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Albergue dos danados

Blog de maus e mal-dizer 

2008-05-31


Ramalhete mas não à baliza, porque isto não é hóquei em patins. A senhora dr.ª Manuela Ferreira Leite, o crédito do psd, no púlpito. No friso dianteiro, em cadeiras, o senhor dr. António Preto e a senhora drª. Helena Lopes da Costa, parte da bolsa para o crédito do psd. O panorama da salvação nunca é tão bonito quanto o apregoam. Nicky Florentino.

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2008-05-30


Página do livro dos googlemas. O que é que um gajo pode saber sobre isto?, lingerie em viril. Segismundo.

Referência



Escala de Baudrillard, iv. Conhecer-te-ás conhecendo o teu doppelgänger. Segismundo.

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Húmus. Se um blog só. Segismundo.

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A propósito de pacotes de massa cotovelinho et cætera, iii. Continuação. A malta não dispensa o chão, o bom porto de todos os dias. Mas as canções de Boxer, o último álbum dos The National, permitem à malta imaginar-se numa jangada, assolada por mar crespo e cavado. Ui, o sofrimento atroz que é, a malta a sentir-se sobre os toros frágeis - metáfora da vida -, atados por cordas prestes a ceder - metáfora das condições das relações -, no infinito salgado - metáfora das lágrimas imensas por causa das metáforas anteriores -, sem margem à vista - o suicídio poderia ser considerado, mas talvez seja doloroso -, já a sentir-se náufraga, com os tubarões a rondar - metáfora perfeita da desgraça que se aproxima -, e as guitarras numa melodia insonsa e indolente, a fazerem coro. A puta da vida tal e qual ela é, devolvida em exercícios de sublimação, chamados canção. Que são o mesmo que a vida, mas em segunda mão. Por outras palavras, a vida filha da puta é o pêssego, com caroço, a polpa massada e casca; as canções dos The National são o pêssego em calda. Um, que bom, quiça se melhor que o pudim flan. Nada a fazer, os santinhos do desgosto podem muito. A malta fez o download pirata de Boxer, utilizando o rapidshare, mas depois foi à fnac comprar o cd ou encomendou-o à amazon.fr porque teve que ser - para levar nas férias -, e assim pagou em euros e não teve que suportar aquela taxa esdrúxula - que não significa proparoxítona - de câmbio para dollars americanos ou pounds britânicas, que os bancos têm a mania de meter no extracto do cartão de crédito e, claro, cobrar. Os cinco dos The National merecem. Mas em Boxer não são só eles. Note-se que Sufjan Stevens emprestou o seu pianinho a duas canções desse álbum, para as melodias serem ainda mais bonitinhas, aparadas nas pontas. Sufjan Stevens é outro que tal, das canções paneleiras. É dele um tema sobre um mau, John Wayne Gacy, Jr. (in Illinois, Asthmatic Kitty Records, 2005), o palhaço matador, que parece uma canção de embalar crianças. A despropósito, sabe-se quem a tenha ouvido em looping até ao enjoo, para escrever um texto ridículo, para uma rúbrica radiofónica ridícula, com um título também ridículo, «os monstros são nossos amigos». Foda-se, tudo a mesma gente. Os gajos da malta que ouve The National têm pêlo nas axilas, na carinha laroca - às vezes estende-se até à superfície que cobre o esternocleidomastoideu -, no peito, na púbis - a parcela baixa da região hipogástrica, para que conste -, no escroto, mas gostam de conhecer