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Albergue dos danados

Blog de maus e mal-dizer 

2013-05-27


Senha número cinquenta e cinco milhões. As coisas são o que são. Não obstante, por motivo que não é fácil de discernir por quem não tenha competência treinada para sondar as almas e os vãos que elas habitam, há quem, por exemplo, cisme em chamar alheira a uma morcela. É este chamamento produto de uma espécie de daltonismo aplicado às coisas? É arte?, poesia, se for. Se um artista, por operação artística, pode chamar fonte a um urinol, por que motivo um presidente de câmara municipal, por operação política, não pode cantar que faz o que não faz ou que não faz o que faz? Claro que pode. Tem que viver-se inclusive com quem chama alheira a uma morcela. O que não significa que se tenha de ou que acompanhar, menos idolatrar, modo tão idiossincrático de nomear peças de charcutaria, apenas por que há quem isso e não se incomoda com o facto de enganar-se ou enganar os outros. Percebe-se que haja quem viva e conviva confortavelmente com o engano, do mesmo modo que há quem viva e precise de viver do engano alheio. A lição é bastante antiga. Ainda assim, quanto mais não seja por comunidade e economia de orientação, talvez não se viva pior sem confundir a beira da estrada com a estrada da beira. Uma alheira é uma alheira, uma morcela é uma morcela, duas alheiras são duas alheiras, duas morcelas são duas morcelas, um presidente de câmara municipal, um especificamente, é o que é mas não só. Segismundo.

Referência

2013-05-24


Pagliacci. Em que catecismo político é que considerar o senhor prof. doutor Aníbal Cavaco Silva como palhaço é mais insultuoso para o dito cujo do que para os palhaços? Nicky Florentino.

Referência



The life and opinions of. O senhor prof. doutor Aníbal Cavaco Silva não é o senhor presidente da república, o senhor presidente da república não é o senhor prof. doutor Aníbal Cavaco Silva. Alguém avise o inquilino do palácio de belém de turno destes factos básicos e elementares. Nicky Florentino.

Referência



Paisagem e regime de andaimes, iv. Em termos políticos e domésticos, o governo pátrio é um conjunto de marmitas da tupperware®, todas sem tampa. As mães, embora não apenas as mães, têm motivo para estarem e andarem arreliadas com a situação. Nicky Florentino.

Referência

2013-05-22


quaresmas, iii. desse domínio que guarda a voz, se ainda penso nisso?, tenta-se esquecer mas não se consegue. como as recordações persistem, a memória repete-se até o que é recordado ficar escuro, escuro que ganha espessura com o passar do tempo, tornando a escuridão superlativa. cria-se uma espécie de caixa negra, onde a realidade que se pretendeu esquecer permanece viva. disse viva, não disse arquivada, entendes? o trauma acompanha-nos permanentemente e pode assaltar-nos a qualquer momento através da presença dele. não se vê, sente-se. não se esquece, convive-se com o se quer esquecer, convive-se tão íntima, intensa e arrastadamente, como um bombardeio contínuo, que nos habituamos à dor. não a domesticamos, aceitamo-la, aceitamo-la como parte de nós, como se fosse um parte nova que acomodamos. morremos com ela. O Marquês.

Referência

2013-05-20


Página do livro das ressacas, ii. Há muito tempo que estar à espera deixou de significar ter esperança. Segismundo.

Referência

2013-05-17


Paisagem e regime de andaimes, iii. O que tem feito o governo pátrio? Tem drenado a esperança e, com o mesmo débito das comportas abertas pelas quais tem drenado a esperança, tem vendido a ilusão de que, após o sangramento, a força virá. A ilusão tem condão medieval. Que os trabalhos renderão as lágrimas que fazem o vale delas mas que, por essa expiação, acontecerá a eleição para o reino nos pináculos celestes, olé, a felicidade autêntica. O raio é que os gentios sabem o que é uma penthouse. Assim como sabem que, independentemente do gosto, sodomia não é terapia. Nicky Florentino.

Referência

2013-05-15


quaresmas, ii. era tão frequentada por coisas más, fome, tanta que passei, miséria, tanta que tive, que aquilo tudo revoltou-me, como não haveria isso?, não podia ser, não fui nada e criada para viver daquela maneira, de modo que pareceu que então é que as coisas iam para diante e que não tornaria a ter que encontrar-me como me encontrei naquele tempo atrasado. revoltei-me, fui à luta com o alento e o entusiasmo todo de quem está a ver as coisas a poderem melhorar. andei por lá, noites e dias, dias inteiros naquilo, manifestações e assim, outras saídas do género, empenhada no bem que via e que vinha, a reivindicar direitos que não queriam que fossem nossos, pior, que queriam que não fossem nossos, como se o tempo de trás tivesse que durar para sempre da maneira que era. e o meu homem lá na cama, quebrado, coitado, dado ao mal que haveria de o roubar de mim, a sofrer. eu abalava e antes pedia às vizinhas que, se preciso, o acudissem, uma pinga de água, uma migalhita de pão, e elas iam. estava errada, eu ia e não devia deixá-lo ao deus dará, mas era uma força que fazia com que eu precisasse de ir e eu ia, errada, mas ia, até que ao fim e ao cabo tudo acabou. depois da liberdade larga e disparada não houve mão, veio a desorientação, a desorganização, cada um para o seu lado, como é que hei-de explicar?, vamos lá ver se eu consigo, perdeu-se aquela união, a preocupação de uns com os outros, voltámos a arrumar-nos quase ao que era antes, quase, quase, quase o mesmo, consegui explicar-me?, daí a tristeza que me anda no coração, carrego-a no peito, contristo-me por não termos sido capazes de agarrar a chance e termos deixado cair no chão o que estávamos a fazer, tanto passo para diante, tanto avante, e no fim de contas voltámos quase ao antigamente, como se não tivéssemos andado para frente, como se não tivéssemos empurrado as coisas, quase, quase o mesmo, é essa a causa da minha tristeza. fui mais feliz revoltada do que o que sou hoje. a fome e a miséria andam aí outra vez à solta e as pessoas a que calham não têm como defender-se, não conseguem defender-se. é triste, uma tristeza que dói. perder outra vez custa mais do que perder apenas uma vez, com a diferença de que da primeira vez nem sabíamos que tínhamos perdido, o que tínhamos perdido. uma tristeza, digo outra vez. O Marquês.

