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Albergue dos danados

Blog de maus e mal-dizer 

2013-03-29


Contar histórias. Dois anos após ter apresentado a demissão como senhor primeiro-ministro ao senhor presidente da república, o senhor eng.º José Pinto de Sousa revelou estar como foi. Paris não o amansou e, pela amostra, ilustrou-o pouco, se algum acrescento na ilustração lhe proporcionou. Ainda bem. Quem o adulava no modo e no estilo tem motivo para continuar álacre e acompanhar em êxtase a procissão de contentamento pelo regresso dele. Quem o execrava nisso pode continuar a rogar penitência e encomendar a alma ou continuar a chispar indignação e dar-lhe vazão abundante. Os movimentos de rotação e de translação da terra não foram desacelerados, sustidos ou invertidos. Portanto, na pátria ditosa, tudo como antes. Ou quase. Convém não negligenciar a ênfase colocada pelo senhor eng.º José Pinto de Sousa na palavra narrativa - récit, em francês técnico -, na situação de entrevista que protagonizou quarta-feira passada, palavra que repetiu ad nauseam. Empenhado na denúncia, mais do que na desconstrução, da narrativa proposta e difundida por «essa gente», ele avançou com quanta truculência a gravata lhe consentiu, iludindo no avanço - também por mansidão e insuficiência da parelha de senhores entrevistadores - que, no arranjo, «essa gente» andar para aí a pregar uma narrativa corresponde obviamente a uma narrativa dele. É que, como não custa perceber, as narrativas são como os chapéus, abundam. Só o elefante é que é palerma. O filme e a dieta filosófica parisiense, seguramente opípara em Derrida, Lyotard, Ricouer e derivados, haveriam de ter-lhe permitido perceber isso. Que é mais ou menos o mesmo que perceber que paris, paris we’ll always have paris, não é o mesmo que paris, texas. Quanto ao mais, a entrevista foi equivalente a um episódio de entretenimento e de promoção de um produto do canal, sem sinalizador a avisar que aquilo era marketing da casa, em prol dos shares que hão-de vir, se deus quiser ou o estupefaciente for do bom e o comando remoto do televisor estiver além do alcance imediato da mão e da mãe. Nicky Florentino.

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2013-03-27


quaresmas, i. foi encontrado um texto dactilografado, sem relevância de qualquer ordem, sob o qual estava a assinatura de Émile Jesus. desse texto alguém reteve uma frase, comer bifes todos os dias é spam doutrinário. reteve a frase, não pelo valor filosófico ou pelo valor literário, pela correcção que nela foi introduzida. a palavra doutrinário foi riscada e sobre ela, numa caligrafia irrepreensível, foi escrita a palavra desaustinado. foi este pormenor que fez com que o texto não tivesse sido esquecido e que tal alguém o tenha recordado no momento em que, por ter trinchado um pedaço de carne maior e não o ter mastigado como devia, sufocou. aconteceu na quarta-feira de cinzas. O Marquês.

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2013-03-25


Spring has sprung. Um gajo cresceu com credo adequado. Os zombies não param nos semáforos. Pelo que, se alguém vem do outro mundo para entrar neste, não adianta pedir-lhe a senha. Cristo houve só um, muito antes de haver teelvisão ou internet. Agora as coisas são piores. Ou eram. Porque até os fundamentos mais básicos e elementares que proporcionavam a segurança ontológica a um gajo foram abalados. Agora um zombie não é um zombie, é alguém - veja-se o estatuto personificado que o pronome garante - que padece da síndrome de falecimento parcial (partially deceased syndrome) e, por isso, pode ser curado. Há uma droga boa para isso. A doutrina passa para valer, cuidadinho, três vezes, na bbc. E ainda há quem ande para aí preocupado com as misérias domésticas, a fome, o empobrecimento, o desemprego, a precariedade, o desgoverno, o regresso do senhor eng.º José Pinto de Sousa do exílio parisiense para fazer comentários sobre sabe-se lá o quê. Foda-se, que falta de mundo. Segismundo.

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2013-03-22


Ars gratia artis. Governar é uma arte, diz-se. A metáfora é bonita. Mas vai-se ver e constata-se que, na pátria, o governo está para a governação do mesmo modo e na proporção exacta em que um volume das páginas amarelas está para a literatura. Nicky Florentino.

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2013-03-20


isto não é matar por amor, vi. isto é apenas um teaser, tanto amor, haveria de dar em quê?, que chegou atrasado. uma ideia. vêem-se as bolhas que a sugerem, arrumadas na direcção do que parece ser uma sombra. também pode ser um vulto. no interior do balão, a bolha maior, está isto. aos quarenta anos, inaugurada na idade que te começa a falir como balzaquiana ou loba, quem és tu?, o que ainda queres ser?, se continuas a precisar de ser. faz-te a morte o que podes continuar, que eu, já não sinto força para dizer que jamais te esquecerei, ainda não te esqueci. e depois, depois de ler-se o balão, fixa-se um poema com o título o sexo, composto só por um verso, faz-te a morte, que, faz-te a morte, é o que alguém repete em voz alta para compreender e acomodar a perda, um amor zombie, que já não existe como continua a existir. prova?, sente-se ainda a dor a desaparecer, como se isso estivesse a começar a acontecer, embora esteja a começar a acontecer outra vez. outra vez. outra vez. outra vez. outra vez. outra vez. outra vez. não é apenas a morte que separa. O Marquês.