a liturgia do sofrimento. Aqueles amores turtuosos, o ciúme, a consequência da traição cabrona, aquela traiçãozinha esporádica, subtil, impulsiva, tipo teve que ser, querida, a gaja estava mesmo a pedir, mas quem eu amo és tu e só tu, mor, talvez até da traição sacramental, aquela que é repetida, que acompanha a brutalidade e o tédio dos amores, a do corno. Ó o fosso. Os brasileiros chamam-lhe fossa. É a ternura exposta do fim dos vinte e do começo dos trinta, uma geração inteira, travestida em canções, dizem. O caralho. E o concerto da aula magna da universidade de Lisboa?, ó ié, o melhor. Começou e arrastou-se com um som de merda, pior do que o dos grupos de baile que animam as romarias de qualquer charneca, mas isso não tem qualquer importância, foi para os gajos poderem depois atingir o plano divino dos fodidos. A humanidade falha, até nas canções. E na recepção das canções. Na véspera, na mesma sala, estivera Diamanda Galás, uma senhora que sabe gritar e que deixa tudo ainda mais fodido do que os The National, mas ninguém queria saber. Se havia ecos disso na cabeça de alguém no dia seguinte, passou despercebido. Ó os The National em palco, com Padma Newsome, melhor do que bebinca, do que pudim de queijo. E o Matt?, ó, o Matt, sim, o Matt. Está bem. Em doismiletrês apareceu um álbum de canções fodidas para amantes javardos e a malta andava por aí, a preparar-se para os Arcade Fire, ó, ú, os Arcade Fire. Dois anos depois, com um álbum com nome de espécie de crocodilo, a malta agitou-se um bocadinho. O caso até veio em revistas estrangeiras, que a malta lê. Mas foi com um álbum cujo título remete para raça de cão, aquele com mais canções paneleiras, que a malta exultou e passou a uivar dia e noite. Súbito os The National transformaram-se no manitou da malta. Tan tan tan tan tan tan tan tan tan, a malta bate o pé em torno do totem. Acima nada, abaixo todos, mortos incluídos, sem destrinça. Corações ao alto, mesmo os destroçados ou estilhaçados. E rebentaram aqueles versos tão lindos, tão poéticos, tão tudo, de uma canção com um título tão cavado de belo, «Slow show», que até parece um ferro em brasa a tatuar a quente o peito da malta. Versos, manifestou-se, estes, You know I dreamed about you
for twenty-nine years before I saw you
You know I dreamed about you
I missed you for
for twenty-nine years
. Vinteenove anos, a idade da espera é a idade da foda grossa. Não há outra. Óquei. Adiante. Os The National são tão bons que não fazem plágio, pilham a letra de uma canção anterior (vide «29 years», in The National, Brassland Records, 2001). Seis anos depois, os mesmos versos. Em doismileum ainda eram compreensíveis, porque o Matt cantava I met a girl called disillusionment. Ó Matt, se fosses só tu, pá. Isso já aconteceu a qualquer gajo. As gajas têm um dom. Bem, as gajas têm mais do que um dom e é esse mais que interessa aos gajos, mas depois um gajo sofre tanto. Tanto e por amor. Tanto tanto que até há canções bonitinhas sobre o assunto, com palavras a condizer com a melodia e o ritmo. Uma pessegada, em calda, tipo xarope para supliciados. O amor fode-nos tão bem, não é? Enfim, por tudo isto ou por outro motivo qualquer, para atestar que o caso The National é mesmo assim, lá irão ele e a Ludovica - até tu?, ó Ludovica - confirmar esta e a sua miséria, a uns jardins bonitos de Guimarães, quando for verão. Foda-se. Segismundo.

