunstâncias em que, porque a liberdade é regra, é necessário acautelar a regra e as suas condições. Neste sentido, a prisão preventiva tem motivo decente conquanto proteja a liberdade e as garantias associadas. O que significa que tal expediente cautelar deve ter limites, inclusive de calendário, porquanto além de determinado limiar de duração ou vigência, ainda que sob o pretexto de salvaguarda da regra, a prevenção atenta contra a liberdade, que é regra. Portanto, convém não iludir, em decência a liberdade é uma dança difícil. Não obedece a passos certos. Assenta sobre o princípio do desagarro. E tem um ritmo fodido. Segismundo.

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Dasein design, iv. Quando não conseguimos ser falsos abre-se uma fronteira nova. A realidade decora-nos e devora-nos aí. O corpo deixa de ser animal e, pela autenticidade, transforma-se em casa de culpa. Segismundo.

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Laisse tomber les filles

(© Auguste e Louis Lumière)
Segismundo.

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2007-09-15


Vaudeville sete. Se vais cair, prepara-te - pelo menos -, abre as asas, aceita a queda. Segismundo.

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2007-09-14


Página do livro dos googlemas. Neste tugúrio nada de sabe sobre simpatias com cueca. A não ser como instrumento de estrangulamento. Segismundo.

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Código strip. O cânone ou o padrão justificam a iconoclastia. Mas é imperioso não hipotecar o gosto à atitude iconolasta. Portanto, no arremesso, não basta atentar contra o cânone ou o padrão. É necessário ser esteta também. Segismundo.

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o admirável mundo das ferramentas. Sem aviso, ela foi visitá-lo ao local de trabalho. Queria trocar mimos, atenção, namorar, gostas de bacalhau com natas?, saber o que ele queria jantar. No entanto ele não conseguiu corresponder à expectativa que ela tinha penhorado ao decidir ir ali. Demasiado ensimesmado e tímido, surpreendido pela presença dela, o mais que conseguiu fazer foi convidá-la a passear pela loja, oferecendo-se como cicerone. Com isto, esquivando-se às manobras de afecto, beijos, abraços, afagos, carícias, toques, olhares, ele entreteve-se a apresentar-lhe a panóplia de ferramentas existente no estabelecimento. Isto é um apalpa-folgas, disse, apontando uma bolsa pequena do mostruário. Ela soltou um risinho de escárnio. Tal facto não o inibiu. Pelo contrário, tonificou-lhe a vontade de a impressionar. Por isso, seguro e com um entusiasmo raro, prosseguiu a visita guiada, isto é um roquete para chaves de caixa com encavador de meia polegada, isto é um jogo de chaves para parafusos com cabeça com sextavado interior, ora pegando as ferramentas cujo nome enunciava, ora apontando-as nos expositores. Isto é uma chave inglesa, isto é um alicate de pressão, este aqui é um alicate para freios, para abrir, este outro também aqui, sem mola, é igualmente um alicate para freios, mas para fechar, isto é um alicate de corte, isto, isto, isto, isto... Ele continuou o apontamento entediante, grato para ele apenas, enquanto ela desviou a sua curiosidade para o expositor das ferramentas de impacto e percussão. Havia aí martelos, maços e malhos de tipos e tamanhos vários. À frente deste expositor, no chão, havia três bigornas, com dimensões distintas, alinhadas em crescendo, da esquerda para a direita. Indiferente ao desvio dela, concentrado na missão a que se entregara, isto, isto, isto aqui, este, isto, este, aquilo, isto, isto, olha, isto, isto..., ele prolongou a arenga, como se fosse um botânico a apontar toda e qualquer planta, ao mesmo tempo que pronuncia o respectivo nome científico. Pouco depois soou a sirene de uma ambulância. Parou junto ao estabelecimento e os bombeiros recolheram um corpo, que deitaram na maca. A rua ficou sob um aparato incomum, muita gente, consternação, agentes da polícia. Ele, rapaz tão novo, estava morto. O relatório da autópsia definiu como causa da morte a contusão cerebral resultante do politraumatismo craniano produzido pelo uso repetidas vezes de um objecto contundente. O Marquês.

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2007-09-13


Sobr’Émile. Às vezes é justificada a atenção a inutilidades, como a sociologia, por exemplo. Para admitir que, em primeira instância, as diferenças somáticas são uma construção social e, só depois, um facto biológico. O que, entre outros corolários, significa que é o género que define o sexo, não o contrário. Segismundo.

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Página do livro das sentenças, xxxix. Quando se fecham os olhos, o problema não é deixar de ver, é deixar de ser visto. Segismundo.

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Dasein design, iii. Falir mais do que resistir. Sem condição fénix. Como íncubo ou súcubo, corpo sem carne cravado na carne que faz o corpo. E sair. Segismundo.

