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Albergue dos danados

Blog de maus e mal-dizer 

2004-06-12


Amor, disse ela, em apelo. Na mão, sobre uma fatia de broa comprada à tarde no Pingo Doce de inqualificável qualidade, uma sardinha assada, para lhe oferecer. O gesto da dádiva. O corpo e o espírito, dela, dados no gesto. Ele, porém, respondeu-lhe com um olhar de severo desprezo. Lia-se-lhe nos olhos, o rapaz era carnívoro. Ela corou, provavelmente chorou. Sofreu o erro. Sob o fétido perfume de sardinha assada, que corria o bairro, a Bica. Enquanto as marchas populares corriam a avenida, lá em baixo... O Marquês.


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