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2008-05-29


Este regime não é para certos. Mesmo em situação política tendente à democracia, a alienação pode mais do que a representação. Nicky Florentino.

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Paralelo a propósito de pacotes de massa cotovelinho et cætera. Ó pá, manda foder o Verne. E, já agora, o Salgari também. Aquilo de o Sandokan ser um tigre malaio e haver um português - chamado Yanez, quem é que acredita nisto? - metido na aventura é tudo invenção. Reserva apenas o exemplar d’Ars Amatoria. Publius Ovidius Naso, Ovídio para nós, é que, ainda antes de o menino Jesus ter sido parido, já a sabia toda. Mais. Se fosse de hoje, porque capaz de escrever um manual daquilo, seguramente que esse tal Ovídio seria um man dos computadores. Segismundo.

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Página do livro das sentenças, xlix. A palavra desolação é escrita poucas vezes nos relatórios de investigação científica. Segismundo.

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2008-05-28


Um dó li tá. Em política, e particularmente no concurso para senhor(a) presidente do psd em curso, atrás é que se vê bem. Atrás do senhor dr. Pedro Santana Lopes está o senhor eng.º Ribau Esteves. Está tudo dito. Atrás do senhor dr. Pedro Passos Coelho está o senhor dr. Ângelo Correia, visível, e o senhor dr. Luís Filipe Menezes, invisível. Está tudo mais do que dito. Atrás do senhor Prof. Doutor Mário Patinha Antão está a sombra. Atrás da senhora dr.ª Manuela Ferreira Leite está o crédito. Parece que o débito também. E a missão de socorros a náufragos, sim, a missão. O costume. Á salvação barrete. Nicky Florentino.

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Página do livro dos googlemas. Sabe-se lá como se chama a pessoa que não tem destino ou albergue, não é? Segismundo.

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Free games for May. Alô Karachi, alô, saudades de longe? Segismundo.

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Actas para motosserra, iv. A sociologia é uma disciplina tanto de entretenimento quanto de desilusão. Segismundo.

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A propósito de pacotes de massa cotovelinho et cætera, ii. The National é uma banda de gente de duas famílias, os manos Dessner - Aaron e Bryce - e os manos Devendorf - Bryan e Scott -, e um intruso com fama de barítono - Matt Berninger. Grosso editaram quatro lps, The National (Brassland Records, 2001), Sad Songs for Dirty Lovers (Brassland Records, 2001), Alligator (Beggars Banquet Records, 2005) e Boxer (Beggars Banquet Records, 2007), e dois eps, Cherry Tree (Brassland Records, 2004) e The Virginia (Brassland Records, 2008). Antes de editarem o álbum com nome de jacaré - uma espécie de casaco Lacoste em canções -, em doismilecinco, parece que tinham empregos decentes, nos computadores. E é aqui que a coisa começa a degradar-se. Mais ainda. A maior parte das suas canções são canções tão lindas, tão fodidas, sobre a dor que não mata, sobre a tristeza remoída, remoída e remoída, que poderiam ser ouvidas num velório. Ai o meu coração arrombado, partido, ai que dói tanto, e a culpa é tua, cabrona. Ai ó Abel leva-me contigo. Ai ó Ada não fiques muito tempo no lago e fica a saber que eu oiço o teu riso histriónico. Ai ó Ana Freud sou todo teu. Ai ó Karen espera um bocadinho, que eu sou melhor do que pareço. Ai Mary americana, como a bolacha, ai ai, é não e é sim. Ai ó Rachael fode-me, mata-me, todo. Ai não sei o quê, tu és um espanto de calar, como a buzina de um camião dos bombeiros vindo de França para animar um casamento de emigrantes em Agosto, quando faz muito calor, querida, e o teu espírito acelera mais do que o Ayrton Sena. E ai e hoje como é que vai ser a nossa vida?, tu afastada, saída, quão próximo estou de perder-te? Isto ao longe já é medonho, agora imagine-se próximo, ao vivo. É o delírio. Matt Berninger - o Matt, para os íntimos - empoleira-se em cadeiras caras, as doutorais da aula magna da universidade de Lisboa, e a malta ampara-o para ele poder rezar aquela ladaínha sinistra ai eu, o senhor novembro, antes era levado nos braços das meninas da claque, as claquetes, do slb. Ele grita I won't fuck us over e a malta acha piada. Pungente. É tudo mentira, mas a malta acha piada, por poder ser verdade. Não é verdade, mas nas canções soa bonitinho. Quase dói. Em rigor não dói, mas a malta gosta de fingir a mágoa, o coração amassado, a desorientação porque ela ou ele foi embora, com outra ou outro. A malta é possessiva e o amor é um cabrãozão, é o que é. Por isso a malta compreende - no sentido hermenêutico, que pressupõe vivência - as canções dos The National, que versam amores quilhados, abrasivos, de grão grosso, como sal nas feridas, e quase parecem adequadas para esfregar as costas. Fazem lembrar os sabonetes Ach Brito, ui, aquele perfume a certeza e a alfazema, do tempo em a mamã ainda nos lavava na banheira, com água da companhia - sim, porque, não obstante a mortificação, somos urbanos -, temperada, nem excessivamente fria nem excessivamente quente, e tínhamos um crocodilo verde de borracha para entreter. Com facas com lâmina de serrilha provavelmente seria melhor, porque o corpo sofreria a condizer, mas, não, a malta prefere as canções dos The National, limpinhas, arrumadinhas, certinhas, com versos tontos, seja a invocar impérios de fancaria ou luvas verdes, porque ressoam-lhe no coração. Está bem. Mas quem é que fica a olhar para astronautas e depois canta my medium-sized american heart? Mesmo um gajo que vê o Armageddon, realizado por Michael Bay, não fica em tal estado. Segismundo.

