Falta. Ela chamou-o, anda. Ele permaneceu sentado na cadeira, antes do limiar da varanda. Ela pegou-lhe nas mãos e puxou-o para si. Anda, anda, está agradável cá fora, disse ela. Anda para a noite, insistiu ela. Ele foi. Está frio, comentou. Ficaram ambos, debruçados, a olhar a frente, a descobrir o rio, a apontar as luzes da cidade, os jacarandás da rua. Gosto destas noites, sabes?, disse ela, são redentoras. Foram as noites como esta que me permitiram esconder de mim a tua ausência, confessou-lhe. Ele interpelou-a e quando acabarem estas noites?, como é que vai ser? Espero ter-te próximo, espero por ti, como tenho esperado, respondeu ela, porque fazes-me falta. Enganas-te, disse ele, um dia perceberás isso. Segismundo.