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Vida de candongueiro de esperanças. Mais do que no intervalo, vive-se no balanço entre o passado e o futuro. Morre-se também. Segismundo.

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Regresso às aulas
Segismundo.

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2007-09-12


Sob o signo da senhora de Caravaggio. Mais miserável do que o soco tentado é o soco falhado. Nicky Florentino.

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Estado quê? Olha-se para a fotografia estampada na capa da edição de hoje do Público e segue-se o Vital. É sempre bonito ver o senhor eng.º José Pinto de Sousa, vestido como laico fingido, a benzer-se diante do senhor prior da paróquia na cerimónia de benção do centro escolar de S. Martinho de Mouros, em Resende. Mas, porque o gesto em nome do pai, do filho e do espírito santo foi perfunctório, a cruz assentar-lhe-ia melhor se lhe fosse pregada autenticamente. Nicky Florentino.

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E tudo o veto levou. Sem outra referência, ser contra é um bom sentido. Porém não é sempre. E no caso do senhor Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva a probabilidade de assim ser reduz-se significativamente. No fundamental, a criatura oscila. Dá para ali, dá para acolá, dá que não é de dar, porque o fulano nunca abjurou a veneta de senhor ministro das finanças que lhe habita a medula. Só assim é compreensível que o mesmo senhor presidente da república, que entende ser um abuso desproporcionado o arrombo do sigilo bancário de alguém apenas porque decidiu apelar em sede fiscal, entenda que a missão pública deve continuar a não ser responsabilizada civilmente pelas suas omissões ou pelos seus desmandos porque isso, ó valha-nos a senhora santa dos amanuenses, pode constituir uma despesa extraordinária e agravar o défice orçamental público. Nicky Florentino.

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Santo senhor dr. António Costa de Lisboa. Lisboa, ó Lisboa, tuas sete colinas e as empenas de Alfama, somos contra as lojas chinesas, mas recebemos o Dalai Lama. Nicky Florentino.

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Amado óbvio. Em política, a diplomacia é o nível cu. Mais próximo da merda não há. Mas, convenhamos, também é garantia do nosso assento. Nicky Florentino.

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Página do livro dos googlemas. Como saber se um trevo é municipal?, perguntando-lhe o nome, obviamente. Se responder Deolinda, já sabes. Segismundo.

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Do outro lado da rua. A partir das dezoito horas, uma corja de putos começa a gritar golo. A cadência é de dois ou três golos e consequentes gritos agudos e em coro por cada minuto. O que é incomodativo. Quando o incómodo é maior, ele assoma à janela e observa os putos. Por instantes, ao constatar o gradeamento sobre o muro que encarcera aquelas feras, a sensação de incómodo é substituída por uma sensação de segurança. Durante esse lapso breve ele chega mesmo a admitir a hipótese da existência de deus. Mas os putos insistem nos golos e na estridência e o horizonte divino admitido desvanece-se. Do que resulta que deus continua a não ser visto ali. Invisibilidade agravada pelas circunstâncias após as dezoito horas. Segimundo.

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culpa, uma categoria ideológica. A verdade é que a culpa é necessária. Sem culpa atribuída não é possível a redenção. Mas a redenção que importa não é a de quem a quem foi atribuída a culpa. Alguém com culpa é alguém com culpa e deve sofrer em conformidade. Deve suportar a reparação da grei e do espírito que lhe corresponde, deve expiar o seu erro, a expensas suas. Por isso, através da atribuição da culpa, mediante a cobrança social do erro, a redenção que releva é a redenção dos outros, a comunidade. Alguém deve ser apontado, há quem deva sofrer, para que os outros possam celebrar a normalidade e, na sua ilusão, lograr e confirmar a própria desculpa. Sem isso não é possível a conciliação entre culpados e desculpados, não é possível a comunidade. Foi com estas palavras que Thomas Holtz encerrou a sua conferência. Depois perscrutou o auditório e, focando o olhar sobre a fila dianteira, perguntou quem foi?, acrescentando o aviso há um castigo para aplicar. Ninguém respondeu ou correspondeu. Quando não é possível apurar e atribuir a culpa a alguém, sofrem e sofrerão todos. O Marquês.

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2007-09-11


O dedo mundinho que adivinha. Um mundo pequeno que muda tanto é um mundo grande? ou é um mundo rápido? Segismundo.

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Quiz vital. A vida é uma espécie de quiz. Espécie porque parte das perguntas é formulada por quem tem que responder, embora, como no jogo, tal quem desconheça qual é a resposta correcta. Segismundo.

