Re: A condição do meu resgate. Isto é um labirinto. Não há roteiro, carta, bússula que permita orientar a saída deste enredo. Há temores, como os demónios ou o veneno, que irrompem abruptamente, pulsam ou vingam-se diluídos no meu sangue, que me fazem o olhar mais míope e incerto, a voz mais calada, os gestos mais quietos ou mortos. É uma sensação que regressa de longe, de onde venho, do fundo. É uma companhia que me é frequente. Não me peças para te explicar. Não posso, não quero, não consigo. Não sei se é este o caminho, se é este o chão, se são estas as estrelas, se é este o musgo, sequer se são elementos de orientação fiáveis. Não sei se é esta a via do regresso ou para o horizonte. Vou ter que esperar, talvez experimentar outro caminho. Não sei. Tens que esperar que eu saia daqui. Seja como for, amanhã vou espreitar o rio, provavelmente vê-lo crescer para a madrugada, da tua varanda. Passo antes pelo Santiago Alquimista. Há um concerto dos Enapá dois mil. Mas não vou ficar, não posso ficar. Um beijo para ti. Escreveu-lhe ele. Segismundo.