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Tratado de cardiologia, ii. Fixar a mancha, depois a agulha, finalmente desertar do coração. Se não estão mortas, esquecer as flores, provocam alergia, não emoção. Sim, é verdade, ninguém habita o coração. O coração é um órgão sujo, sem a perfeição dos relógios. Acertar os seus ponteiros é uma ilusão. Eles rodam em regime de engano, em expiação. Apontam mais para dentro, para a cave dos aurículos e dos ventrículos, do que para fora. O Marquês.

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2008-05-27


Panorama. A cortina da propaganda governamental já não consegue esconder o futuro. O dos doisvírguladois já foi e parece que até o do umvírgulacinco, não obstante mais fresco, pode ser ainda mais escanzelado. Vai daí o senhor dr. Pedro Silva Pereira, posto em senhor ministro da presidência do conselho de ministros, chegou-se à frente e fez figura de Deolinda. Sabe-se lá por que é que, embalado, não disse: portugueses, olhai a manada, exemplo lindo, as rezes estão magras, não consomem pasto diesel e continuam mansas. Nicky Florentino.

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A tensão. Qualquer regime arruma institucionalmente tensões políticas. Se não arruma é porque não é regime. Nicky Florentino.

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Força Portugal. Contra a especulação da cotação do pipo Brent, a especulação do cinismo gentio. Contra o cartel, a cidadania canalha. Nicky Florentino.

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Nós muitas vezes. Morremos apenas para podermos dizer que não estamos. É mais fácil assim, não é pessoal. Segismundo.

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comporta lohengrin. ela estava sentada no segundo degrau, com o corpo guardado no escuro, vendo-se só os seus pés, assentes sob a luz que a porta que dava para a rua deixava passar. ele entrou em casa e fechou a porta ainda com um sorriso na face. os teus pés, a interrupção de tudo, pensou ele. ficou assustado. levou a mão ao peito, ao flanco do coração. não a antevia ali. a sombra crescia com a escada, apenas o patamar antes do primeiro degrau estava exposto à penumbra. ela ali, ele prenunciou a espera e a acusação. tinha consciência da falta que havia cometido. por isso, sem adiantar qualquer passo, diante dos pés dela, sabes?, não decido a ausência, ela acontece-me, tentou esquivar-se da culpa. havia vários insectos sobre os olhos dela, que a sombra não permitia ver. ela nada disse e mais insectos aproximaram-se dos seus olhos, atraídos pela respectiva brancura. Edgar da Virgínia.

