A lição. Ela, sabes o que se lê nas tuas mãos?, o abandono, mas não tenhas vergonha, nada perdeste, não sintas culpa. Ele, eu não tenho vergonha, tão pouco me sinto culpado. Ela, és sincero? Ele, sem revelar convicção, esforço-me por ser. Ela, a opacidade em que te cercas não dá evidência a isso. Ele, o Kant explica o fenómeno, não é coisa que me preocupe. Ela, devia preocupar-te. Ser solto, solitário, não é ser indiferenciado, inalcansável, inexpugnável, uma ilha remota no interior de uma metrópole densamente povoada, habitada. Ele, eu sei. Ela, por isso devias preocupar-te com o que os outros sabem ou pensam de ti. Ele, porquê? Ela, porque, queiras ou não, és também dos outros. Não aprendeste isso? Ele, aprendi isso onde? Ela, em sociologia. Ele, a sociologia não ensina, o que ensina é a vida, a puta da vida, a sociologia serve apenas para inquietar. Ela, devias, então, ter aprendido com a vida, a puta da vida, como dizes. Não és apenas teu. Segismundo.