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2013-05-13


I should live in salt. O boato corria, corria. Hoje é facto. Jack Bauer nunca foi embora. Prova?, live another day, sem ele o mundo estaria muito pior neste momento. Segismundo.

Referência



Página do livro dos assuntos graves e sérios, i. A quantas e quantos pretendem ter autoridade moral sobre quem quer que seja faça-se a mesma pergunta, conhece Inés Sastre? Se não, para o caralhinho. Segismundo.

Referência

2013-05-10


Machiavelli d. Quinhentos anos é muito tempo em medida de alma. Não faz mal. Continua a confundir-se povo e população, como se democracia e demografia fossem a mesma coisa e diferentes do que são. Ao princípio e ao fim de tal confusão Foucault chamou biopolítica. Morreu à mesma. Nicky Florentino.

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2013-05-08


pas de deux, xxiv.

bebes?
uma ilusão.
com moderação. não faz mal.
faz bem?
traz a felicidade.
uma ilusão.
porém feliz.
até ao momento da ressaca, o preço cruel.
que também é uma ilusão.
como?, se o sentes na carne.
todos os preços são uma ilusão.
não sou marxista.

sei o que sou.
outra ilusão.
não acreditas?
acredito no bourbon. menos no preço certo.
garrafa de jack daniel’s numa mão, bíblia na outra.
a tolerância permite a compatibilidades de ambas.
e ainda mandas pedras.
pequenas, quando posso.
isso não é ser tolerante.
é treino. a virtude faz-se.

sorte que agora há pistolas.

bebes?
(desta vez estendeu-lhe um copo.)
prefiro vodka.
lá está. a simpatia soviética. arranja-se.
esquece. confundes russa e soviética.
arranja-se mesmo.
que é mais ou menos o mesmo que confundir caviar e salada. esquece.
conheço essa inclinação burguesa, a da recusa soberba.

preferes chumbo?
quê?


a pergunta era retórica, pá.
O Marquês.

Referência

2013-05-06


Página do livro das latitudes, xxxiii. Isto, o que quer que isto seja, é quase sempre pior do que aquilo que se julgava que era. Segismundo.

Referência

2013-05-03


Ignoto deo. Quem tiver sido eleito que se foda, é um bom princípio. Cá por coisas que não são coisas, quem tiver sido nomeado que se foda também. Atenda-se apenas a regras simples, seculares, medievais, se necessário for. Deus escolhe, o orçamento é em conformidade, portanto o documento de estratégia orçamental será o que deus nosso senhor quiser. À cautela, talvez ajude não confundir o queijo do rabaçal com o senhor ministro de estado e das finanças, o senhor doutor Rabaça. Nicky Florentino.

Referência

2013-05-01


pas de deux, xxiii.

ai, gosto.

mais.
não mordas. cabra.
ai.

ai.

fica.
não posso.
a quaresma já acabou, vá.

até é feriado.
hoje não.
vais ter com ela?
vou.
é sempre a mesma merda. és sempre a mesma merda.
ela é a oficial. tem direito.
e eu?, sou o quê?
a outra.


há uma revolução a acontecer lá fora.
e?
querias que não?
quero é paz e sossego.
as outras vão deixar de ser as outras.
mas não quer dizer que vão passar a ser as oficiais.
não querias que eu fosse?

não querias que eu fosse a tua?, a oficial.

ei, sister love, save my soul, como na canção.
tu e as canções. puta que pariu as canções.
fica.
hoje não.
vou ficar triste.
mais ficarias se eu ficasse.
ficava nada.
ficavas, ficavas, acredita.
não. gosto de ti.
gostas cá. usas-me e sabe-te bem usar-me.
não. nada disso.
puta. não te faças desentendida.
fica.
hoje não. já te disse.
miminhos.
foda-se. está chata.
faz.
não.
a revolução vai apanhar-te por trás. armado em macho. à antiga. vais ver.
vai-te foder.
contigo?, vou já. quero. muito.
puta. larga-me.
por trás.

como te digo.

como te aviso.
hoje não.
O Marquês.

Referência

2003/2017 - danados (personagens compostas e sofridas por © Sérgio Faria).