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2008-05-26


O problema de atestar na bomba quatro. Os portugueses habituaram-se a incensar gasóleo e gasolina. Um hábito como qualquer outro, entranhado e difícil de perder, como um vício. Mais ainda quando os gentios pagam a prestação do automóvel, o seguro respectivo e as portagens e são muito ciosos do direito de cirandar. O caso é que agora o hábito está ficar mais dispendioso, tanto que começa a agravar-se a dificuldade de realizar a operação verde código verde nos postos de abastecimento de combustíveis. O senhor eng.º José Pinto de Sousa não tem culpa no caso, porque a cotação do pipo Brent não depende do jogging que o fulano faz (ou deixa de fazer) ou dos cigarros que o fulano fuma (ou deixa de fumar) - achtung! isto não é calvinismo moral. Mas pode ser que na próxima eleição legislativa se abrase à mesma. Até porque não há motivo mais recomendado para orientar a acção política dos gentios do que a litost. Que, na miséria, pois, a pátria nos faça mais iguais e todos. Nicky Florentino.

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Fora da competição oficial. Segundo alguns, uma das vantagens da senhora dr.ª Manuela Ferreira Leite na actual campanha para a presidência do psd reside no facto de falar pouco e não comprometer-se. Que tal é agora a melhor verdade política, isso e umas generalidades sobre a crise social. É provável. Mas, se assim é, é sintomático e pungente que esta seja a via para a credibilidade da alternativa suposta ao governo socialista suposto. Porquê? Porque o que que pretende fazer render-se politicamente não é a ilusão - contra a qual há sempre a desilusão -, é a simulação da sinceridade - que desfigura a ilusão e impossibilita a desilusão, desarmando os gentios. Pelo que se a senhora dr.ª Manuela Ferreira Leite não penhora publicamente a sua palavra, para além de manifestar a vontade de chegar ao governo, o que é que propõe? Não desiludir. Que é mais ou menos o mesmo que nada, distinguido-se do nada no pormenor da sua pessoa. Muito obrigadinho. Nicky Florentino.

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Safari, i. Apenas os tristes podem ser felizes. Segismundo.

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A propósito de pacotes de massa cotovelinho et cætera, i. Não há paciência ou tempo para dissertações analíticas longas. Por isso segue breve a definição operacionalizada do conceito canção paneleira. Canções paneleiras são canções que o Jack Bauer não ouve e que ele não utiliza no seu ofício de tortura dos maus. Segismundo.

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2008-05-21


Teaser a propósito de pacotes de massa cotovelinho da mesma marca de pacotes de bolacha maria, que não é a Cuétera. Passou um carro, gama baixa, tematizado naquele cinzento metalizado que agora é comum e indiferenciado. Soou Coldplay. A ele apeteceu-lhe lapidar a viatura e o condutor. Havia pedras na calçada, mas estavam demasiados batidas e tinham as juntas betumadas. Esta é parte do problema. A outra parte chama-se The National, os criadores de um ror de canções paneleiras, em relação à qual uma parte significativa da tribo indígena exulta. Este é o princípio da declaração. Haverá prolongamento, com densificação do argumento. Segismundo.

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Portugalé. Um carrossel hdi. Segismundo.

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Actas para motossera, iii. Sob a sociologia, a praia; sob a praia, a cratera. Segismundo.

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Zona Oz, i. A melhor definição de amor?, o amor é um processo de absorção, disse o anjo, posto em pose de pavão. Sim, é um processo de absorção, mas ninguém tem capacidade para absorver assim tanto, rectificou a fada, ao mesmo tempo que com os dedos da mão esquerda fazia canudinhos com o seu cabelo, que depois puxava até aos lábios, onde os prensava levemente e de onde mais tarde escapavam, desenrolando-se, repetindo ela o gesto. O Marquês.

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2008-05-20


Bazuca, bomba de água, bomba de balão, bomba de carnaval, bomba de gasolina, bomba de injecção, bombinha, bomboca, et cætera. Em relação ao que está a suceder com o senhor dr. Luís Filipe Menezes - com o partido político a que ainda preside a conversa é outra - há uma pergunta única que merece resposta: qual é o tipo de bomba que o fez abandonar a presidência da trupe social-democrata? Nicky Florentino.