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2007-09-10


Segurança ontológica. No alude de histeria que se precipitou sobre muitas das almas do mundo e além, a propósito de uma pequena de quem não se sabe o paradeiro e o azar, várias criaturas têm insistido na tese segundo a qual a investigação criminal não acontece como sugerido nas séries teelvisivas americanas, nomeadamente o CSI. Que aquilo é tudo filmado e não é verdade. Que, na realidade, as coisas são mais complicadas e os processos mais demorados. Mau augúrio. Porque prenúncio de que não tardará que alguma dessas criaturas desaustinadas se atreva a dizer que o Jack Bauer não existe, que é ficção. O caralho é que é. Segismundo.

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imagem © Banksy

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Os dias dos dias apagados. Já foram. Sobram os fantasmas. A intendência foi pelo seu resgate. Lento. O que quer dizer que, à socapa, foram publicados textículos desde o dia dez de Agosto. Quem quiser que revire o arquivo. Que isto aqui não é casa de simpatias. Segismundo.

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2007-09-09


Mau tempo no canil. Ouvi dizer que, na sua prédica de desocupado ao domingo à noite, o senhor Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa associou as vontades de poder do senhor eng.º José Pinto de Sousa e do senhor dr. Luís Marques Mendes a um cão de fila que ferra as mandíbulas sobre as canelas de alguém. De quem é que importa saber. Mas parece que sobre isto o senhor Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa nada disse. Preferiu a alusão lacónica ao mastim ou ao podengo ou ao raio que o parta. Nicky Florentino.

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2007-09-08


You can’t handle the truth! Hoje, contra os polacos, a equipa do mister Scolari foi escalonada com um ponta de lança falso, um trinco falso, um central falso, um lateral esquerdo falso e um guarda-redes que defende penalties. Quase conseguiu não empatar. Nicky Florentino.

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2007-09-07


Página do livro das sentenças, xxxviii. A distância é uma medida de presença. Segismundo.

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2007-09-05


Dasein design, ii. Não escolher entre a alegoria e o devaneio. Ser primitivo, sem meridiano, sem elegia, com fissura ou rasgo, ferida, se for necessário. O corpo há-de ser negativo ou não há-de ser. Segismundo.

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2007-09-04


Miss to miss. Ó myster, na frase “therefore his wish is to keep attempting communication, in order to establish a peaceful mind state, for now and for the future”, onde se lê «for the future» deve ler-se «for the torture». E aí, sim, como as plantas, seríamos todos felizes. Mais. Muito mais. Segismundo.

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Dasein design, i. Alinhavar a pele. Um punção. Não há noite, não há indústria. E para esboços já é tarde. Segismundo.

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2007-09-03


O mundo. Deve prestar-se atenção a quem usa palavras como «Portugal» ou «família» com convicção. Entre outros motivos, porque deve fazer-se um esforço para entender a palavra «nós», o pronome de todos os enganos, como sinónimo de sangue. Daí a compreender-se o significado da palavra «cáfila» é quase nada. Nada que é mais uma questão de reflexo do que uma questão de projecção ou sugestão. Segismundo.

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Genealógico. O senhor dr. Paulo Portas utilizou a palavra «horror» para referir-se ao que foi perpetrado recentemente numa herdade de Silves. Na prática é uma espécie de declaração de simpatia ao contrário em relação ao caso. E o senhor jornalista que o estava a entrevistar na teelvisão, com a mesma candura com que interpelou uma espécie de criatura de um programa de entretenimento para infantes chamada Gualter e, dias antes, o senhor Prof. Doutor Francico Louçã, passou pela referida palavra como cão por seara ceifada. Está-se bem. Nicky Florentino.

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Cinquenta anos de nada. Claro, pá, pode confundir-se à vontade On the Road, de Kerouac, com The Road, de Cormac McCarthy, e continuar feliz. Aliás, não ler é uma felicidade. Ser cego é que, que chatice, é pior. Só dá para ouvir a teelvisão. Segismundo.

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2007-09-02


Mas por que é que não conservam o raio da euribor em azeite de oliveirinha da serra ou de Santa Comba Dão? O mesmo senhor dr. Paulo Portas que olha de soslaio para o estado, que acha que o estado não deve meter o bedelho em não sei quantas matérias, quer saber o que é que o governo tem a dizer sobre o sobreendividamento das famílias decorrente do aumento da euribor. Bonito, «governo», «famílias» e «dívidas das famílias» tudo na mesma preocupação. Se tivermos alguma coisa na preocupação do senhor dr. Paulo Portas, temos socialismo, obviamente. Socialismo pancrácio, que é o que é todo o socialismo. Nicky Florentino.

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2007-09-01


Folha de obra. A regra foi «em bcp que ganha não se mexe». Mas o senhor presidente do conselho de administração foi-se. Tivesse havido também martelo na ocasião e poderia dizer-se amén. Segismundo.

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Que sentido pode ter o um regresso? Dias longos, olhos fechados, mãos mortas por isso. Atlântico, és tu? Que lugar estranho é este? Cheira a falidos. Segismundo.

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2003/2017 - danados (personagens compostas e sofridas por © Sérgio Faria).