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2013-03-18


It is my legacy to stop anyone who wants to fuck to make dragons. O peregrino vai custar-nos caro, este é o raciocínio que o mortifica há vinte meses consecutivos, interrompido em alguns intervalos. Mas pior do que a mortificação por tal ideia é a confirmação empírica do motivo dela. Táxi. Sim, sim, em língua magnânima europa pronuncia-se champions league. Morgue, se faz favor. Segismundo.

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2013-03-13


matar por amor, v. boa tarde, a saudação grave de quem entrou na taberna. boa tarde?, chuva que deus a dá, grossa e fria, fumo preto por não haver papa e ainda há quem ache que isto é uma boa tarde, resmungou Baltazar. nenhum dos presentes lhe dirigiu a palavra. perceberam-no encharcado e azedo, preferiram ignorá-lo. porém, interessa-me tanto saber quem vai ser o papa como saber qual é a equipa que vai ser campeã na turquia ou na china, era-lhes difícil deixar de encarar aquela presença, ali, naquele dia, como não sendo provocação. não vás na conversa, é o Baltazar, está entornado. para eles, eu sei, era provocação. o direito que Baltazar tivesse de estar ali não era expiação suficiente da culpa que ainda lhe creditavam. há coisas que nunca ficam saldadas, que não podem ser esquecidas. O Marquês.

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2013-03-11


Crassa moralia, v. Que não se dê peixe a quem necessita e, mais importante, que não se lhe ensine a pescar. Que tal quem seja afogado e contado como ração para peixe. Segismundo.

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2013-03-08


A política como arte bruta. Quando o colégio governamental ou um membro desse colégio não revela escrúpulo ou consciência de que, no exercício da incumbência respectiva, anda a enxovalhar-se e, por propriedade transitiva, a estender o vexame à fauna gentia e a quanto a embrulha simbolicamente, a humilhação pública de tais colégio ou membro é um imperativo republicano. Antes de mais porque, réplica e confirmação da humilhação própria, a humilhação pública é legítima. Grosso modo, a humilhação pública é a devolução amplificada da humilhação própria. Depois porque, ao atingir-se o nível over nine thousand do opróbrio de alguém, aumenta a probabilidade de ser despoletado um rebate de consciência em quem visado ou com responsabilidade, levando quantas criaturas forem a precindirem do fardo do encargo público que torna a humilhação superlativa e corrosiva no plano institucional. Não é garantido que tal reparação suceda ou que seja imediata, porém importa estimulá-la. Tentar. Tentar outra vez. E, quanto necessário, insistir. Na proporção directa da inquietação, da indignação. Se os gentios não podem humilhar os membros da oligarquia de turno, se é feio, se é perigoso, se é insensato, se é inútil fazê-lo, é porque, mais do que não existir, a democracia não é para existir. As ilusões são um problema. Nicky Florentino.

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2013-03-06


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matar por amor, iv. há onze dias Clementina teve um pesadelo que envolveu bois e vacas. ela recorda ter acordado e revelar-se-lhe que as vacas eram malhadas, a branco e preto, e os bois eram lisos, todos pretos. o que a surpreendeu, pois ouvira contar que as realizações oníricas não eram a cores. o branco e o preto que ela vira eram branco e preto autênticos, não eram cores de catálogo de tintas. o preto era lustroso, como se incidisse o sol nele, não era um preto baço, de televisão antiga. o branco tinha tonalidades, não era um branco de cal, com alvura uniforme, era um branco cremoso, às vezes ligeiramente amarelecido, nomeadamente nas manchas das partes mais baixas das vacas. outro elemento do pesadelo que Clementina reteve com impressão mais vincada foi um símbolo, coisa de máquina de escrever, parecia, representação de um bovino. ela ficou de tal modo perturbada que telefonou à irmã e combinou ir visitá-la na semana seguinte, passar uns dias na serra. para dar espairecimento à cabeça, mana, bem preciso, anunciou a expiação que ia tentar. O Marquês.
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logotipo © Cult of the Dead Cow

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2013-03-04


Ready for the laughing gas. É uma das regras da higiene social. Que ninguém se intrometa entre o senhor cidadão e a consciência do senhor cidadão. Segismundo.

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2013-03-01


Le chef c’est celui qui limoge les autres.


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prancha © René Goscinny, Alain Buhler e Jean Tabary (in Les Cauchemars d’Iznogoud - Tome 3, Pont-l’Abbé-d’Arnoult, Éditions Tabary, 1994, p. 17).

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2003/2017 - danados (personagens compostas e sofridas por © Sérgio Faria).