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À septuagésimaoitava. A sociedade civil é que é, a espiral do silêncio, a associação pel, a união ep, a Leya também porque é grande e tem muito dinheiro, as conversações, as negociações, os stands, os entendimentos, o acordo, o caralho que os foda, a eles e às conveniências respectivas, a feira do livro em Lisboa inaugurada sabe-se lá quando, parece que no próximo sábado, mais ou menos ou assim, o circo do costume, aproximadamente as mesmas páginas, mas este ano, antes, com mais exercícios de funambulismo. O que a malta deveria fazer?, entreter-se a comprar estantes e prateleiras para arrumar decentemente os livros que já tem em casa. Segismundo.

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Rast(ilh)o. Nos anos oitenta eram os Scorpions, aquelas baladas rançosas, encharcadas de xarope pretensamente eléctrico. Actualmente são os Coldplay. A pena de morte não devia ter sido abolida e os direitos humanos não devem aplicar-se à cáfila. Foda-se. Segismundo.

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A luminescência dos amantes. E súbito calaste-te, não sei porquê. A tua sombra tornou-se débil, sim, débil, mais débil do que discreta. A tua pele ficou ilegível, sem o tom corado de antes. O teu corpo cedeu, deixou a força, o impacto. Esmoreceu. Arrefeceu também. She comes in colors everywhere perdeu a verdade. Já não és tu, regular ou irregular. Nunca como no instante anterior senti a tua palpitação cardíaca assim, acelerada, o meu corpo tão entranhado no teu, os nossos corpos a corresponderem no ritmo e na violência. Mas era apenas para imitarmos Les Amants de Magritte, não era para sufocares com a fronha da almofada. Apertei demais? Porque nada disseste? Quando me arranhaste estavas a fazer-me algum sinal? Querias que eu parasse? Senti a tua excitação, pensei que estavas excitada, como eu. Até me mordeste os lábios através do tecido. Olha o meu sangue, olha a minha carne lavrada pelas tuas unhas. Ele consertou o abraço, cingiu o corpo dela ainda mais ao seu, o corpo dela bambo pelo perecimento. Ainda me amas? Porque não respondes? A primeira lágrima sulcou no seu rosto, um traço quente. E agora? E agora? O que vai ser de nós? O Marquês.

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2008-05-19


Era uma casa muito engraçada, não tinha tecto, et cætera. A malta do psd anda a tentar escrutinar a cheerleader que, depois, após eleições, tentará redimir a pátria de si. Entretanto surgiram outra vez notícias da miséria clientelar social-democrata - que, neste pormenor, talvez não se distinga muito da socialista. Parece que muitos militantes do psd habitam a mesma casa. É o que se chama coabitação. Nicky Florentino.

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Ao Intendente. Como é que se diz Deolinda no masculino?, Jesualdo. Segismundo.

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Já houve dias com melhor cara. Quase sempre a estupidez é franca. As intenções podem ser as melhores, pretenderem resolver todos os erros e o mal do mundo, mas a estupidez que lhes subjaz tende a ser solta. O Rui apanhou mais um caso que empresta prova à tese referida. Segismundo.

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Vaudeville nove e meio. As horas, mesmo as horas mesmas, não fazem sociedade. Segismundo.

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Leopardman at C&A. Quando nada mais, que contra o desgosto valha-nos o material. Segismundo.

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melancolia zündapp

# ii
. um ombro, um túmulo. Edgar da Virgínia.

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2008-05-18


Bola ao ar. Terminou a época futebolística. Hoje o senhor Olegário Benquerença, em ofício de árbitro de futebol, cumpriu a missão devida, não beneficiou o Futebol Clube do Porto. Não viu o Polga?, uma vez?, duas vezes?, não faz mal. O que importa é a verdade desportiva, o resultado limpo, o score final, o troféu nas mãos merecedoras. Mas para a época terminar em beleza, bom, bom, mesmo, seria saber-se hoje que na próxima época o mister Jesualdo Ferreira irá pregar para outra freguesia. Para o Seixal, por exemplo. Ou para mais longe, chão marroquino ou assim. Intendente G. Vico da Costa.

