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Albergue dos danados

Blog de maus e mal-dizer 

2008-09-09


o parque. eram viagens cansativas, quando não durante a estadia, pelo menos na volta. muitas vezes o regresso cansa mais do que a ausência, é um facto. não é difícil explicar porquê. à partida e antes acontece a euforia, porque, mesmo que remotamente, a abalada significa aventura. em consonância com isso, a cabeça e o corpo dispõem-se ao desconhecido e, portanto, à descoberta. vais porque queres ir, por ti, para ti, não é? uma pessoa é uma espécie de destino volante, com origem e retorno. diz-se que a identidade é tonificada pelo sentido de exílio. de quando em quando a permanência transforma-se em tédio, tédio que, por sua vez, motiva uma esperança que se cumpre na ideia de saída. sabes como é, um gajo vai preparado para epifanias que nunca acontecem e a partir de determinado momento começa a sentir vontade de tornar aos seus circuitos, às suas monotonias. ainda que errante, um viajante leva consigo a saudade dos seus espaços e das suas cadências quotidianas, como se, porque preenchem rotinas, fossem dispositivos de protecção civil e pessoal. é uma questão de demora, porém fatal, porquanto inescapável, o despertar dessa saudade levada. fatal, reitere-se. o apelo da máquina é forte. longe, uma pessoa sente-se uma peça fora do mecanismo, tão deslocada quão sem função, pelo que mais tarde ou mais cedo deseja voltar a integrar-se na ordem que, antes, teve vontade de deixar. mas, e esta é uma nuance importante, não de deixar definitivamente. o hábito entorpece e liquida as outras hipóteses, opera como uma âncora do princípio, do que foi anterior. um gajo não está preparado para gramáticas estranhas. durante algum tempo pode contemplar a diferença, feita de paisagem e outros, mas tal diferença parecer-lhe-á sempre estranha. dentro de quem vai pulsa um sangue doméstico, feito de certezas, todas as confirmações anteriores e conquistas que, mesmo que não sentidas, são suas e inalienáveis. inscrevem-se numa sedução que penetra o corpo e instala-se aí, sem aviso, sem instância de recurso. como o transporte do tempo, o regresso é inevitável. agora, quando viajo, canso-me com mais facilidade. também tenho menos hipóteses de viajar. consequência?, asilo-me aqui e exilo-me próximo. ocasionalmente, sem ritual, pego na carabina, desloco-me até ao parque, escolho um local, ainda não repeti qualquer dos locais escolhidos, coloco-me em posição furtiva e deixo-me ficar assim. entretanto escolho um alvo, não interessa quem, uma criança a brincar no balancé ou no escorrega, um velho a jogar às cartas, um namorado sentado na relva ou num banco, um transeunte, fixo-o e disparo. um tiro apenas. depois, consoante a hora, regresso a casa ou sigo para o escritório. é menos cansativo. em cada um de nós há domiciliada uma pátria, uma comunidade que não é imaginada. é dela que promana a segurança ontológica de que necessitamos. crescemos com ela, como costume, como trato diário, e é ao seu apelo que, pelo retorno, correspondemos. não há saída. se tivesse que resumir a minha condição, diria que sou um diletante. romântico?, não, isso já não sou. há sete anos que tenho um pacemaker. O Marquês.


2003/2022 - danados (personagens compostas e sofridas por © Sérgio Faria).