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Albergue dos danados

Blog de maus e mal-dizer 

2007-09-29


As vidas em am. Quando por coisas que não são da vida tem que erguer-se a horas indecentes, ele espanta-se com o mundo. O que o sobressalta não é a luz baça da aurora a despontar languidamente para o brilho da manhã. O nascer dos dias não o supreende. Também não o surpreende a solidão triste dos levantados, sentados ou a caminhar sem companhia, com o espaldar vergado, como se arrastassem o mundo nos pés. O que lhe proíbe as manhãs é as lamúrias das meninas da boutique, saiu-me cá uma puta, a gaja, mal preparadas para atender os caprichos das madames, embora devidamente atiladas e penteadas e com o blush carregado para disfarçar a palidez do rosto. As madames estão quase a começar a chegar e elas ainda não ensaiaram o sorriso comercial. É o chocalhar das chávenas e dos pires, o clamor da boca da máquina de café quando batida para a livrar das borras, que corta as lamúrias das meninas da boutique. É a censura pedagógica da adulta dirigida à criança, o que é que tu e a titia combinaram?, vá, vamos, anda, já estou atrasada. É a aceleração do mano, que incomoda toda a carruagem do metropolitano. Bro, estou a chegar da night. Eu não te disse que ia papar a dama? Pois é, papei-a toda, papei a dama até ela guinchar e eu esguichei nela, na boa. Bué de rotações, man, bué de rotações. Sinto-me o Leonardo di Caprio no Titanic, I'm the king of the world, é isso bro. O people deitado, entre os lençóis, a fazer remela, e eu a papar a dama, bro. O tempo fez-se para viver, não para dormir, bro. Logo volto lá, combinei com ela, para acabar com esta rebentação toda que tenho no corpo e que ela tem também. Devias ter visto a dama a vibrar, bro. É o modo como as criaturas da manhã expiam mecanicamente a nicotina, como se soprassem os resíduos de um temor cerebral. Ou de um tumor. É o modo como, dia após dia, domesticadas pelo mistério da cidade, as mesmas criaturas insistem a carne cansada até ao colapso, até à rendição. Por tudo isto, a falência da espécie é mais evidente às horas da manhã. Depois, durante a tarde, a natureza continua a ser a mesma, mas parece tudo em ritmo mais derramado e falível. Parece admissível a hipótese de mudar as coisas, sem mudar as gentes. O café tem outro cheiro, tem outro sabor. Os ruídos deixam de incomodar. Talvez seja assim porque às horas da tarde ele já tem as defesas montadas. E para além disso sente que a noite não há-de demorar. Segismundo.


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