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2008-05-17


and join the monster squad. Há um momento em que percebes que a tua diferença começa a não ser diferente do que és. Confirmas-te, repetes-te ad nauseam. Esse momento é o princípio do teu desespero. És a náusea, sentes. Serás a náusea, sentes também. A solução passa necessariamente pela renúncia, mas algo, a inércia talvez, impede-te de renunciares a ti. És incapaz de separares-te da tua carne, de afastares-te da identidade que consomes e pela qual és. Continuando assim, mais adiante serás a tua morte. E, constituindo-te hábito e pira para ti, tu continuas. Aproximas-te da sensação de segurança, tomando a intimidade dos teus monstros. Porém, no mesmo processo, os teus monstros fogem e ficas só, contigo, demasiado encostado à tua imagem e à tua semelhança, numa comunidade singular, de que és simultaneamente a corda e o nó único. A solidão esgota os teus reflexos, deixas de conseguir a devolução de ti ao teu paradeiro. És a náusea, sentes. Serás a náusea, sentes também. Sê benvindo à falange. Segismundo.

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2008-05-16


Mr. jogging & senhor nicotina. O senhor eng.º José Pinto de Sousa fumou onde a lei não permite fumar. Isto não é um caso de moralidade, é um caso de legalidade. Depois, vergado pela denúncia mediática da falta - parece que não tanto pela vergonha de ter ofendido uma norma em relação à qual tem responsabilidade significativa enquanto senhor secretário-geral da seita socialista -, rogou perdão público e prometeu deixar de fumar. Começa aqui o segundo plano da estupidez do caso. O fulano não tinha que prometer coisa alguma. Se deseja ou pretende deixar de fumar, a publicidade disso nada releva. Mas, posto como promessa pública o abandono do vício - embora não se saiba bem a quem é que endossou tal promessa -, facto é que o senhor eng.º José Pinto de Sousa vinculou-se voluntária e moralmente a um comportamento. Na prática ajoelhou-se perante um altar. Depois veio lamuriar-se, ai o «calvinismo político» e ai a vigilância moral. Está bem. Tergiversar é bom. Armar ao pingarelho também. Nicky Florentino.

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Última flor do felatio, inculta e bela. Nada ou pouco importa o acordo ortográfico, se caralho continuar a grafar-se c-a-r-a-l-h-o, sem cê cedilhado, para não parecer palavra turca. Segismundo.

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O caminho das vertigens, ii. Agora e na hora da nossa morte é uma oração falida há muito tempo. Porque de todo esse tempo fomos e somos nós as horas. Segismundo.

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Roteiro da tangência. A morte chega em farpas, em prestações pequenas. Do corpo não há amortização. Se dormimos as mesmas horas, repetimos a precisão que o relojoeiro empresta à máquina das horas e somos nós as horas. Porém não é certo que, por isso, sejamos unidos. Às vezes as horas coincidem apenas à superfície, sem força suficiente para se fundirem. Segismundo.

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Recolhimento. Quando alguém se julga dentro do umbigo, necessariamente o seu, há sempre a hipótese de estar dentro do cu, o seu ou o de outro. Segismundo.

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melancolia zündapp

# i
. corpo índigo, sem presente, sem indicativo, sem saída. uma lâmina vizinha dos pulsos, que esperam o encontro. Edgar da Virgínia.

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2008-05-11


Livrete dos anjos sujos, xi. Interessam-me os infortúnios. Uma terceira mão alcançou-o, mão de mulher. Ele recostou-se na cadeira. Às vezes até clamo «viva nada» e satisfaço-me com isso. Fechou os olhos, deixou que ela lhe catasse as plumas. Havia uma almofada quase cheia com sobras de si conseguidas assim. Mas não me parece que tal seja sempre suficiente. Algo não permitia que ele fosse definitivo. Sabes?, ela deixou-me invocando que eu fazia muito vento quando estava em cima dela. Como um cão abana a cauda por satisfação, Fausto Schültz agitava as asas. Não nego, era jovem, vigoroso, entusiasmava-me. Todavia não lhe consegui tirar os três, os três ou os outros, os quatro, os cinco, os seis, os sete. Nenhuma vida é completa, ninguém consegue aproveitar todas as oportunidades. Hoje o meu problema é outro, não sei como é possível ser amante na solidão. Ele soergueu-se e arrumou melhor o corpo na cadeira. O passado perseguia-o, não era um arquivo morto, posto numa gaveta remota. Tentei, confesso, mas não me parece que isso seja possível. Por instantes atentou nos casquilhos dos puxadores das portas do armário. Achas que estou a ficar obcecado? Ela sorriu e preservou o silêncio. Estou, não estou? E um delíquio moral calou-o subitamente. Fausto Schültz era inquilino de dúvidas, um anjo estranho. Eliz B.

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2008-05-10


Sagração primaveril em azulibranco. Há cabeças que não têm arco craniano suficiente para levar seis pontos quanto mais para os perder ou fazer perder. Intendente G. Vico da Costa.

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2008-05-09


Tratado de cardiologia, i. Para verificar se é só seu, ela espeta-lhe agulhas no coração. A dor dele significa sim, o sangue significa não. O Marquês.

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2008-05-08


Portugal, nome de uma tragédia. “I governi debbon essere conformi alla natura degli uomini governati”, escreveu Vico, no capítulo lxix de Principj di Scienza Nuova. Traduzindo, “os governos devem ser conformes à natureza dos homens governados”. Seja por imperativo - isto é, por dever - ou por dignidade - isto é, por faculdade efeito de espécie -, na pátria ditosa, a nossa, verifica-se que o governo concorda sobejamente com o indigenato. Ora, sendo ambos - governo e indigenato - funestos e adeptos do ilusionismo, não há motivos para censurar a trupe encabeçada pelo senhor eng.º José Pinto de Sousa, actualmente em consulado constitucional. Nicky Florentino.

Referência



E depois do adeus. Será uma perda maior do que a extinção do lince da Malcata a desaparição do senhor eng.º Ribau Esteves enquanto senhor secretário-geral do psd. Chamem alguém de um canal de documentários, o National Geographic ou assim, antes que seja tarde. Nicky Florentino.

Referência



Exercício de reparação. Quem viu O Sabor da Melancia não tem dificuldade em compreender a situação actual no psd. Para tanto basta recordar a cena em que, após a interrupção de uma acção que ia em crescendo, uma personagem diz: “a tampa ficou dentro da japonesa”. Alguém teve que meter a mão dentro da japonesa para ficar a saber-se que a tampa era azul. Nicky Florentino.

Referência

2008-05-07


Romeu e Porsche, i. Se conheces alguma oração, não te demores a pronunciar amén. O biscateiro dirigiu a mão direita até à caixa de ferramentas. A capacidade de resistência das pessoas é limitada, como as sociedades. Há um momento em que a coragem cessa, percebes?, quando a boca do alicate aperta e as suas estrias ultrapassam a superfície cutânea e atingem a carne, começando a aproximar-se do osso. Caso não percebas, a repetição será uma necessidade. Crê-se que, em alguns casos, mais do que um expediente de teimosia, a reiteração é um dispositivo pedagógico eficaz. O Marquês.

Referência

2008-05-06


Laranjina challenge. O escrutínio da criatura sucessora do senhor dr. Luís Filipe Menezes na presidência do psd tem suscitado tanto entusiasmo tanto entusiasmo que até agora ninguém adiou o exercício de masturbação das seis da tarde ou atirou o pau ao gato. Deve ser a isto que se chama respeito. Nicky Florentino.

Referência

2008-05-01


I’m the broken Mary of the virgin hearts. Ela, a puta derreada, consequência de ter sido sovada por um rapaz com o coração mortificado, julgava que ser poeta era sobretudo trocar adjectivos e não sofrer ou sofrer de modo fingido apenas. O Marquês.

Referência

2003/2017 - danados (personagens compostas e sofridas por © Sérgio Faria).